Princípios Básicos para Competições de Base

Olá!

Este não será um artigo longo, tratarei nele apenas uma inquietação que tive agora a pouco, pensando “cá com meus botões”.

Quando falamos de competições de base, voltado para crianças em períodos da iniciação, temos que nos remeter a alguns cuidados, ou melhor, refletir sobre alguns vícios que trazemos conosco.

Um vício comum é pensar em competição apenas pelo viés do resultado de quadra. Ou seja, inscrevo minha equipe para vencer, e pensando nisso, farei o que for possível para conseguir a conquista. Um reflexo deste pensamento é inscrever 14 alunos/atletas, para uma competição, mas utilizar apenas 7 ou 8 desses alunos ao longo de todos os jogos. Isso está de acordo com o caráter formativo?

Outros vícios bastante comuns  são: (1) visando ensinar o handebol para as crianças, transformar o ambiente de jogo em um momento cercado de valores tradicionais, tais como a famosa preleção “motivacional” pré-jogo, (2) jogar estruturalmente e funcionalmente de acordo com o que aparenta existir nos modelos de alto rendimento, proporcionando uma dinâmica de jogo estereotipada do jogo do adulto, enfatizando, desde muito cedo especialidades para cada aluno, criando uma estrutura de jogo demasiadamente fixa e padronizada, (3) além de desenvolver uma dependência muito grande do professor, deixando o desenvolvimento da autonomia para tomar decisões na quadra, através de uma postura de professor “dono da verdade” que manipula seus “bonequinhos” como fazem os militares ao desenvolver táticas de guerra.

Vícios como esses devem ser definitivamente banidos do processo educacional. Não pode existir no ambiente competitivo de base. A final, quem é o protagonista deste momento? A equipe vitoriosa, apenas? O melhor professor, que comanda sua equipe de forma a levá-la à vitória? Ou o aluno, que tem que ter o direito de exercer sua função de protagonista, participando da competição?

Para isso, existem princípios que balizam a ação pedagógica de um “esporte para todos”, que podem muito bem ser transferidas para um ambiente competitivo de base, que deve ser extremamente pedagógico.

Para o professor João Batista Freire (@jbfreire), existem 4 princípios que devem balizar a ação educativa quando falamos do esporte, princípios estes balizadores de um projeto que considero pioneiro Continuar lendo “Princípios Básicos para Competições de Base”

Jogando para Aprender o Retorno Defensivo I – Jogos para a Iniciação

Caros colegas, venho por meio deste artigo, descrever algumas etapas possíveis de serem construídas para a aplicação do conceito de retorno defensivo dentro de um modelo de jogo (ou seja, como uma cultura de equipe, que não depende de acertos táticos ou estratégicos, mas que está incorporada dentro das construções coletivas da equipe).

Ressalto a questão do modelo de jogo e da aprendizagem como algo cultural dentro da equipe, pois dentro do que venho lendo e estudando sobre a aplicação da inteligência tática dentro do ambiente de jogo, falar como a equipe deve fazer o retorno defensivo não basta, se esses conceitos não forem sistematizados dentro de um processo de ensino aprendizagem.

A fala na preleção: “quando perdermos a bola você marca essa, você abafa o goleiro e você volta para a defesa”, por exemplo, não basta para uma boa aplicação prática.

Logo, construir um modelo de jogo é necessário para que algumas referências de jogo estejam intrínsecas ao jogar coletivo.

Dessa forma, esse artigo será bastante ilustrativo, buscando descrever pedagogicamente uma sequência de jogos muito úteis para a construção do “jogar coletivo” dentro de um modelo de jogo da equipe, tendo como ênfase o retorno defensivo.

Conceituando Retorno Defensivo: Continuar lendo “Jogando para Aprender o Retorno Defensivo I – Jogos para a Iniciação”

Jogos Pedagógicos – Aprendendo a Defender em Zona Jogando

Hoje, discutiremos, aqui, estratégias aplicadas através de jogos para um momento que, dentro de um bom planejamento de ensino, sempre gera dúvidas e dificuldades de aprendizado: saber jogar defensivamente em zona. Continuar lendo “Jogos Pedagógicos – Aprendendo a Defender em Zona Jogando”

Jogos Pedagógicos – Aprendizado de Cobertura Defensiva Zonal

O jogo a seguir tem por objetivo trabalhar um importante meio tático defensivo, típico da defesa zonal: a cobertura defensiva.

Mais do que ensinar a movimentação da cobertura de maneira analítica de forma a fazer alunos/atletas simplesmente ‘decorar’ uma sequência de deslocamentos, através do jogo é possível fazê-los vivenciar a necessidade de realizar a cobertura por orientação do cumprimento da lógica do jogo (não sofrer mais gols do que faz), característica que deve ser o verdadeiro objetivo pedagógico do ensino desse meio tático defensivo tão importante para a orientação defensiva.

Temos a seguir, a figura base do jogo: Continuar lendo “Jogos Pedagógicos – Aprendizado de Cobertura Defensiva Zonal”

Tipos de Fixação III – Mitos sobre a fixação par-ímpar

Jogar através de fixações já foi explorado em dois artigos escritos no site, um falando da fixação par e um falando da fixação ímpar.

