Avaliando no Handebol: Em que nível de aprendizagem seus atletas e seu grupo se encontram?

Ao fim do texto, deixe suas considerações sobre o conteúdo aqui tratado. Também sugiro que coloque suas considerações sobre o comentário de outro colega, assim fomentamos o debate e damos vida ao nosso Grupo de Estudos!

Um dos princípios básicos de qualquer organização curricular é a adequação dos conteúdos/matérias com o atual momento de aprendizagem e os potenciais a serem atingidos pelos alunos. No ensino do handebol de base isso não pode ser diferente.

Compreender que o handebol é uma construção processual com etapas de aprendizagem e que para cada uma delas há a necessidade de construir um handebol possível de ser aprendido é essencial e uma das formas de conhecer o que se trabalhar é saber avaliar. E, avaliar, sempre é uma grande dificuldade, afinal, o que avaliar? Como avaliar?

Realmente, não é simples. Em se tratando de esporte, a avaliação coletiva é demasiadamente complicada. Para isso, no livro “Educação Como Prática Corporal” de 2003, cujo tema são aulas de educação física escolar, os professores Alcides José Scaglia e João Batista Freire propõem que a avaliação deve ser feita por uma observação sistemática de poucos alunos por vez, até que todos possam ser avaliados.

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As Referências Funcionais Defensivas: Recuperando a Bola

Em poucos esportes, defender pode ser tão atraente como no handebol.

Dentro do funcionamento do jogo defensivo, autores como Teodorescu (1984) e Bayer (1992) apresentam a ideia de que todo esporte coletivo apresenta três ações defensivas básicas:

  1. Proteger o alvo;
  2. Impedir a progressão adversária; e
  3. Recuperar a posse de bola.

Estas três referências ou princípios, regulam o funcionamento de qualquer estrutura defensiva e toda ação individual ou coletiva do ato de defender

Tipicamente, no ensino do handebol, o olhar sobre o alto-rendimento esconde aspectos que transformam o handebol ensinado a iniciantes num jogo muito estereotipado, fazendo com que estas três funções defensivas sejam minimizadas a apenas uma: proteger o alvo.

Esse tipo de conduta transforma um jogo que possui formas de defender potencialmente agradáveis aos iniciantes num verdadeiro martírio. Fica chato defender. Continuar lendo “As Referências Funcionais Defensivas: Recuperando a Bola”

Regras Adaptadas na Iniciação: Goleiro-Linha x Defesa Individual

Acompanhando e participando de algumas competições de base, observo com frequência a utilização de regras adaptadas voltadas para a iniciação (categorias mirim e infantil, principalmente), tendo como justificativa garantir uma jogabilidade que esteja adaptada à faixa etária, período de aprendizagem e desenvolvimento motor e antropométrico da criançada. Fui um dos grandes defensores deste olhar, mas o que observamos é que a tentativa de “pedagogizar o … Continuar lendo Regras Adaptadas na Iniciação: Goleiro-Linha x Defesa Individual

Fixações no Handebol – Artigo Científico

Olá pessoal! Gostaria de incluir no blog um artigo científico relacionado aos conceitos de Fixação Par, Ímpar e Par-Ímpar. Trata-se de um texto muito bom do professor Rafael Pombo Menezes, um dos maiores contribuidores sobre os estudos científicos do handebol que eu conheço. Clique aqui para acessar o artigo (é necessário um leitor de PDF para abrir o arquivo) Apenas como critério de curiosidade, existem … Continuar lendo Fixações no Handebol – Artigo Científico

Jogos Pedagógicos – Ensinando a Saltar a Arremessar no Handebol

Quantas vezes não temos que solicitar ao nosso aluno: “Salte para arremessar!” depois de uma finalização realizada por ele sem a utilização destas habilidades?

Uma estratégia muito utilizada para ensinar o aluno a salta e arremessar é pedir para que, simplesmente, façam isso, um de cada vez, com todos os outros amigos aguardando sua vez para fazer, por meio de correções do professor sobre o procedimento adotado pelo aluno.

Isto ensina? Sim, claro! Porém, também expõe o aluno que não consegue e este é o primeiro passo para a desistência do aluno. Portanto, devemos ter sensibilidade pedagógica quando tratamos do assunto.

Logo, uma forma adequada para isso seria ensinar o aluno a saltar e arremessar sem precisar de grandes intervenções, ou seja, criando atividades nas quais ele faça isso pela própria solicitação da atividade.

Para isso, apresento um jogo, que se faz jogante com relação a esta regra, de forma que o jogador seja impelido a tentar saltar e arremessar para ter êxito: Trata-se do Dodgebol com uma rede de voleibol.

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Mudanças na regra do Handebol de Base – Estamos solucionando o problema?

Começo de ano sempre me faz pensar nas reuniões técnicas das Ligas e Federações.

Há algum tempo não participo como responsável por equipes, mas sempre me mantenho conectado a tudo o que acontece, meio que como em uma relação platônica que se traduz num sentimento de “quem sabe eu volto a esse mundo” – de reuniões, discussões, montagem de tabelas e jogos.

E um dos principais pontos ao qual sempre me envolvi eram as discussões de regras adaptadas nas categorias de base.

