Frutos de uma aula de Pós-Graduação – Jogos que ensinam Handebol 2

Após o primeiro artigo desta série, segue agora mais um jogo apresentado pelo grupo de alunos da Pós-Graduação em Pedagogia e Treinamento em Jogos Esportivos Coletivos, no módulo de iniciação e especialização ao Handebol oferecido pela Universidade Gama-Filho.

Os jogos desenvolvidos pelo grupo em questão tratam do ensino dos seguintes temas:

Tema 2:

  • Defesa: Marcação individual.
  • Ataque: Desmarque com progressão ao alvo adversário, passe e recepção.

O grupo apresentou uma progressão muito interessante de atividades, no entanto, Continuar lendo “Frutos de uma aula de Pós-Graduação – Jogos que ensinam Handebol 2”

Frutos de uma aula de Pós Graduação – Jogos que ensinam Handebol 1

Nos dias 10 e 11/12 de 2011, fui o docente da turma de especialização da Universidade Gama-Filho, do curso de Pedagogia e Treinamento dos Jogos Esportivos Coletivos, ministrando o módulo de Iniciação e Treinamento do Handebol, na qual 3 turmas de especializandos da cidade de São Paulo participaram. O curso foi realizado no Centro Olímpico, com total apoio do professor Daniel “Cubano”, para o qual deixo um forte abraço, pois foi muito interessante a conversa e a troca de experiências que tivemos.

De forma geral, o curso tratou de 4 principais eixos: A visão sistêmica do handebol, métodos de ensino – tratando da valorização do Jogo como forma de ensinar, definição dos conteúdos de aprendizagem e os sistemas de jogo para a iniciação e especialização.

Como avaliação, ou melhor, frutos deste processo, no último dia de curso, foram divididos 4 grupos que receberam uma tarefa: construir um único jogo que pudesse dar conta de ensinar diversos conteúdos relacionados ao processo de aprendizagem ao handebol. Abaixo, seguem os temas trabalhados por cada grupo:

Tema 1:

Desenvolver um jogo que possa ensinar:

  • Defesa: A troca de atacantes ou acompanhamento destes dentro de um sistema defensivo aberto.
  • Ataque: Queda de segundo pivô.

Tema 2:

Desenvolver um jogo que possa ensinar:

  • Defesa: Marcação individual.
  • Ataque: Desmarque com progressão ao alvo adversário, passe e recepção.

Tema 3:

Desenvolver um jogo que possa ensinar:

  • Defesa: Jogar contra superioridade numérica ofensiva e trabalhar a troca de marcação do pivô.
  • Ataque: Luta pelo espaço vazio (para Pivôs).

Tema 4:

Desenvolver um jogo que possa ensinar:

  • Defesa: Marcação em zona para defesas em 2 linhas e valorização do contato físico.
  • Ataque: Ocupação de espaços vazios e finalização.

Os resultados foram maravilhosos e, com a devida autorização de cada grupo, publico abaixo a atividade proposta para o tema 1 e realizo uma breve análise pedagógica de cada uma desta. Nos próximos artigos, farei o mesmo com os outros 3 temas. Continuar lendo “Frutos de uma aula de Pós Graduação – Jogos que ensinam Handebol 1”

A aprendizagem do Passe na Iniciação e na Especialização ao Handebol – Diferenças Significativas

euLucas Leonardo é o coordenador do site http://www.pedagogiadohandebol.com.br e atua como consultor pedagógico de projetos esportivos em clubes, associações e prefeituras.

Geralmente, quando solicito que alguém caracterize o jogo de handebol, ouço algo assim: “É um jogo no qual a equipe deve passar a bola para depois arremessar a gol”.

A ideia que associa o handebol ao passe é quase que um senso comum entre alunos, atletas e professores.

