Plano de Aula para Ensino do Handebol – Jogar com, como e contra o Pivô

Venho, a partir de hoje, descrever alguns planos de aula. Planos de aula, como o nome diz são apenas “planos” ou seja, uma estratégia montada de forma a preocupar-se com a sistematização de ensino que, assim como uma proposta currícular, deve ser maleável de acordo com o andamento da aula/treino, podendo sofrer, ou não, variações e alterações.

A proposta que descrevo aqui terá como base alguns princípios importantes no que tange aos aspectos metodológicos (ênfase no jogo como forma de ensinar) e didáticos (orientando para a descoberta guiada, contruída em conjunto com o professor, orientada para um determinado conteúdo).

Plano de Aula

Tema – Jogar com, como e contra o pivô

Conversa Inicial – Falar da aula passada, e orientar de maneira breve que os alunos se organizem livremente em trios. Continuar lendo “Plano de Aula para Ensino do Handebol – Jogar com, como e contra o Pivô”

Propostas para Competições no Handebol de Base II – Categorias Mini e Mirim

O artigo dessa semana será publicado em formato PDF, pois ficou um texto bastante grande e a leitura dele no corpo do blog pode se tornar consativa. Clicando abaixo há o link para download do material. Peço que leiam, divulguem, questionem, sugiram e etc.. Propostas para Competições no Handebol de Base – mini e mirim [clique aqui] Abraços a todos, Continuar lendo Propostas para Competições no Handebol de Base II – Categorias Mini e Mirim

Propostas para Competições no Handebol de Base I

Olá Amigos, feliz 2010 a todos.

Gostaria de discutir inicialmente algo que penso ter tudo a ver com esse começo de ano.

Muitos de nós participaremos, nesses primeiros meses do ano, de reuniões de ligas e federações, com a finalidade de discutir o cronograma competitivo, regulamentos e modelos de disputa dos respectivos campeonatos.

E, no mesmo ambiente em que se discutem as propostas cronológicas para categorias adultas, juniores e juvenis, estão inclusas as discussões sobre as categorias cadete, infantil, mirim e pré-mirim.

Mas o qual é o problema? Você deve pensar. Não seria este um momento oportuno para discutir o calendário competitivo de todas as categorias num mesmo momento?

Claro! Oportuno é. Mas essa oportunidade, muitas vezes, deixam despercebidos grandes problemas relativos ao processo de formação pedagógico-competitiva de jovens e crianças que compõe as categorias de base. Continuar lendo “Propostas para Competições no Handebol de Base I”

Jogos Pedagógicos – Aprendizado de Cobertura Defensiva Zonal

O jogo a seguir tem por objetivo trabalhar um importante meio tático defensivo, típico da defesa zonal: a cobertura defensiva.

Mais do que ensinar a movimentação da cobertura de maneira analítica de forma a fazer alunos/atletas simplesmente ‘decorar’ uma sequência de deslocamentos, através do jogo é possível fazê-los vivenciar a necessidade de realizar a cobertura por orientação do cumprimento da lógica do jogo (não sofrer mais gols do que faz), característica que deve ser o verdadeiro objetivo pedagógico do ensino desse meio tático defensivo tão importante para a orientação defensiva.

Temos a seguir, a figura base do jogo: Continuar lendo “Jogos Pedagógicos – Aprendizado de Cobertura Defensiva Zonal”

Jogos Pedagógicos – Jogos de Desmarque em Marcação Individual

Quem pensa que jogar com marcação individual é coisa somente de time grande, jogadores experientes e ainda por cima, coisa a ser feita apenas para anular os melhores jogadores de uma determinada equipe está plenamente enganado.

Jogar com marcação individual é na realidade um saber típico da iniciação ao handebol, pois através da marcação individual os alunos/atletas iniciantes podem vivenciar no momento em que joga tarefas bem definidas, o que facilita o cumprimento dessas tarefas, além de aprenderem a lidar com as referências bola, alvo a proteger e adversário de maneira que consiga entender como proteger seu gol, buscar recuperar a bola de seu adversário.

Se ao marcar individual ele esquecer-se, por exemplo de proteger seu gol, estará falhando em sua tarefa; se deixar de buscar a bola, dificilmente terá êxito em seu papel de defensor; e caso perca a referência de seu atacante (adversário) direto causará falha na estrutura defesiva de sua equipe.

