Plano de Aula para Ensino do Handebol – Jogar com, como e contra o Pivô

Venho, a partir de hoje, descrever alguns planos de aula. Planos de aula, como o nome diz são apenas “planos” ou seja, uma estratégia montada de forma a preocupar-se com a sistematização de ensino que, assim como uma proposta currícular, deve ser maleável de acordo com o andamento da aula/treino, podendo sofrer, ou não, variações e alterações.

A proposta que descrevo aqui terá como base alguns princípios importantes no que tange aos aspectos metodológicos (ênfase no jogo como forma de ensinar) e didáticos (orientando para a descoberta guiada, contruída em conjunto com o professor, orientada para um determinado conteúdo).

Plano de Aula

Tema – Jogar com, como e contra o pivô

Conversa Inicial – Falar da aula passada, e orientar de maneira breve que os alunos se organizem livremente em trios. Continuar lendo “Plano de Aula para Ensino do Handebol – Jogar com, como e contra o Pivô”

Jogos Pedagógicos – Aprendendo a Defender em Zona Jogando

Hoje, discutiremos, aqui, estratégias aplicadas através de jogos para um momento que, dentro de um bom planejamento de ensino, sempre gera dúvidas e dificuldades de aprendizado: saber jogar defensivamente em zona. Continuar lendo “Jogos Pedagógicos – Aprendendo a Defender em Zona Jogando”

Jogos Pedagógicos – Aprendizado de Cobertura Defensiva Zonal

O jogo a seguir tem por objetivo trabalhar um importante meio tático defensivo, típico da defesa zonal: a cobertura defensiva.

Mais do que ensinar a movimentação da cobertura de maneira analítica de forma a fazer alunos/atletas simplesmente ‘decorar’ uma sequência de deslocamentos, através do jogo é possível fazê-los vivenciar a necessidade de realizar a cobertura por orientação do cumprimento da lógica do jogo (não sofrer mais gols do que faz), característica que deve ser o verdadeiro objetivo pedagógico do ensino desse meio tático defensivo tão importante para a orientação defensiva.

Temos a seguir, a figura base do jogo: Continuar lendo “Jogos Pedagógicos – Aprendizado de Cobertura Defensiva Zonal”

Jogos Pedagógicos – Jogos de Desmarque em Marcação Individual

Quem pensa que jogar com marcação individual é coisa somente de time grande, jogadores experientes e ainda por cima, coisa a ser feita apenas para anular os melhores jogadores de uma determinada equipe está plenamente enganado.

Jogar com marcação individual é na realidade um saber típico da iniciação ao handebol, pois através da marcação individual os alunos/atletas iniciantes podem vivenciar no momento em que joga tarefas bem definidas, o que facilita o cumprimento dessas tarefas, além de aprenderem a lidar com as referências bola, alvo a proteger e adversário de maneira que consiga entender como proteger seu gol, buscar recuperar a bola de seu adversário.

Se ao marcar individual ele esquecer-se, por exemplo de proteger seu gol, estará falhando em sua tarefa; se deixar de buscar a bola, dificilmente terá êxito em seu papel de defensor; e caso perca a referência de seu atacante (adversário) direto causará falha na estrutura defesiva de sua equipe.

Logo, jogar marcando individualmente possibilita saber lidar com as referências básicas do jogo, da mesmo forma que jogar contra uma marcação individualizada permite aos atacantes terem acesso a meios táticos individuais elementares para que se possa jogar bom o handebol como forma de solucionar os problemas do jogo.

Desmarcar-se é um desses meios táticos que considero elementares para que se joga handebol ofensivamente, ao lado dos apoios (ajudas para receber a bola) e das penetrações em espaços vazios.

Destaco hoje o “desmarque” pois essa ação possibilita o acesso às duas ações anteriores, pois quem se desmarca pode criar uma situação de apoio, ou mesmo penetrar defesa à dentro.

Porém, para aprender a se desmarcar não basta simplesmente falar: “Vamos lá, se desmarquem!”; torna-se necessário possibilitar que os alunos/atletas vivenciem essa habilidade de forma desafiante, tendo no ato de desmarcar-se algo necessário e importante para que o jogo ocorra.