Considerando, porém, o real objetivo do jogo, a utilização do passe pode não ser tão relacionada à quantidade de passes que uma equipe realiza, mas sim à qualidade do passe realizado. Continuar lendo “A aprendizagem do Passe na Iniciação e na Especialização ao Handebol – Diferenças Significativas”

Ensinando a progressão sem bola e ocupação dos espaços vazios

Neste texto darei alguns exemplos de atividades voltadas para a iniciação à modalidade, em uma sessão de treino/aula.

Sabemos que dependendo da idade essas atividades devem ser mais ou menos voltadas para o lúdico, com mais brincadeiras do que exercícios fechados.

O importante nas atividades são os objetivos que devem estar voltados ao aprendizado de aspectos da lógica do handebol, como as infiltrações, a procura pelos “espaços vazios”, a procura individual e coletiva pela conquista do objetivo do jogo (gol), com a intenção de introduzir o jogo mais complexo, com mais jogadores.

Em um primeiro momento da aula, podemos utilizar de brincadeiras para o aquecimento e que tenha ações e lógica semelhantes para a introdução do assunto programado para o dia.

Abaixo segue uma aula aplicada para ensinar aos alunos de 8 a 10 anos (pode ser aplicado a turmas de 12 e 13 anos desde que sejam iniciantes) a receber a bola em progressão, visualizar os “espaços vazios”, a infiltração e a finalização ao gol.

Atividade 1: Travessia do Rio Continuar lendo “Ensinando a progressão sem bola e ocupação dos espaços vazios”

Jogos Pedagógicos – Aprendizado de Cobertura Defensiva Zonal

O jogo a seguir tem por objetivo trabalhar um importante meio tático defensivo, típico da defesa zonal: a cobertura defensiva.

Mais do que ensinar a movimentação da cobertura de maneira analítica de forma a fazer alunos/atletas simplesmente ‘decorar’ uma sequência de deslocamentos, através do jogo é possível fazê-los vivenciar a necessidade de realizar a cobertura por orientação do cumprimento da lógica do jogo (não sofrer mais gols do que faz), característica que deve ser o verdadeiro objetivo pedagógico do ensino desse meio tático defensivo tão importante para a orientação defensiva.

Temos a seguir, a figura base do jogo: Continuar lendo “Jogos Pedagógicos – Aprendizado de Cobertura Defensiva Zonal”

Tipos de Fixação III – Mitos sobre a fixação par-ímpar

Jogar através de fixações já foi explorado em dois artigos escritos no site, um falando da fixação par e um falando da fixação ímpar.

No artigo sobre fixação par, destaquei a existência da fixação par-ímpar como uma possibilidade de resposta coletiva a partir de uma ação individual.

A fixação par-ímpar, porém, se mal ensinada e compreendida pelos alunos, pode se tornar um revés para as ações coletivas da equipe. Coloco-a em destaque, pois ouço muitos mitos sobre esse tipo de ação do jogo.

Vamos aos mitos:

MITO 1 – Fixar ímpar é o mesmo que “chamar dois defensores”? Continuar lendo “Tipos de Fixação III – Mitos sobre a fixação par-ímpar”

Tipos de Fixação II – Fixação Par e suas Consequências Coletivas

No artigo anterior falamos sobre a fixação ímpar e fiz uma “brincadeira” para saber o qual poderia ser o outro tipo de fixação. Ora, se existe fixação ímpar, também existe a fixação par.

Conceituando novamente fixação, vou descrever aqui aquilo o que foi apresentado no artigo 1 desta série de artigos:

Fixar nada mais é do que através de movimentações do jogador com bola, este chamar a atenção de seus marcadores, fixado-os às suas movimentações.

Ou seja, quando eu realizo uma fixação, na realidade estou fixando meu oponente (ou meus oponentes) a mim, de forma que ele se preocupe tanto comigo que minha equipe tenha benefícios táticos.

Dessa forma, como tudo no jogo de handebol, uma ação individual do jogador com bola, poderá gerar ganhos coletivos para sua equipe.

Falaremos agora da fixação par.

Fixação par é a ação tática individual que tem como objetivo fixar o marcador direto, ou seja, aquele que defende a zona que eu ataco.