Logo, jogar marcando individualmente possibilita saber lidar com as referências básicas do jogo, da mesmo forma que jogar contra uma marcação individualizada permite aos atacantes terem acesso a meios táticos individuais elementares para que se possa jogar bom o handebol como forma de solucionar os problemas do jogo.

Desmarcar-se é um desses meios táticos que considero elementares para que se joga handebol ofensivamente, ao lado dos apoios (ajudas para receber a bola) e das penetrações em espaços vazios.

Destaco hoje o “desmarque” pois essa ação possibilita o acesso às duas ações anteriores, pois quem se desmarca pode criar uma situação de apoio, ou mesmo penetrar defesa à dentro.

Porém, para aprender a se desmarcar não basta simplesmente falar: “Vamos lá, se desmarquem!”; torna-se necessário possibilitar que os alunos/atletas vivenciem essa habilidade de forma desafiante, tendo no ato de desmarcar-se algo necessário e importante para que o jogo ocorra.

Uma forma interessante de trabalhar as noções do desmarcar-se é sempre ter em um jogo alguém com posse de bola e alguém sem a posse sendo marcada por pelo menos mais uma pessoa.

Construirei abaixo uma sequência de 3 jogos que orientem de forma pedagógica as noções de desmarcar-se e, por consequinte, de como marcar bem individualmente. Continuar lendo “Jogos Pedagógicos – Jogos de Desmarque em Marcação Individual”

Recomendação de Leitura

Caros amigos, sob solicitação do meu amigo Riller Reverdito, essa semana estará disponível no site o mais recente artigo científico publicado na revista Motriz por ele junto com os professores, Alcides José Scaglia e Roberto Paes, grandes nomes da Pedagogia do Esporte no Brasil. O título é “Pedagogia do esporte: panorama e análise conceitual das principais abordagens”. É uma leitura importantíssima para todos que militam na educação … Continuar lendo Recomendação de Leitura

Análise do Jogo – Considerações e Aplicações de Modelos e Scout

Segundo Leonardo (2005) analisar o jogo, sob a ótica de muitos estudiosos dos esportes, tem relação direta com a modelação da forma de atuar da equipe em jogos e também para o direcionamento de treinos.

Segundo Santos (2005), a análise do jogo deve evitar o foco em categorias secundárias ao jogo e focar-se naquilo que segundo o autor, seria o objetivo real das análises do nível lógico do jogo, sua dimensão estratégico-tática.

Logo, analisar o jogo deve superar o acúmulo de dados sem poder informativo real para aplicação ao nível da estratégia e tática do jogo (LEITÃO, 2001), ou seja, analisar única e simplesmente acertos e erros nos mais variados elementos técnicos do jogo (finalização, passe, drible e etc..) não gera dados capazes de auxiliar verdadeiramente o processo de construção de uma partida e muito menos fornecerá dados suficientemente significativos para modelar o processo de treinamento da equipe.

Pensando a proposta de Leonardo (2005), as categorias de análise do jogo devem ser definidas ao nível dos princípios operacionais do jogo (e suas inter-relações) em consonância com as regras de ação cabíveis àqueles princípios do jogo. O gesto técnico deixa de ser uma categoria (finalidade) de análise, passando a ser um meio de análise, pois sem a notação da técnicia seria impossível compreendê-lo, pois é através da ação técnica que o jogo é executado.

Um modelo que gosto muito de usar em minhas análises no handebol pauta-se nos processo de progressão e finalização ao alvo da equipe que ataca contra as formas de impedir a progressão e proteção do alvo da equipe que se defende (princípios operacionais do jogo).

Para cada um desses princípios, existem regras de ação possíveis de serem analisadas.

Por exemplo: para progredir, a equipe deve realizar passes verticais (buscando o alvo adversário), criar linhas de passe (apoio ao companheiro), ultrapassar o adversário com e sem bola (fintar e realizar trajetórias) e estruturar o espaço de jogo a fim de preenchê-lo com consciência coletiva (através de um esquema ofensivo frente ao esquema defensivo adversário) e sempre tendo como objetivo atingir a lógica do jogo (fazer o ponto, através de arremessos que busquem a região central da quadra de jogo), minimamente.

