Saldo de gols no handebol: até quando nossos jovens serão reféns?

A participação em competições esportivas possui enorme apelo para a permanência dos jovens na prática esportiva, bem como para que valores sejam inseridos na vida destes jovens atletas. Porém, competir não é bom nem ruim em sua essência, sendo a experiência vivenciada em sua prática que pode ser boa ou ruim para estes jovens a partir da autopercepção que eles tenham destas experiências.

Treinadores possuem um papel fundamental neste processo. Competir, de fato, é um momento em que tendemos a selecionar quem joga e quem não joga. Isso não é um grande problema à priori, principalmente se valores como merecimento, dedicação e frequência em aulas e treinos sejam um parâmetro balizador para estas escolhas. Isso, parte do treinador. Continuar lendo “Saldo de gols no handebol: até quando nossos jovens serão reféns?”

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Temos que tirar os iniciantes no handebol da linha dos 6 metros!

O esporte de alto nível, para muitos professores e treinadores, transforma-se num importante referencial pedagógico, afinal, os modelos apresentados nestes cenários competitivos apresentam as tradições e as novas tendências para o rendimento esportivo.

Uma tradição que influencia muitas condutas pedagógicas para o processo de ensino, vivência, aprendizagem e treinamento no handebol está associada à utilização de sistemas defensivos que atuam em forma de barreira, circundando à linha dos seis metros que delimita a área do goleiro, tendo como conduta básica fechar os espaços defensivos, atuando com braços sempre levantados e induzindo ao ataque os arremessos de longa distância. Predomina neste modelo defensivo o acompanhamento coletivo da bola, ação tática denominada como basculação defensiva, ou seja, a defesa ir e vir de um lado ao outro acompanhando o local onde se encontra a bola.

Considerando que estamos num cenário de iniciantes com pouca experiência com a modalidade, ou mesmo crianças entre 10 e 12 anos de idade, será este modelo defensivo aquele que mais se ajusta às possibilidades de aprendizagem deste público? Continuar lendo “Temos que tirar os iniciantes no handebol da linha dos 6 metros!”

Modelo Competitivo na Infância: A premiação aos artilheiros e possíveis impactos ao processo de aprendizagem do handebol.

 

A pedagogia do esporte tem discutido o papel do esporte para crianças e jovens, destacando, sobretudo, a necessidade de compreendermos que no processo de ensino-aprendizagem-treinamento as crianças não são adultas, reflexão que sugere a necessidade de ajustes deste processo, levando em consideração características, capacidades e interesses da criança e do jovem.

São muitos os fatores que interferem nestes ajustes necessários: maturidade emocional, capacidades físicas latentes, desenvolvimento, maturação, crescimento e conhecimento do jogo com base em diferentes níveis de relação com seus elementos (estruturais e funcionais) que impactam nas possibilidade de aprendizagem da criança, por exemplo (acredito, que em se tratando destes aspectos, este blog tenha muitas sugestões de como lidar com a criança iniciante no handebol).

Ainda há um agravante: crianças se desenvolvem em velocidades diferentes, podendo, numa mesma faixa etária, algumas crianças apresentarem maior destaque no seu rendimento momentâneo, diferença esta que ao longo do processo de desenvolvimento das crianças, pode ser minimizado.

Desta forma, são muitos os trabalhos que apresentam, por exemplo, ser esta faixa etária um momento de atenção com relação aos procedimentos de aprendizagem, alguns mais recentes, como trabalhos de Jean Cotê e colegas (2007) ao proprorem o Modelo de Participação Esportiva, bem como modelos mais antigos, como propostos por Bompa (2002), Greco e Matta (1996) – ver referências bibliográficas no fim do texto.

Porém, e a competição? Como nos comportamos quando elaboramos e oferecemos uma competição para crianças e jovens? É necessário realizamos adaptações e ajustes também neste cenário ou o modelo competitivo do adulto é bom o suficiente para aplicarmos com crianças, sobretudo até os 14 anos de idade (aproximadamente)? Continuar lendo “Modelo Competitivo na Infância: A premiação aos artilheiros e possíveis impactos ao processo de aprendizagem do handebol.”

A regra do sétimo jogador de quadra e as competições de handebol para crianças e jovens: reflexões

Os jogos olímpicos foram palco para a implementação de novas regras para o handebol, todas elas aplicadas, ao me ver com êxito do ponto de vista regulamentar. Porém, de imediato, uma situação ficou evidente: como serão estas aplicações nas competições de crianças e jovens? Sobretudo até os 14 anos de idade, muitas competições optam pela utilização de regulamentos adaptados ou regulamentos técnico-pedagógicos e, destacam-se quase sempre, … Continuar lendo A regra do sétimo jogador de quadra e as competições de handebol para crianças e jovens: reflexões

Sugestões para o processo de formação de novos árbitros de handebol

Novos atores! É disso que sempre precisamos para que nossa modalidade sobreviva e permaneça sendo uma realidade.

