Jogando para Aprender o Retorno Defensivo I – Jogos para a Iniciação

Caros colegas, venho por meio deste artigo, descrever algumas etapas possíveis de serem construídas para a aplicação do conceito de retorno defensivo dentro de um modelo de jogo (ou seja, como uma cultura de equipe, que não depende de acertos táticos ou estratégicos, mas que está incorporada dentro das construções coletivas da equipe).

Ressalto a questão do modelo de jogo e da aprendizagem como algo cultural dentro da equipe, pois dentro do que venho lendo e estudando sobre a aplicação da inteligência tática dentro do ambiente de jogo, falar como a equipe deve fazer o retorno defensivo não basta, se esses conceitos não forem sistematizados dentro de um processo de ensino aprendizagem.

A fala na preleção: “quando perdermos a bola você marca essa, você abafa o goleiro e você volta para a defesa”, por exemplo, não basta para uma boa aplicação prática.

Logo, construir um modelo de jogo é necessário para que algumas referências de jogo estejam intrínsecas ao jogar coletivo.

Dessa forma, esse artigo será bastante ilustrativo, buscando descrever pedagogicamente uma sequência de jogos muito úteis para a construção do “jogar coletivo” dentro de um modelo de jogo da equipe, tendo como ênfase o retorno defensivo.

Conceituando Retorno Defensivo: Continuar lendo “Jogando para Aprender o Retorno Defensivo I – Jogos para a Iniciação”

Propostas para o Andebol de Base

Material gentilmente cedido pelo Professor António Alberto Dias Cunha – http://andeboldebase.blogspot.com/

INTRODUÇÃO:

Minha formação na área do Andebol tem duas escolas:

  • Balcãs /Escandinava (são muito semelhantes) e francesa;
  • Minha experiencia como atleta e treinador nos escalões do andebol de base, mesmo sendo Treinador Principal dos vários clubes em que estive, Selecção Nacional, FCP-SLB-ABC-SCP-BFC.

Fiz muita formação em estágios, seminários a nível do Andebol de base, práticas nas escolas e clubes (semelhantes) dos Balcãs e tendo como apoio as selecções nacionais e seus treinadores e o clube mais representativo desta abordagem metodológica e com resultados ao longo de dezenas de anos o Metaloplastika (várias vezes campeão europeu de clubes e maior fornecedor de atletas para a selecção Nacional Jugoslávia – República de montenegro), conversas informais de muitas horas com O Mentor do Andebol em campos reduzidos, Vinic Tomlianovic, director técnico da Croácia.

ANDEBOL DE BASE (bambis, minis e infantis):

MODELO DE COMPETIÇÃO: Continuar lendo “Propostas para o Andebol de Base”

Construção de uma Progressão Pedagógica no Ensino do Handebol Através do Jogo – A Escolha dos Jogos II

Conforme destacado no artigo anterior, escolher os jogos que serão utilizados para a organização de aulas e sessões de treinos depende de, pelo menos, 3 aspectos de análise:

  1. Como ocorre no jogo a manifestação dos Princípios Operacionais dos Jogos Esportivos Coletivos? (Bayer, 1992)
  2. Quais regras de ação serão manifestadas nesse jogo?
  3. O jogo aproxima-se ou afasta-se da ‘lógica’ do handebol?

As respostas seguem abaixo. Continuar lendo “Construção de uma Progressão Pedagógica no Ensino do Handebol Através do Jogo – A Escolha dos Jogos II”

Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo – A Escolha dos Jogos I

Conforme citado no artigo anterior (clique aqui) iremos tratar agora da ‘Escolha dos Jogos’, ou seja, como adequar cada jogo ao contexto de nosso grupo de trabalho.

Cada grupo de alunos/atletas com o qual lidamos corresponde a uma realidade diferente, conhecimentos diferentes sobre o handebol e vivências anteriores também particulares a cada indivíduo e cada grupo.

Torna-se, portanto, uma incoerência criar uma ‘receita’ simples de ser seguida, já que a pluralidade e a generalidade são aspectos relacionados a toda relação humana.

Seguir um modelo pronto (assim como o ensino tecnicista nos condiciona a fazer) passa a ser algo questionável. Não serão dados, portanto, modelos, receitas, caminhos definidos, mas sim pistas, dicas e reflexões que possam nos orientar dentro de uma progressão pedagógica.

Escolher um conteúdo a ser passado para nossos alunos é algo complexo (como tudo o que envolve educação, desenvolvimento humano e relações sociais) e para isso, quando temos no jogo nossa arma pedagógica, não basta apenas escolhermos uma série de jogos e montar aulas como alguém que com um baralho, descarta e escolhe novas cartas para seu jogo, é necessário planejamento e coerência pedagógica.

