Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo – o Ato Motor e as Estruturas Motrizes

No artigo anterior citei alguns pontos relativos ao desenvolvimento de um processo pedagógico para o ensino do handebol, destacando a ‘certa’ inveja que alimento do ensino pautado em premissas tecnicistas, por este método de ensino facilitar em muito ao professor enxergar o ‘de onde começar’ e o ‘para onde deve ir’ em seu processo tradicional de ensino.

Porém, essa ‘invejinha’ é deixada de lado quando, ao analisar que a forma de ensino tradicional acaba por fazer do jogo de handebol algo resumido em partes descontextualizadas de seu todo, fator que impede que a aprendizagem seja bem ministrada.

Ou seja, apesar do tecnicismo facilitar que o professor crie uma linha coerente de ensino  – dentro dos moldes tecnicistas –, ao analisarmos os frutos advindos desse processo de ensino, verifica-se lacunas muito grandes no que diz respeito à capacidade do aluno em resolver os problemas inerentes ao jogo.

Logo, um desafio pessoal que faço questão de compartilhar nesse site, é o de tornar fácil a compreensão de como desenvolver uma progressão pedagógica no ensino do handebol através da idéia do ensino por jogos.

Jogos, sim! Pois jogando, mantemos intacto algo primordial: a unidade complexa do jogo. Continuar lendo “Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo – o Ato Motor e as Estruturas Motrizes”

O ensino dos esportes coletivos: metodologia pautada na família dos jogos

Esta semana estarei postando aqui um artigo científico produzido por mim, o Professor Riller Reverdito e o Professor Alcides Scaglia na revista motriz. Nele discutimos uma proposta metodológica de ensino dos esportes coletivos (e também do handebol) sob a perspectiva da família dos jogos, discutida na tese de doutorado do professor Alcides e que tanto defendo nesse espaço virtual. Espero que apreciem a leitura, clique … Continuar lendo O ensino dos esportes coletivos: metodologia pautada na família dos jogos

Palestra sobre Handebol em Campinas (26/05)

Olá pessoal, gostaria de divulgar a palestra que estarei ministrando dia 26 de maio com início para as 13h30, em Campinas em parceria com a Secretaria de Esportes e Lazer de Campinas e a Associação Campineira de Handebol. O curso será realizado no CEFORTEPE, situado à Rua João Alves dos Santos, 860 – Jardim das Paineiras (ao lado da Casa de Jesus). A palestra abordará … Continuar lendo Palestra sobre Handebol em Campinas (26/05)

Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo

Hoje, farei aqui meu primeiro e talvez único elogio ao ensino tradicionalista do esporte, este, baseado em premissas tecnicistas e que reduzem o jogo a elementos ensinados de maneira descontextualizada de seu todo (ver mais clicando aqui ):

  • Geralmente quem ensina dessa forma sabe muito bem de onde quer ir e para onde quer chegar, ou seja, essa forma de abordagem pedagógica acaba facilitando a criação de um caminho simples a ser seguido para o ensino por ele proposto.

Criar uma trilha a ser seguida, uma origem e um destino pedagógicos é algo simples de se fazer a partir dessa perspectiva e, portanto, planejar aulas bem articuladas, conteúdos a serem abordados e também avaliação dos objetivos alcançados é algo bastante factível numa abordagem de ensino tradicional.

Claro que quem souber ler aprofundadamente este “elogio” que teço nos parágrafos anteriores perceberá que por trás desse elogio há um misto de sarcasmo – afinal, ensinar de maneira tecnicista é muito fácil e planejar os conteúdos das aulas torna-se tarefa simples, mas será que isso garante a aprendizagem efetiva do handebol? – e inveja – pois gostaria que fosse assim, também simples, ensinar através de uma metodologia pautada exclusivamente em jogos.

Um exemplo do simplismo que é ensinar numa vertente tradicionalista é traçarmos uma proposta de planejamento, por exemplo, da aprendizagem do passe, que será expresso em três hipotéticas aulas que descreverei a seguir: Continuar lendo “Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo”

Analisando e Respondendo à Enquete do Site – Ensinar pela Técnica, pelo Jogo, ou por Ambos?

Caros amigos, há algumas semanas adicionei uma enquete em nosso site, cuja pergunta era bastante objetiva: “Como você ensina handebol?”

Obtive, até escrever esse artigo, a seguinte estatística de respostas:

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Total de respostas: 108

Resposta 1: Através de jogos, exclusivamente: 12 votos

Resposta 2: Através de treinos visando a melhoria da técnica dos jogadores: 15 votos

Resposta 3: Através de jogos e treinos técnicos, simultaneamente: 81 votos

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Uma análise simples mostra a realidade hoje de nossos professores e treinadores de handebol: em sua maioria, um total de 96 pessoas que trabalham com o handebol adotam meios de ensino que fundamentam totalmente, ou parte das aulas, em treinos tecnicistas, visando que o aluno seja capaz de executar corretamente as diversas técnicas do jogo de handebol.

Pergunto, nesse artigo o que seria esse “executar corretamente” na visão de cada um de nós que ensinamos o handebol? Continuar lendo “Analisando e Respondendo à Enquete do Site – Ensinar pela Técnica, pelo Jogo, ou por Ambos?”

O Jogo IV – Lúdico e Sério, isso é possível?