Sempre fui defensor de adaptações que propiciem aos alunos/atletas da iniciação (mirim, infantil e cadete) a possibilidade de aprenderem jogando, ou seja, terem condições de se desenvolver também no jogo, como um momento de continuidade de formação do atleta.

No entanto, os resultados destas adaptações têm me deixado um tanto quando pensativo. Continuar lendo “Mudanças na regra do Handebol de Base – Estamos solucionando o problema?”

A aprendizagem do Passe na Iniciação e na Especialização ao Handebol – Diferenças Significativas

Geralmente, quando solicito que alguém caracterize o jogo de handebol, ouço algo assim: “É um jogo no qual a equipe deve passar a bola para depois arremessar a gol”.

A ideia que associa o handebol ao passe é quase que um senso comum entre alunos, atletas e professores.

Considerando, porém, o real objetivo do jogo, a utilização do passe pode não ser tão relacionada à quantidade de passes que uma equipe realiza, mas sim à qualidade do passe realizado. Continuar lendo “A aprendizagem do Passe na Iniciação e na Especialização ao Handebol – Diferenças Significativas”

Bases de Ataque no Handebol – Categorias Mirim e Infantil

Conforme já foi tratado neste blog, a utilização de estratégias ofensivas livres (sem características posicionais e zonais) deve ser explorada de forma contínua em categorias mirim e infantil, sendo, em muitos casos, o padrão ofensivo que pode ser utilizado como o principal a ser utilizado, sobretudo na categoria mirim.

Jogar de forma livre, porém, não significa deixar o jogo acontecer e, apenas, incidentalmente, as situações ofensivas acontecerem. Claro, que nestas idades, o jogo livre torna-se um importante referencial para o desenvolvimento da criatividade, porém, é possível que, pelo menos uma base de ataque já possa ser aprendida e utilizada.

Está base de ataque tem como referência inicial o equilíbrio entre atacante com bola e defensor adversário, em situações que tipicamente, o atacante com bola perde o poder de deslocamento (seja por que já driblou e agora está segurando a bola, seja porque o contato físico do defensor é muito presente, tornando perigoso driblar e perder a posse da bola).

Na figura abaixo, temos um exemplo de uma situação de equilíbrio defensivo frente ao atacante com bola (típico da defesa individual, também bastante comum nesse período de aprendizagem).

Figura 1. Equilíbrio Defensivo – O atacante não consegue deslocar-se com a bola.

Mediante esta situação, uma base de ataque pode ser explorada Continuar lendo “Bases de Ataque no Handebol – Categorias Mirim e Infantil”

Bases de Ataque no Handebol – conceitos e conteúdos de aprendizagem

Conceito:

Ouvi pela primeira vez o termo “base de ataque” em minha pós-graduação, numa aula ministrada pela Professora Rita Orsi em que estávamos discutindo os meios táticos ofensivos e defensivos do handebol.

Ao ouvir este termo, consegui, pela primeira vez, conceituar algo que tinha muita dificuldade de fazer: sempre tive por princípio, a partir de um determinado momento do processo de ensino-aprendizagem, o ensino do que chamava ser “jogadas que não sejam estruturalmente fechadas”. Isso significa na prática a organização de uma sequência de movimentações encadeadas que possibilitem o surgimento de erros defensivos, porém, possibilitando ao atleta a tomada de decisão perante as circunstâncias do jogo.

Ao ouvir o termo “base de ataque”, consegui, finalmente, conceituar esta longa explicação acima descrita.

Logo, resumindo:

A base de ataque é um conjunto de referências que orientam ações encadeadas pelos atacantes de forma a possibilitar vantagem para a tomada de decisão frente as circusntâncias do jogo. É o que possibilita que todos falem a mesma “língua” num dado momento de organização ofensiva.

Elementos técnico-táticos do jogo que precisam estar bem assimilados antes do ensino de bases de ataque:

Ensinar bases de ataque, principalmente no tocante à iniciação ao handebol, deve respeitar uma séria de conceitos já assimilados fora do jogo (de forma circunstancial/declarativo) e dentro do jogo (de forma circunscrita/processual).

Ou seja, definir referências que orientem uma base de ataque não é algo que deve ser simplesmente jogado para uma equipe. Cada base de ataque necessitará de elementos técnicos e táticos específicos, porém, pensando o básico, alguns elementos devem estar bem sedimentados dentro do processo de ensino-aprendizagem:

Passar com segurança e eficiência Continuar lendo “Bases de Ataque no Handebol – conceitos e conteúdos de aprendizagem”

Plano de Aula: Ensinando a progressão sem bola e ocupação dos espaços vazios

Neste texto darei alguns exemplos de atividades voltadas para a iniciação à modalidade, em uma sessão de treino/aula. Sabemos que dependendo da idade essas atividades devem ser mais ou menos voltadas para o lúdico, com mais brincadeiras do que exercícios fechados. O importante nas atividades são os objetivos que devem estar voltados ao aprendizado de aspectos da lógica do handebol, como as infiltrações, a procura … Continuar lendo Plano de Aula: Ensinando a progressão sem bola e ocupação dos espaços vazios