A escolha dos jogos exige um olhar para o conteúdo que se objetiva ensinar e como sistematizar atividades/jogos/brincadeiras que sejam capazes de orientar nossos alunos/atletas para aprender aquilo que queremos ensiná-los.

Esses conteúdos, no entanto, superam em muito aquilo que o olhar tradicional considera conteúdos a serem ensinados no handebol (os fundamentos técnicos isolados, de maneira geral, e abordagens fragmentadas da perspectiva tática/estratégica do jogo).

Se o objetivo é construir uma metodologia de ensino pautada no jogo, o jogo elaborado deve ser capaz de garantir que a aprendizagem seja conseguida exclusivamente jogando.

Para isso, deve-se inicialmente definir: “Como poderão ser os jogos que utilizarei na minha proposta pedagógica?”. Continuar lendo “Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo – A Escolha dos Jogos I”

Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo – o Ato Motor e as Estruturas Motrizes

No artigo anterior citei alguns pontos relativos ao desenvolvimento de um processo pedagógico para o ensino do handebol, destacando a ‘certa’ inveja que alimento do ensino pautado em premissas tecnicistas, por este método de ensino facilitar em muito ao professor enxergar o ‘de onde começar’ e o ‘para onde deve ir’ em seu processo tradicional de ensino.

Porém, essa ‘invejinha’ é deixada de lado quando, ao analisar que a forma de ensino tradicional acaba por fazer do jogo de handebol algo resumido em partes descontextualizadas de seu todo, fator que impede que a aprendizagem seja bem ministrada.

Ou seja, apesar do tecnicismo facilitar que o professor crie uma linha coerente de ensino  – dentro dos moldes tecnicistas –, ao analisarmos os frutos advindos desse processo de ensino, verifica-se lacunas muito grandes no que diz respeito à capacidade do aluno em resolver os problemas inerentes ao jogo.

Logo, um desafio pessoal que faço questão de compartilhar nesse site, é o de tornar fácil a compreensão de como desenvolver uma progressão pedagógica no ensino do handebol através da idéia do ensino por jogos.

Jogos, sim! Pois jogando, mantemos intacto algo primordial: a unidade complexa do jogo. Continuar lendo “Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo – o Ato Motor e as Estruturas Motrizes”

Os problemas da especialização precoce em busca do resultado

Neste texto quero compartilhar uma preocupação com a especialização precoce de atletas no contexto da formação do handebol. A discussão não será quanto ao treinamento biológico precoce, mas quanto a especificação da posição, da falta de uma construção do conhecimento geral para o específico, deixando de promover a vivência e acompanhamento de todas as fases, sem prejudicar o aluno no seu processo de aprendizagem e aperfeiçoamento.

No dia-dia de treinamento de categorias de base chegam muitos alunos que não têm conhecimento sobre os conteúdos básicos do handebol e nem mesmo possuem um aprendizado anterior satisfatório para alcançar a meta do grupo, e muitas vezes não temos tempo de ensiná-los, sem pular etapas do treinamento, por já estarmos no meio do planejamento, ou quando já estamos com algumas metas traçadas. Porém, um erro grave e comum é colocá-los em uma posição durante os jogos ou coletivos em que eles não “atrapalhem” o treinamento ou onde “prejudicam” menos.

Nesta questão, quando um aluno chega nesta situação e o colocamos para jogar, em uma posição que julgamos menos complexa e lá o deixamos, estamos especializando precocemente um aluno que não passou por todas as fases do aprendizado. Em alguns de nossos textos publicados, falamos sobre o processo de ensino aprendizagem, em que envolvem os princípios operacionais e as fases do aprendizado para os jogos. Continuar lendo “Os problemas da especialização precoce em busca do resultado”

Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo

Hoje, farei aqui meu primeiro e talvez único elogio ao ensino tradicionalista do esporte, este, baseado em premissas tecnicistas e que reduzem o jogo a elementos ensinados de maneira descontextualizada de seu todo (ver mais clicando aqui ):

  • Geralmente quem ensina dessa forma sabe muito bem de onde quer ir e para onde quer chegar, ou seja, essa forma de abordagem pedagógica acaba facilitando a criação de um caminho simples a ser seguido para o ensino por ele proposto.

Criar uma trilha a ser seguida, uma origem e um destino pedagógicos é algo simples de se fazer a partir dessa perspectiva e, portanto, planejar aulas bem articuladas, conteúdos a serem abordados e também avaliação dos objetivos alcançados é algo bastante factível numa abordagem de ensino tradicional.

Claro que quem souber ler aprofundadamente este “elogio” que teço nos parágrafos anteriores perceberá que por trás desse elogio há um misto de sarcasmo – afinal, ensinar de maneira tecnicista é muito fácil e planejar os conteúdos das aulas torna-se tarefa simples, mas será que isso garante a aprendizagem efetiva do handebol? – e inveja – pois gostaria que fosse assim, também simples, ensinar através de uma metodologia pautada exclusivamente em jogos.

