Bases de Ataque no Handebol – Categorias Mirim e Infantil

Conforme já foi tratado neste blog, a utilização de estratégias ofensivas livres (sem características posicionais e zonais) deve ser explorada de forma contínua em categorias mirim e infantil, sendo, em muitos casos, o padrão ofensivo que pode ser utilizado como o principal a ser utilizado, sobretudo na categoria mirim.

Jogar de forma livre, porém, não significa deixar o jogo acontecer e, apenas, incidentalmente, as situações ofensivas acontecerem. Claro, que nestas idades, o jogo livre torna-se um importante referencial para o desenvolvimento da criatividade, porém, é possível que, pelo menos uma base de ataque já possa ser aprendida e utilizada.

Está base de ataque tem como referência inicial o equilíbrio entre atacante com bola e defensor adversário, em situações que tipicamente, o atacante com bola perde o poder de deslocamento (seja por que já driblou e agora está segurando a bola, seja porque o contato físico do defensor é muito presente, tornando perigoso driblar e perder a posse da bola).

Na figura abaixo, temos um exemplo de uma situação de equilíbrio defensivo frente ao atacante com bola (típico da defesa individual, também bastante comum nesse período de aprendizagem).

Figura 1. Equilíbrio Defensivo – O atacante não consegue deslocar-se com a bola.

Mediante esta situação, uma base de ataque pode ser explorada Continuar lendo “Bases de Ataque no Handebol – Categorias Mirim e Infantil”

Bases de Ataque no Handebol – conceitos e conteúdos de aprendizagem

Conceito:

Ouvi pela primeira vez o termo “base de ataque” em minha pós-graduação, numa aula ministrada pela Professora Rita Orsi em que estávamos discutindo os meios táticos ofensivos e defensivos do handebol.

Ao ouvir este termo, consegui, pela primeira vez, conceituar algo que tinha muita dificuldade de fazer: sempre tive por princípio, a partir de um determinado momento do processo de ensino-aprendizagem, o ensino do que chamava ser “jogadas que não sejam estruturalmente fechadas”. Isso significa na prática a organização de uma sequência de movimentações encadeadas que possibilitem o surgimento de erros defensivos, porém, possibilitando ao atleta a tomada de decisão perante as circunstâncias do jogo.

Ao ouvir o termo “base de ataque”, consegui, finalmente, conceituar esta longa explicação acima descrita.

Logo, resumindo:

A base de ataque é um conjunto de referências que orientam ações encadeadas pelos atacantes de forma a possibilitar vantagem para a tomada de decisão frente as circusntâncias do jogo. É o que possibilita que todos falem a mesma “língua” num dado momento de organização ofensiva.

Elementos técnico-táticos do jogo que precisam estar bem assimilados antes do ensino de bases de ataque:

Ensinar bases de ataque, principalmente no tocante à iniciação ao handebol, deve respeitar uma séria de conceitos já assimilados fora do jogo (de forma circunstancial/declarativo) e dentro do jogo (de forma circunscrita/processual).

Ou seja, definir referências que orientem uma base de ataque não é algo que deve ser simplesmente jogado para uma equipe. Cada base de ataque necessitará de elementos técnicos e táticos específicos, porém, pensando o básico, alguns elementos devem estar bem sedimentados dentro do processo de ensino-aprendizagem:

Passar com segurança e eficiência Continuar lendo “Bases de Ataque no Handebol – conceitos e conteúdos de aprendizagem”

Tipos de Fixação III – Mitos sobre a fixação par-ímpar

Jogar através de fixações já foi explorado em dois artigos escritos no site, um falando da fixação par e um falando da fixação ímpar.

No artigo sobre fixação par, destaquei a existência da fixação par-ímpar como uma possibilidade de resposta coletiva a partir de uma ação individual.

A fixação par-ímpar, porém, se mal ensinada e compreendida pelos alunos, pode se tornar um revés para as ações coletivas da equipe. Coloco-a em destaque, pois ouço muitos mitos sobre esse tipo de ação do jogo.

Vamos aos mitos:

MITO 1 – Fixar ímpar é o mesmo que “chamar dois defensores”? Continuar lendo “Tipos de Fixação III – Mitos sobre a fixação par-ímpar”

Tipos de Fixação II – Fixação Par e suas Consequências Coletivas

No artigo anterior falamos sobre a fixação ímpar e fiz uma “brincadeira” para saber o qual poderia ser o outro tipo de fixação. Ora, se existe fixação ímpar, também existe a fixação par.