Uma forma interessante de trabalhar as noções do desmarcar-se é sempre ter em um jogo alguém com posse de bola e alguém sem a posse sendo marcada por pelo menos mais uma pessoa.

Construirei abaixo uma sequência de 3 jogos que orientem de forma pedagógica as noções de desmarcar-se e, por consequinte, de como marcar bem individualmente. Continuar lendo “Jogos Pedagógicos – Jogos de Desmarque em Marcação Individual”

Jogos Pedagógicos – Jogos de Golzinhos, Jogos sem Goleiro e a Lógica do Jogo Defensivo

Como começar um trabalho com handebol? Essa pergunta sempre vem à nossa mente quando não conhecemos bem a modalidade. Para essa dúvida, quase sempre temos uma válvula de escape: fazemos do handebol profissional o modelo que copiamos na iniciação.

É como se tirassemos uma foto de um jogo de alto rendimento e com base nela, organizassemos todo processo de ensino do handebol. Veja abaixo uma foto de um jogo profissional. O que vocês identificam num jogo de handebol?

Ataque contra Defesa - como você vê o handebol?
Fonte - http://www.torrevieja.com - Ataque contra Defesa: Como você vê o handebol?

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Uma boa equipe começa por uma boa defesa?

Quando falamos de esportes coletivos, é quase um consenso a seguinte afirmativa: “Uma boa equipe começa por uma boa defesa”.

No caso do nosso amado handebol, essa frase quase sempre está na boca dos professores e treinadores, independente da idade de suas equipes. Evidencia-se assim, um mito.

Mito não se discute, se aceita. Cria-se assim um paradigma.

Um paradigma como esse passa a ser algo tão intrínseco e aceito culturalmente no meio do handebol (e outros esportes coletivos), que ele passa a permear todas as ações desse ou daquele treinador, mesmo que ele não saiba disso.

Ao falar sobre a importância da defesa, de maneira emergente a um processo de ensino, muitas atividades de cunho defensivo terão grande volume de repetições dentro de um planejamento.

Se defender bem garante uma boa equipe, treinar-se-á defesa como nunca! Pois ali está a chave para o sucesso de uma equipe.

Minha opinião? Vamos a ela: Continuar lendo “Uma boa equipe começa por uma boa defesa?”

Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo – A Escolha dos Jogos I

Conforme citado no artigo anterior (clique aqui) iremos tratar agora da ‘Escolha dos Jogos’, ou seja, como adequar cada jogo ao contexto de nosso grupo de trabalho.

Cada grupo de alunos/atletas com o qual lidamos corresponde a uma realidade diferente, conhecimentos diferentes sobre o handebol e vivências anteriores também particulares a cada indivíduo e cada grupo.

Torna-se, portanto, uma incoerência criar uma ‘receita’ simples de ser seguida, já que a pluralidade e a generalidade são aspectos relacionados a toda relação humana.

Seguir um modelo pronto (assim como o ensino tecnicista nos condiciona a fazer) passa a ser algo questionável. Não serão dados, portanto, modelos, receitas, caminhos definidos, mas sim pistas, dicas e reflexões que possam nos orientar dentro de uma progressão pedagógica.

Escolher um conteúdo a ser passado para nossos alunos é algo complexo (como tudo o que envolve educação, desenvolvimento humano e relações sociais) e para isso, quando temos no jogo nossa arma pedagógica, não basta apenas escolhermos uma série de jogos e montar aulas como alguém que com um baralho, descarta e escolhe novas cartas para seu jogo, é necessário planejamento e coerência pedagógica.

A escolha dos jogos exige um olhar para o conteúdo que se objetiva ensinar e como sistematizar atividades/jogos/brincadeiras que sejam capazes de orientar nossos alunos/atletas para aprender aquilo que queremos ensiná-los.

Esses conteúdos, no entanto, superam em muito aquilo que o olhar tradicional considera conteúdos a serem ensinados no handebol (os fundamentos técnicos isolados, de maneira geral, e abordagens fragmentadas da perspectiva tática/estratégica do jogo).

