Uma boa equipe começa por uma boa defesa?

Quando falamos de esportes coletivos, é quase um consenso a seguinte afirmativa: “Uma boa equipe começa por uma boa defesa”.

No caso do nosso amado handebol, essa frase quase sempre está na boca dos professores e treinadores, independente da idade de suas equipes. Evidencia-se assim, um mito.

Mito não se discute, se aceita. Cria-se assim um paradigma.

Um paradigma como esse passa a ser algo tão intrínseco e aceito culturalmente no meio do handebol (e outros esportes coletivos), que ele passa a permear todas as ações desse ou daquele treinador, mesmo que ele não saiba disso.

Ao falar sobre a importância da defesa, de maneira emergente a um processo de ensino, muitas atividades de cunho defensivo terão grande volume de repetições dentro de um planejamento.

Se defender bem garante uma boa equipe, treinar-se-á defesa como nunca! Pois ali está a chave para o sucesso de uma equipe.

Minha opinião? Vamos a ela: Continuar lendo “Uma boa equipe começa por uma boa defesa?”

Análise do Jogo – Scout e Categorias de Análise

Neste artigo não tratarei da sistematização aplicada de planilhas de scout, mas discutirei a construção de modelos de análise do jogo a partir de uma discussão metodológica, para que todos possam ter certa autonomia na construção de seus modelos, de acordo com seus interesses de análise.

Destaco antes de qualquer desenvolvimento acerca do tema, que tenho estudado os jogos esportivos coletivos (JEC) a partir do ponto de vista  deles pertenceem a uma família única de jogos dentro das variadas manifestações esportivas, pois de acordo com a base teórica que adoto (Bayer, 1992; Daolio, 2002; Scaglia, 2003, Reverdito e Scaglia, 2009 entre outros autores) os JEC são dotados de uma matriz funcional baseada em princípios que para a grande maioria dos desportos de invasão de território (basquetebol, futebol, futsal, rugby, o handebol etc..) são comuns.

Ainda venho estudando os JEC sob a visão da teoria dos sistemas dinâmicos, o que torna capaz compreender porque existem tantos fatores imprevisíveis dentro dos JEC, fazendo-os dotados de grande complexidade.

Estes conceitos que englobam (1) os princípios comuns entre as modalidades coletivas, (2) a concepção de que o jogo é dotado de imprevisibilidade e complexidade; são a base para pensarmos uma Análise do Jogo de qualidade.

1. O que é Scout? Continuar lendo “Análise do Jogo – Scout e Categorias de Análise”

Construção de uma Progressão Pedagógica no Ensino do Handebol Através do Jogo – A Escolha dos Jogos II

* Antes de prosseguir, é interessante ler os seguintes artigos:

Conforme destacado no artigo anterior, escolher os jogos que serão utilizados para a organização de aulas e sessões de treinos depende de, pelo menos, 3 aspectos de análise:

  1. Como ocorre no jogo a manifestação dos Princípios Operacionais dos Jogos Esportivos Coletivos? (Bayer, 1992)
  2. Quais regras de ação serão manifestadas nesse jogo?
  3. O jogo aproxima-se ou afasta-se da ‘lógica’ do handebol?

As respostas seguem abaixo. Continuar lendo “Construção de uma Progressão Pedagógica no Ensino do Handebol Através do Jogo – A Escolha dos Jogos II”

Recomendação de Leitura

Olá amigos, para essa semana recomendo a vocês a leitura do artigo do Professor Riller Silva Reverdito, colaborador do site Pedagogia do Handebol, escrito junto com o Professor Alcides José Scaglia, discutindo uma proposta metodológica para o ensino dos jogos coletivos, focando suas análises pedagógicas no ensino do handebol, trazendo a discussão do jogo sobre a ótica da gestão do seu processo organizacional. Vale a … Continuar lendo Recomendação de Leitura

O ensino dos esportes coletivos: metodologia pautada na família dos jogos

Esta semana estarei postando aqui um artigo científico produzido por mim, o Professor Riller Reverdito e o Professor Alcides Scaglia na revista motriz. Nele discutimos uma proposta metodológica de ensino dos esportes coletivos (e também do handebol) sob a perspectiva da família dos jogos, discutida na tese de doutorado do professor Alcides e que tanto defendo nesse espaço virtual. Espero que apreciem a leitura, clique … Continuar lendo O ensino dos esportes coletivos: metodologia pautada na família dos jogos

Handebol, um jogo de Perguntas e Respostas

A compreensão do handebol como um fenômeno sistêmico é um dos principais enfoques desse espaço virtual.

Sistêmico porque ele não pode ser compreendido de maneira fracionada. Jogar handebol não é um simples somatório de fundamentos, mas sim uma grande teia complexa de ações que geram re-ações, às quais novas ações e novas re-ações se originam, dentro de um círculo ininterrupto de novos problemas e novas soluções.

Um dos principais fatores que demonstram a característica sistêmica do jogo de handebol está na sua compreensão como um “jogo de perguntas e respostas”.

Existe uma infinidade de jogos de perguntas e respostas. Se pensarmos sob a ótica da “família dos jogos” defendida por Scaglia (2003) pode-se até mesmo colocar o handebol dentro de uma mesma família de jogos do que, por exemplo, o famoso jogo do “é, não e por que”.

No jogo de “é, não e porque”, jogam pelo menos dois jogadores. Um jogador é o responsável por formular perguntas e o outro é aquele que as responde. No entanto, a regra do jogo determina que aquele que responde não utilize os termos “é, não e porque”.

Um exemplo de execução desse jogo, onde “P” é o jogador que pergunta e “R” é o jogador que responde:

P: Qual seu nome? Continuar lendo “Handebol, um jogo de Perguntas e Respostas”

O Jogo IV – Lúdico e Sério, isso é possível?