Um exemplo do simplismo que é ensinar numa vertente tradicionalista é traçarmos uma proposta de planejamento, por exemplo, da aprendizagem do passe, que será expresso em três hipotéticas aulas que descreverei a seguir: Continuar lendo “Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo”

Como pensar a formação de um jogador de Handebol III – 13 a 14 anos

Seguindo com os artigos que falam sobre a formação de um jogador de handebol, falaremos agora sobre como pensar a formação de jogadores de 13 e 14 anos, que já estão adentrando ao período de especialização esportiva.

Gostaria, porém,  de esclarecer um ponto.

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Não penso que devemos nos empenhar única e exclusivamente na formação de um jogador focando o alto-rendimento como único caminho a ser alcançado nesse processo.

De acordo com Greco (1997, p.24), existem algumas fazes que devem ser pensadas durante o processo de formação esportiva de qualquer pessoa e gostaria de destacar aquilo que o professor Greco chama de Fase de Recreação/Saúde. (Figura abaixo)

greco-fases-de-formacao-do-jogador Continuar lendo “Como pensar a formação de um jogador de Handebol III – 13 a 14 anos”

Como pensar a formação de um jogador de Handebol II – 10 a 12 anos

Na iniciação, aos 10/12 anos aproximadamente, dificilmente teremos a possibilidade de encontrar um grupo capaz de jogar o handebol de maneira elaborada, quase sempre se caracterizando como um grupo que se encontra numa fase de jogo anárquico (sobre o jogo elaborado e anárquico, clique aqui) – por suas questões físicas, cognitivas e por experiências anteriores já vividas em jogos coletivos e no próprio handebol de maneira mais específica.

Logo, o jogo, nessa etapa tem como característica a centração na bola, excesso de verbalização para pedir a bola, independente de o jogador que pede a bola esteja em boa ou ruim condição de jogo, e a visão do jogo centra-se na relação com a bola (características anárquicas).

Essa característica, ao longo do planejamento de ensino do handebol para esses alunos, deve ser superada, buscando que os alunos possam jogar o handebol de forma mais desenvolvida, ou seja, com maior organização espacial, mas ainda sem uma especialização em posições do jogo, que a verbalização diminua, mas que quando ocorrer, seja para uma boa resolução dos problemas do jogo, e que a visão do jogo passe a se descentrar da bola (característica de um jogo em fase de descentração),  seguindo, assim, as idéias apresentadas por Vygotski, sobre a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZPD), havendo sempre estimulos para que os alunos superem seus conhecimentos atuais e adapetm-se a novas possibilidades de jogo. Continuar lendo “Como pensar a formação de um jogador de Handebol II – 10 a 12 anos”

Como pensar a formação de um jogador de Handebol – Disposições Preliminares

Parte fundamental desta série de artigos devo às contribuições feitas pelo Prof. Dr. Alcides José Scaglia para a área da pedagogia do esporte, em específico, a pedagogia do treinamento. Obrigado por compartilhar seus conhecimentos comigo!

Quando pensamos na formação de um atleta, em geral, pensamos de maneira bastante pontual, ou seja, no momento em que temos nosso aluno em mãos, porém, pouco se reflete em dois sentidos: o que ele já aprendeu sobre o esporte e, o que tenho que fazê-lo aprender nesse período para que ele tenha conteúdos bem assimilados sobre o esporte.

Essas questões nos remontam à necessidade de entender o processo de formação desse nosso aluno. O segredo está, portanto, na palavra processo.

Ao falarmos de um processo, falamos de uma organização feita, levando em consideração que algo será levado de uma condição para outra.

No caso da formação de jogadores (ou não de handebol) pode-se pensar no seu perfil de ingresso (entrada) e perfil de egresso (saída) desse aluno.

Dessa forma, deve-se considerar aquilo que ele possui de conhecimentos já adquiridos e pensar em como agregar novos possíveis à sua formação (como bem ressalta Jean Piaget) e também como adaptar seus possíveis às novas possibilidades presentes no jogo de handebol.

Logo, se há processo, há diferentes etapas e diferentes conteúdos a serem ensinados ao longo desse período.

Ao mesmo tempo, chega a ser utópico imaginar que seremos capazes de orientar toda a formação de um atleta de handebol em nossas mãos, surgindo o pensamento: “De que adianta eu me preocupar com a formação de meu aluno, fazendo todo trabalho adequado à sua boa formação como atleta, sendo que amanhã ele poderá ir para outro local e não sei se haverá essa preocupação nesse novo ambiente?”

Continuar lendo “Como pensar a formação de um jogador de Handebol – Disposições Preliminares”