Conceituando novamente fixação, vou descrever aqui aquilo o que foi apresentado no artigo 1 desta série de artigos:

Fixar nada mais é do que através de movimentações do jogador com bola, este chamar a atenção de seus marcadores, fixado-os às suas movimentações.

Ou seja, quando eu realizo uma fixação, na realidade estou fixando meu oponente (ou meus oponentes) a mim, de forma que ele se preocupe tanto comigo que minha equipe tenha benefícios táticos.

Dessa forma, como tudo no jogo de handebol, uma ação individual do jogador com bola, poderá gerar ganhos coletivos para sua equipe.

Falaremos agora da fixação par.

Fixação par é a ação tática individual que tem como objetivo fixar o marcador direto, ou seja, aquele que defende a zona que eu ataco.

Porém, o simples ato de fixar par não garantirá benefícios individuais ou coletivos à equipe que ataca.

Abaixo, podemos ver o que acontecerá em um jogo de handebol se, simplesmente, forem realizadas fixações pares por todos os jogadores da equipe.

fixação par 1

Figura 1. Quadra 7×7 com fixações pares apenas Continuar lendo “Tipos de Fixação II – Fixação Par e suas Consequências Coletivas”

Tipos de Fixação I – A Fixação Ímpar e suas Consequências Coletivas

Quem começa a jogar handebol, rapidamente se depara com uma palavra que em alguns casos não deixa tão clara o seu significado: e a ‘fixação’.

O conceito de fixação é cabível não apenas aos jogos orientados pela defesa e ataque em zona, mas também em jogos com defesas mistas, por aproximação ou defesa individual.

Fixar nada mais é do que, através de movimentações do jogador com bola, este chamar a atenção de seus marcadores, fixado-os às suas movimentações.

Ou seja, quando eu realizo uma fixação, na realidade estou fixando meu oponente (ou meus oponentes) a mim, de forma que ele se preocupe tanto comigo que minha equipe tenha benefícios táticos.

Dessa forma, como tudo no jogo de handebol, uma ação individual do jogador com bola, poderá gerar ganhos coletivos para sua equipe.

Falaremos hoje sobre o conceito de fixação ímpar.

Esse nome, ‘fixação ímpar’ é o nome usualmente utilizado por grandes treinadores e estudiosos do handebol. O significado de fixação ímpar é fixar um marcador indireto (ou seja, que marcava outro companheiro) às ações do jogador que está com bola, gerando como resultado disso a liberdade para que o companheiro que era marcado por ele possa jogar e ter grandes chances de marcar gols ao receber a bola.

Ou seja, isso pode ser chamado também por treinadores e professores de ‘chamar a atenção do marcador indireto’, porém, acredito que conhecer como fixação ímpar facilita o processo de aprendizado.

Como consequência de uma fixação ímpar tem-se uma resposta (saiba o que são respostas clicando aqui) do jogador que era marcado, mas que agora estará momentaneamente livre. Essa resposta deve obedecer à lógica do jogo de handebol. Ou seja, a resposta deve ser aquela que facilite ao jogador receber a bola em situação favorável de finalização a gol.

Abaixo, ilustro de maneira simplificada um jogo de 2 x 2+goleiro, no qual um atacante com bola realiza uma fixação ímpar.

Vsualização de uma fixação ímpar
Vsualização de uma fixação ímpar

Continuar lendo “Tipos de Fixação I – A Fixação Ímpar e suas Consequências Coletivas”

O ensino da tática coletiva ofensiva

Para uma introdução sobre a ação ofensiva no jogo de handebol é preciso entender um pouco sobre os conteúdos táticos coletivos, os quais se apresentam como uma coordenação ou auto-organização das ações dos jogadores, sejam elas de caráter individual ou coletivo, mas que geram uma representação coletiva dentro da estrutura ofensiva. Como exemplo, citamos as respostas as trajetórias, passe e vai, penetrações sucessivas, cruzamentos, cortinas, bloqueios…

Primeiramente para que as ações ofensivas e o treino específico para o ataque ocorram de forma eficiente é necessário que a equipe já tenha uma noção das ações defensivas, como coberturas, bloqueios, trocas, sistemas zonais de defesa, para que as ações ofensivas consigam ter um embasamento de acordo com a defesa imposta pelo adversário.

A ação ofensiva é muito dependente da leitura que a equipe e seus jogadores tem do jogo como um todo. Muitas das ações e respostas advem dessa interação entre ataque e defesa, e nas suas ações ofensivas a equipe deve estar preparada para as possíveis mudanças e estratégias adversárias. Continuar lendo “O ensino da tática coletiva ofensiva”