Porém, o simples ato de fixar par não garantirá benefícios individuais ou coletivos à equipe que ataca.

Abaixo, podemos ver o que acontecerá em um jogo de handebol se, simplesmente, forem realizadas fixações pares por todos os jogadores da equipe.

fixação par 1

Figura 1. Quadra 7×7 com fixações pares apenas Continuar lendo “Tipos de Fixação II – Fixação Par e suas Consequências Coletivas”

Análise do Jogo – Considerações e Aplicações de Modelos e Scout

Segundo Leonardo (2005) analisar o jogo, sob a ótica de muitos estudiosos dos esportes, tem relação direta com a modelação da forma de atuar da equipe em jogos e também para o direcionamento de treinos.

Segundo Santos (2005), a análise do jogo deve evitar o foco em categorias secundárias ao jogo e focar-se naquilo que segundo o autor, seria o objetivo real das análises do nível lógico do jogo, sua dimensão estratégico-tática.

Logo, analisar o jogo deve superar o acúmulo de dados sem poder informativo real para aplicação ao nível da estratégia e tática do jogo (LEITÃO, 2001), ou seja, analisar única e simplesmente acertos e erros nos mais variados elementos técnicos do jogo (finalização, passe, drible e etc..) não gera dados capazes de auxiliar verdadeiramente o processo de construção de uma partida e muito menos fornecerá dados suficientemente significativos para modelar o processo de treinamento da equipe.

Pensando a proposta de Leonardo (2005), as categorias de análise do jogo devem ser definidas ao nível dos princípios operacionais do jogo (e suas inter-relações) em consonância com as regras de ação cabíveis àqueles princípios do jogo. O gesto técnico deixa de ser uma categoria (finalidade) de análise, passando a ser um meio de análise, pois sem a notação da técnicia seria impossível compreendê-lo, pois é através da ação técnica que o jogo é executado.

Um modelo que gosto muito de usar em minhas análises no handebol pauta-se nos processo de progressão e finalização ao alvo da equipe que ataca contra as formas de impedir a progressão e proteção do alvo da equipe que se defende (princípios operacionais do jogo).

Para cada um desses princípios, existem regras de ação possíveis de serem analisadas.

Por exemplo: para progredir, a equipe deve realizar passes verticais (buscando o alvo adversário), criar linhas de passe (apoio ao companheiro), ultrapassar o adversário com e sem bola (fintar e realizar trajetórias) e estruturar o espaço de jogo a fim de preenchê-lo com consciência coletiva (através de um esquema ofensivo frente ao esquema defensivo adversário) e sempre tendo como objetivo atingir a lógica do jogo (fazer o ponto, através de arremessos que busquem a região central da quadra de jogo), minimamente.

Visando impedir a progressão, a equipe que defende deve estruturar o espaço defensivo de maneira a impedir que a bola aproxime-se próxima do próprio gol cortando linhas de passe, retardando a ação ofensiva em direção à sua meta, colocando-se sempre à frente do adversário em relação a seu gol, utilizando-se do contato físico para evitar que o adversário o ultrapasse fazendo com que a bola afaste-se da região central da quadra (através de um esquema defensivo) e optando pelo tipo de defesa (zona, mista ou individual) a ser utilizada.

Visando a finalização ao alvo, a equipe que ataca deve buscar finalizar a gol com vários tipos e arremesso combinados com inteções táticas, como fintas e trajetórias. As finalizações podem surgir de diversas regiões da quadra.

Visando proteger o alvo, temos a ação dos defensores com bloqueios aos arremessos e a atuação do goleiro, como último jogador da defesa, que tem em suas ações específicas a possibilidade de posicionar-se na área e defender com o corpo todo, além da relação defesa x goleiro, fechando e abrindo espaços possíveis da bola ser arremessada.

Esse modelo, pode ser, minimamente esboçado conforme a figura que segue:

Scout1 Continuar lendo “Análise do Jogo – Considerações e Aplicações de Modelos e Scout”