Para muitos que abordo ao falar sobre o ensino do handebol com base no jogo como exclusiva ferramenta pedagógica, isso parece um equívoco, pois a visão zobre o jogo comumente limita-se sobra sua característica de diversão e ludicidade, desprovido de um caráter sério, que para muitos é considerado um elemento essencial para que a aprendizagem seja consumada.

Não questiono que a ausência de seriedade num processo de ensino aprendizagem é algo que minimiza as chances de que a aprendizagem seja assimilada pelos alunos/atletas que se envolvem em nossas aulas.

Logo, admito que para ensinar deve haver seriedade por parte de alunos e professores, pois a atitude séria possibilita maior atenção para que o objeto de aprendizagem seja realmente significado como um conteúdo a ser aprendido.

O jogo, por sua vez, é um elemento típico de liberdade, ludicidade e prazer, caracterizando-se, aparentemente, como algo típico para o relaxamento, a diversão e a livre adesão.

No entanto, trago uma pergunta: Jogar bola nas ruas, garante aprendizagem? Não são raros os relatos de grandes jogadores de diversas modalidades que descrevem as experiências vividas na rua como algo realmente significativo. Continuar lendo “O Jogo IV – Lúdico e Sério, isso é possível?”

O JOGO III – A aprendizagem e o jogo – Fenômenos não-lineares

Quando iniciei meus estudos sobre uma nova ótica para o processo de ensino-aprendizagem esportivo, tive como ponto de partida artigos do Professor Júlio Garganta, e muito me marcou seu artigo “O ensino dos jogos desportivos coletivos. Perspectivas e tendências” datado de 1998, publicado na revista movimento (clique aqui para vê-lo).

Neste artigo, Garganta sintetiza suas reflexões em um quadro conceitual, no qual ele compara 3 abordagens de ensino – a abordagem analítica (que abordo nesse site como uma abordagem tradicional), a abordagem estruturalista e a abordagem sistêmica. Darei ênfase, nesse artigo  às comparações entre as visões: analítica (criticada pelo autor); e sistêmica (por ele evidenciada como um novo norte para a pedagogia do esporte).

Quando Garganta usa como ponto de vista “concepção do praticante” que esses modelos têm para o ensino esportivo, destaca-se um antagonismo claro entre o modelo analítico e o modelo sistêmico.

Neste referido artigo, ao falar sobre a visão que o modelo analítico tem quanto ao praticante, o autor destaca uma concepção de que este evolui no processo de ensino aprendizagem de maneira linear, enquanto que, num modelo sistêmico, essa evolução é compreendida de maneira não-linear.

Linear e não-linear? Como assim. É extamente para esclarecer esses conceitos adequados ao processo de ensino-aprendizagem e ao jogo que este artigo procurará se encarregar.

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O JOGO II – O Jogo como um fenôneno Complexo

No artigo anterior, citei o inevitável encontro que um novo pensamento, pautado no entendimento dos fenômenos a partir da complexidade, quando pautado em relações de ensino-aprendizagem, terá com o JOGO!

Fiz uma breve explanação sobre um antigo modo de ver as coisas, pautado numa visão fragmentada, a qual acredita que para a compreensão de algo complexo, suas partes devem ser aprendidas isoladamente, a partir da crença de que através da união dessas partes aprendidas fragmentadamente, tornará possível a aprendizagem do todo.

Destaquei isso, justificando, como nossas escolas repartem o saber universalmente produzido em diferentes disciplinas, essas ensinadas de maneira isolada. Quantos de nós muitas vezes não nos perguntamos: por que aprender equação de segundo grau?

Esse questionamento surge, pelo fato de não conseguirmos fazer as conexões possíveis entre as partes aprendidas e o todo que pretendem nos fazer compreender, já que as partes ensinadas, em nada “conversam” com o todo.

Fazendo um paralelo com o ensino do handebol, podemos fazer a seguinte analogia: “Ao ensinarmos handebol, nos pautamos tradicionalmente nos gestos técnicos isolados da modalidade – o passe e suas limitadas variações, o drible, o arremesso, o difícil ritmo trifásico (decompondo em partes para depois somá-los e percebermos que mesmo assim o aluno ainda não entendeu o que ele significa), o encaixe defensivo, e assim por diante – e no fim da aula, ou de um longo processo de assimilação desses vários gestos técnicos, colocamos nossos alunos para jogar, baseado na premissa de que, o todo é a soma das partes aprendidas isoladamente, tudo isso, com base nos respaldo “cientifico” da visão positivista – entre aspas, pois para muitos, o ensino tradicional sequer é estudado, mas apenas reproduzido, ou seja, há apenas indução, e não ciência nesse fato -, tão recorrente em todos os processos educativos, corporativos, produtivos e etc.

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O JOGO I

Após aprofundar alguns textos falando sobre o handebol em seus aspectos defensivos (ver aqui) e ter voltando a falar sobre a iniciação ao goleiro do handebol (ver aqui), volto a escrever sobre um dos principais motivos desse espaço existir: a utilização do JOGO como ferramenta pedagógica para o ensino do handebol.

Em oportunidades anteriores, destaquei algumas mazelas do método tecnicista, enfatizando-o como uma metodologia ultrapassada e inaplicável hoje, num modelo de sociedade que começa a acordar para a real necessidade de valorização das relações humanas e que vem evidenciando as noções de sustentabilidade relacionadas às questões ecológicas.

Relações humanas? Sustentabilidade? Mas o que isso tem haver com handebol? TUDO, porém, para entender melhor isso, devemos mudar as lentes com as quais analisamos o fenômeno esportivo tradicionalmente.

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