Se o objetivo é construir uma metodologia de ensino pautada no jogo, o jogo elaborado deve ser capaz de garantir que a aprendizagem seja conseguida exclusivamente jogando.

Para isso, deve-se inicialmente definir: “Como poderão ser os jogos que utilizarei na minha proposta pedagógica?”. Continuar lendo “Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo – A Escolha dos Jogos I”

Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo

Hoje, farei aqui meu primeiro e talvez único elogio ao ensino tradicionalista do esporte, este, baseado em premissas tecnicistas e que reduzem o jogo a elementos ensinados de maneira descontextualizada de seu todo (ver mais clicando aqui ):

  • Geralmente quem ensina dessa forma sabe muito bem de onde quer ir e para onde quer chegar, ou seja, essa forma de abordagem pedagógica acaba facilitando a criação de um caminho simples a ser seguido para o ensino por ele proposto.

Criar uma trilha a ser seguida, uma origem e um destino pedagógicos é algo simples de se fazer a partir dessa perspectiva e, portanto, planejar aulas bem articuladas, conteúdos a serem abordados e também avaliação dos objetivos alcançados é algo bastante factível numa abordagem de ensino tradicional.

Claro que quem souber ler aprofundadamente este “elogio” que teço nos parágrafos anteriores perceberá que por trás desse elogio há um misto de sarcasmo – afinal, ensinar de maneira tecnicista é muito fácil e planejar os conteúdos das aulas torna-se tarefa simples, mas será que isso garante a aprendizagem efetiva do handebol? – e inveja – pois gostaria que fosse assim, também simples, ensinar através de uma metodologia pautada exclusivamente em jogos.

Um exemplo do simplismo que é ensinar numa vertente tradicionalista é traçarmos uma proposta de planejamento, por exemplo, da aprendizagem do passe, que será expresso em três hipotéticas aulas que descreverei a seguir: Continuar lendo “Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo”

Jogos Pedagógicos – Utilizando meios táticos individuais em benefício coletivo

Caros amigos, há algum tempo não atualizo o bando de jogos pedagógicos do site e essa semana achei por bem trazer à tona a discussão sobre o ensino de elementos táticos individuais.

Para muitos autores espanhóis, dentre eles Antón, um clássico autor do handebol, as organizações do jogo podem ser dividias em meios táticos, que organizam-se em táticas individuais e coletivas, sendo que os meios táticos coletivos subdividem-se em meios táticos de grupo (envolvendo 2 ou 3 jogadores adjacentes) e de equipe (envolvendo toda a equipe).

Ao falar de Táticas Individuais, podemos destacar, por exemplo as fintas, desmarques e bloqueios.

Um primeiro olhar nos trás uma curiosidade: fintar não será uma ação técnica? Desmarcar-se e bloquear também não seriam? Continuar lendo “Jogos Pedagógicos – Utilizando meios táticos individuais em benefício coletivo”

O ensino da tática coletiva ofensiva

Para uma introdução sobre a ação ofensiva no jogo de handebol é preciso entender um pouco sobre os conteúdos táticos coletivos, os quais se apresentam como uma coordenação ou auto-organização das ações dos jogadores, sejam elas de caráter individual ou coletivo, mas que geram uma representação coletiva dentro da estrutura ofensiva. Como exemplo, citamos as respostas as trajetórias, passe e vai, penetrações sucessivas, cruzamentos, cortinas, bloqueios…

Primeiramente para que as ações ofensivas e o treino específico para o ataque ocorram de forma eficiente é necessário que a equipe já tenha uma noção das ações defensivas, como coberturas, bloqueios, trocas, sistemas zonais de defesa, para que as ações ofensivas consigam ter um embasamento de acordo com a defesa imposta pelo adversário.

A ação ofensiva é muito dependente da leitura que a equipe e seus jogadores tem do jogo como um todo. Muitas das ações e respostas advem dessa interação entre ataque e defesa, e nas suas ações ofensivas a equipe deve estar preparada para as possíveis mudanças e estratégias adversárias. Continuar lendo “O ensino da tática coletiva ofensiva”