Fala-se muito em formação de atletas, cursos de capacitação para treinadores e professores, mas e formação dos árbitros, fica como?

Assim como em todo processo de desenvolvimento, novos árbitros precisam de tempo para adquirirem “bagagem” para apitar. Não é assim também com um jovem treinador? E, com as crianças que iniciam na prática esportiva, isso também não acontece? Este é um grande desafio para Federações e Ligas.

A partir disso, alguns postulados são encarados como verdades quase que imutáveis frente ao processo de formação do jovem árbitro e quase sempre são adotadas pelas organizações responsáveis pelas competições de handebol para alavancar a carreira destes árbitros. Vamos discutir alguns deles: Continuar lendo “Sugestões para o processo de formação de novos árbitros de handebol”

Regulamentos Adaptados: Contribuições de feras no assunto!

No dia 02 de setembro de 2015 estive na EEFE/USP junto com um grupo de alunos, coordenados pelo Prof. Ms. Diogo Castro, que discutem o handebol a partir de uma visão bastante aplicada, buscando para isso, referenciais teóricos e exemplos em grandes nomes do nosso esporte. Estiveram neste dia, também os Profs. Drs. Luis Dantas e Ana Lúcia Padrão dos Santos

Fui convidado para participar de uma conversa sobre a utilização de regulamentos adaptados em categorias menores, sobretudo, mirim e infantil.

Apresentei, como sustentação de meus argumentos, aquilo que considero os princípios essenciais da lógica dos esportes coletivos, que estão na relação entre as ações que visam a recuperação constante da posse de bola quando defendendo e àquelas que visam atingir de forma rápida (não com pressa) a oportunidade de desfazer-se da bola (por meio de finalização ao gol) quando se está atacando. Continuar lendo “Regulamentos Adaptados: Contribuições de feras no assunto!”

Recomendação de Leitura – Esporte Educacional

Na obra, “Ensinar Esportes, Ensinando a Viver”, o Prof. João Batista Freire nos premia com um livro que conta um pouco sobre o seu início como professor de atletismo em São Bernardo do Campo, na década de 1970, em plena Ditadura Militar brasileira. No livro, João mostra como que ali surgia a base de seus princípios pedagógicos (ensinar esportes a todos, ensinar bem esporte a … Continuar lendo Recomendação de Leitura – Esporte Educacional

Regras Adaptadas na Iniciação: Goleiro-Linha x Defesa Individual

Acompanhando e participando de algumas competições de base, observo com frequência a utilização de regras adaptadas voltadas para a iniciação (categorias mirim e infantil, principalmente), tendo como justificativa garantir uma jogabilidade que esteja adaptada à faixa etária, período de aprendizagem e desenvolvimento motor e antropométrico da criançada. Fui um dos grandes defensores deste olhar, mas o que observamos é que a tentativa de “pedagogizar o … Continuar lendo Regras Adaptadas na Iniciação: Goleiro-Linha x Defesa Individual

Mudanças na regra do Handebol de Base – Estamos solucionando o problema?

Começo de ano sempre me faz pensar nas reuniões técnicas das Ligas e Federações.

Há algum tempo não participo como responsável por equipes, mas sempre me mantenho conectado a tudo o que acontece, meio que como em uma relação platônica que se traduz num sentimento de “quem sabe eu volto a esse mundo” – de reuniões, discussões, montagem de tabelas e jogos.

E um dos principais pontos ao qual sempre me envolvi eram as discussões de regras adaptadas nas categorias de base.

Sempre fui defensor de adaptações que propiciem aos alunos/atletas da iniciação (mirim, infantil e cadete) a possibilidade de aprenderem jogando, ou seja, terem condições de se desenvolver também no jogo, como um momento de continuidade de formação do atleta.

No entanto, os resultados destas adaptações têm me deixado um tanto quando pensativo. Continuar lendo “Mudanças na regra do Handebol de Base – Estamos solucionando o problema?”

Mais Lições com o Rugby Brasileiro!

Acompenhei hoje (19/11/2011), a final do Super 10, competição com as 10 melhores equipes brasileiras de rugby.

Não se tratou apenas de uma transmissão ao vivo da modalidade. Na realidade, a proposta foi fazer a melhor cobertura possível de um esporte não trivial dentro da cultura nacional, de forma que o público, ao assistir à partida aprendesse mais sobre a modalidade, conhecesse detalhes de suas regras (que não são simples, alías, muito mais interpretativas que as regras do handebol, pelo que percebi), entendesse a relação entre atletas e arbitragem. Em fim, a proposta foi cativa o público para a modalidade, e acredito que isso foi atingido. Continuar lendo “Mais Lições com o Rugby Brasileiro!”