Para muitos que abordo ao falar sobre o ensino do handebol com base no jogo como exclusiva ferramenta pedagógica, isso parece um equívoco, pois a visão zobre o jogo comumente limita-se sobra sua característica de diversão e ludicidade, desprovido de um caráter sério, que para muitos é considerado um elemento essencial para que a aprendizagem seja consumada.

Não questiono que a ausência de seriedade num processo de ensino aprendizagem é algo que minimiza as chances de que a aprendizagem seja assimilada pelos alunos/atletas que se envolvem em nossas aulas.

Logo, admito que para ensinar deve haver seriedade por parte de alunos e professores, pois a atitude séria possibilita maior atenção para que o objeto de aprendizagem seja realmente significado como um conteúdo a ser aprendido.

O jogo, por sua vez, é um elemento típico de liberdade, ludicidade e prazer, caracterizando-se, aparentemente, como algo típico para o relaxamento, a diversão e a livre adesão.

No entanto, trago uma pergunta: Jogar bola nas ruas, garante aprendizagem? Não são raros os relatos de grandes jogadores de diversas modalidades que descrevem as experiências vividas na rua como algo realmente significativo. Continuar lendo “O Jogo IV – Lúdico e Sério, isso é possível?”

Como pensar a formação de um jogador de Handebol III – 13 a 14 anos

Seguindo com os artigos que falam sobre a formação de um jogador de handebol, falaremos agora sobre como pensar a formação de jogadores de 13 e 14 anos, que já estão adentrando ao período de especialização esportiva.

Gostaria, porém,  de esclarecer um ponto.

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Não penso que devemos nos empenhar única e exclusivamente na formação de um jogador focando o alto-rendimento como único caminho a ser alcançado nesse processo.

De acordo com Greco (1997, p.24), existem algumas fazes que devem ser pensadas durante o processo de formação esportiva de qualquer pessoa e gostaria de destacar aquilo que o professor Greco chama de Fase de Recreação/Saúde. (Figura abaixo)

greco-fases-de-formacao-do-jogador Continuar lendo “Como pensar a formação de um jogador de Handebol III – 13 a 14 anos”

Como pensar a formação de um jogador de Handebol II – 10 a 12 anos

Na iniciação, aos 10/12 anos aproximadamente, dificilmente teremos a possibilidade de encontrar um grupo capaz de jogar o handebol de maneira elaborada, quase sempre se caracterizando como um grupo que se encontra numa fase de jogo anárquico (sobre o jogo elaborado e anárquico, clique aqui) – por suas questões físicas, cognitivas e por experiências anteriores já vividas em jogos coletivos e no próprio handebol de maneira mais específica.

Logo, o jogo, nessa etapa tem como característica a centração na bola, excesso de verbalização para pedir a bola, independente de o jogador que pede a bola esteja em boa ou ruim condição de jogo, e a visão do jogo centra-se na relação com a bola (características anárquicas).

Essa característica, ao longo do planejamento de ensino do handebol para esses alunos, deve ser superada, buscando que os alunos possam jogar o handebol de forma mais desenvolvida, ou seja, com maior organização espacial, mas ainda sem uma especialização em posições do jogo, que a verbalização diminua, mas que quando ocorrer, seja para uma boa resolução dos problemas do jogo, e que a visão do jogo passe a se descentrar da bola (característica de um jogo em fase de descentração),  seguindo, assim, as idéias apresentadas por Vygotski, sobre a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZPD), havendo sempre estimulos para que os alunos superem seus conhecimentos atuais e adapetm-se a novas possibilidades de jogo. Continuar lendo “Como pensar a formação de um jogador de Handebol II – 10 a 12 anos”

Como pensar a formação de um jogador de Handebol – Disposições Preliminares

Parte fundamental desta série de artigos devo às contribuições feitas pelo Prof. Dr. Alcides José Scaglia para a área da pedagogia do esporte, em específico, a pedagogia do treinamento. Obrigado por compartilhar seus conhecimentos comigo!

Quando pensamos na formação de um atleta, em geral, pensamos de maneira bastante pontual, ou seja, no momento em que temos nosso aluno em mãos, porém, pouco se reflete em dois sentidos: o que ele já aprendeu sobre o esporte e, o que tenho que fazê-lo aprender nesse período para que ele tenha conteúdos bem assimilados sobre o esporte.

Essas questões nos remontam à necessidade de entender o processo de formação desse nosso aluno. O segredo está, portanto, na palavra processo.

Ao falarmos de um processo, falamos de uma organização feita, levando em consideração que algo será levado de uma condição para outra.

No caso da formação de jogadores (ou não de handebol) pode-se pensar no seu perfil de ingresso (entrada) e perfil de egresso (saída) desse aluno.

Dessa forma, deve-se considerar aquilo que ele possui de conhecimentos já adquiridos e pensar em como agregar novos possíveis à sua formação (como bem ressalta Jean Piaget) e também como adaptar seus possíveis às novas possibilidades presentes no jogo de handebol.

Logo, se há processo, há diferentes etapas e diferentes conteúdos a serem ensinados ao longo desse período.

Ao mesmo tempo, chega a ser utópico imaginar que seremos capazes de orientar toda a formação de um atleta de handebol em nossas mãos, surgindo o pensamento: “De que adianta eu me preocupar com a formação de meu aluno, fazendo todo trabalho adequado à sua boa formação como atleta, sendo que amanhã ele poderá ir para outro local e não sei se haverá essa preocupação nesse novo ambiente?”

Continuar lendo “Como pensar a formação de um jogador de Handebol – Disposições Preliminares”