Visando impedir a progressão, a equipe que defende deve estruturar o espaço defensivo de maneira a impedir que a bola aproxime-se próxima do próprio gol cortando linhas de passe, retardando a ação ofensiva em direção à sua meta, colocando-se sempre à frente do adversário em relação a seu gol, utilizando-se do contato físico para evitar que o adversário o ultrapasse fazendo com que a bola afaste-se da região central da quadra (através de um esquema defensivo) e optando pelo tipo de defesa (zona, mista ou individual) a ser utilizada.

Visando a finalização ao alvo, a equipe que ataca deve buscar finalizar a gol com vários tipos e arremesso combinados com inteções táticas, como fintas e trajetórias. As finalizações podem surgir de diversas regiões da quadra.

Visando proteger o alvo, temos a ação dos defensores com bloqueios aos arremessos e a atuação do goleiro, como último jogador da defesa, que tem em suas ações específicas a possibilidade de posicionar-se na área e defender com o corpo todo, além da relação defesa x goleiro, fechando e abrindo espaços possíveis da bola ser arremessada.

Esse modelo, pode ser, minimamente esboçado conforme a figura que segue:

Scout1 Continuar lendo “Análise do Jogo – Considerações e Aplicações de Modelos e Scout”

Construção de uma Progressão Pedagógica no Ensino do Handebol Através do Jogo – A Escolha dos Jogos II

Conforme destacado no artigo anterior, escolher os jogos que serão utilizados para a organização de aulas e sessões de treinos depende de, pelo menos, 3 aspectos de análise:

  1. Como ocorre no jogo a manifestação dos Princípios Operacionais dos Jogos Esportivos Coletivos? (Bayer, 1992)
  2. Quais regras de ação serão manifestadas nesse jogo?
  3. O jogo aproxima-se ou afasta-se da ‘lógica’ do handebol?

As respostas seguem abaixo. Continuar lendo “Construção de uma Progressão Pedagógica no Ensino do Handebol Através do Jogo – A Escolha dos Jogos II”

Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo – A Escolha dos Jogos I

Conforme citado no artigo anterior (clique aqui) iremos tratar agora da ‘Escolha dos Jogos’, ou seja, como adequar cada jogo ao contexto de nosso grupo de trabalho.

Cada grupo de alunos/atletas com o qual lidamos corresponde a uma realidade diferente, conhecimentos diferentes sobre o handebol e vivências anteriores também particulares a cada indivíduo e cada grupo.

Torna-se, portanto, uma incoerência criar uma ‘receita’ simples de ser seguida, já que a pluralidade e a generalidade são aspectos relacionados a toda relação humana.

Seguir um modelo pronto (assim como o ensino tecnicista nos condiciona a fazer) passa a ser algo questionável. Não serão dados, portanto, modelos, receitas, caminhos definidos, mas sim pistas, dicas e reflexões que possam nos orientar dentro de uma progressão pedagógica.

Escolher um conteúdo a ser passado para nossos alunos é algo complexo (como tudo o que envolve educação, desenvolvimento humano e relações sociais) e para isso, quando temos no jogo nossa arma pedagógica, não basta apenas escolhermos uma série de jogos e montar aulas como alguém que com um baralho, descarta e escolhe novas cartas para seu jogo, é necessário planejamento e coerência pedagógica.

A escolha dos jogos exige um olhar para o conteúdo que se objetiva ensinar e como sistematizar atividades/jogos/brincadeiras que sejam capazes de orientar nossos alunos/atletas para aprender aquilo que queremos ensiná-los.

Esses conteúdos, no entanto, superam em muito aquilo que o olhar tradicional considera conteúdos a serem ensinados no handebol (os fundamentos técnicos isolados, de maneira geral, e abordagens fragmentadas da perspectiva tática/estratégica do jogo).

Se o objetivo é construir uma metodologia de ensino pautada no jogo, o jogo elaborado deve ser capaz de garantir que a aprendizagem seja conseguida exclusivamente jogando.

Para isso, deve-se inicialmente definir: “Como poderão ser os jogos que utilizarei na minha proposta pedagógica?”. Continuar lendo “Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo – A Escolha dos Jogos I”