No artigo sobre fixação par, destaquei a existência da fixação par-ímpar como uma possibilidade de resposta coletiva a partir de uma ação individual.

A fixação par-ímpar, porém, se mal ensinada e compreendida pelos alunos, pode se tornar um revés para as ações coletivas da equipe. Coloco-a em destaque, pois ouço muitos mitos sobre esse tipo de ação do jogo.

Vamos aos mitos:

MITO 1 – Fixar ímpar é o mesmo que “chamar dois defensores”? Continuar lendo “Tipos de Fixação III – Mitos sobre a fixação par-ímpar”

Análise do Jogo – Considerações e Aplicações de Modelos e Scout

Segundo Leonardo (2005) analisar o jogo, sob a ótica de muitos estudiosos dos esportes, tem relação direta com a modelação da forma de atuar da equipe em jogos e também para o direcionamento de treinos.

Segundo Santos (2005), a análise do jogo deve evitar o foco em categorias secundárias ao jogo e focar-se naquilo que segundo o autor, seria o objetivo real das análises do nível lógico do jogo, sua dimensão estratégico-tática.

Logo, analisar o jogo deve superar o acúmulo de dados sem poder informativo real para aplicação ao nível da estratégia e tática do jogo (LEITÃO, 2001), ou seja, analisar única e simplesmente acertos e erros nos mais variados elementos técnicos do jogo (finalização, passe, drible e etc..) não gera dados capazes de auxiliar verdadeiramente o processo de construção de uma partida e muito menos fornecerá dados suficientemente significativos para modelar o processo de treinamento da equipe.

Pensando a proposta de Leonardo (2005), as categorias de análise do jogo devem ser definidas ao nível dos princípios operacionais do jogo (e suas inter-relações) em consonância com as regras de ação cabíveis àqueles princípios do jogo. O gesto técnico deixa de ser uma categoria (finalidade) de análise, passando a ser um meio de análise, pois sem a notação da técnicia seria impossível compreendê-lo, pois é através da ação técnica que o jogo é executado.

Um modelo que gosto muito de usar em minhas análises no handebol pauta-se nos processo de progressão e finalização ao alvo da equipe que ataca contra as formas de impedir a progressão e proteção do alvo da equipe que se defende (princípios operacionais do jogo).

Para cada um desses princípios, existem regras de ação possíveis de serem analisadas.

Por exemplo: para progredir, a equipe deve realizar passes verticais (buscando o alvo adversário), criar linhas de passe (apoio ao companheiro), ultrapassar o adversário com e sem bola (fintar e realizar trajetórias) e estruturar o espaço de jogo a fim de preenchê-lo com consciência coletiva (através de um esquema ofensivo frente ao esquema defensivo adversário) e sempre tendo como objetivo atingir a lógica do jogo (fazer o ponto, através de arremessos que busquem a região central da quadra de jogo), minimamente.

Visando impedir a progressão, a equipe que defende deve estruturar o espaço defensivo de maneira a impedir que a bola aproxime-se próxima do próprio gol cortando linhas de passe, retardando a ação ofensiva em direção à sua meta, colocando-se sempre à frente do adversário em relação a seu gol, utilizando-se do contato físico para evitar que o adversário o ultrapasse fazendo com que a bola afaste-se da região central da quadra (através de um esquema defensivo) e optando pelo tipo de defesa (zona, mista ou individual) a ser utilizada.

Visando a finalização ao alvo, a equipe que ataca deve buscar finalizar a gol com vários tipos e arremesso combinados com inteções táticas, como fintas e trajetórias. As finalizações podem surgir de diversas regiões da quadra.

Visando proteger o alvo, temos a ação dos defensores com bloqueios aos arremessos e a atuação do goleiro, como último jogador da defesa, que tem em suas ações específicas a possibilidade de posicionar-se na área e defender com o corpo todo, além da relação defesa x goleiro, fechando e abrindo espaços possíveis da bola ser arremessada.

Esse modelo, pode ser, minimamente esboçado conforme a figura que segue:

Scout1 Continuar lendo “Análise do Jogo – Considerações e Aplicações de Modelos e Scout”

Construção de uma Progressão Pedagógica no Ensino do Handebol Através do Jogo – A Escolha dos Jogos II

Conforme destacado no artigo anterior, escolher os jogos que serão utilizados para a organização de aulas e sessões de treinos depende de, pelo menos, 3 aspectos de análise:

  1. Como ocorre no jogo a manifestação dos Princípios Operacionais dos Jogos Esportivos Coletivos? (Bayer, 1992)
  2. Quais regras de ação serão manifestadas nesse jogo?
  3. O jogo aproxima-se ou afasta-se da ‘lógica’ do handebol?

As respostas seguem abaixo. Continuar lendo “Construção de uma Progressão Pedagógica no Ensino do Handebol Através do Jogo – A Escolha dos Jogos II”

Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo – A Escolha dos Jogos I

Conforme citado no artigo anterior (clique aqui) iremos tratar agora da ‘Escolha dos Jogos’, ou seja, como adequar cada jogo ao contexto de nosso grupo de trabalho.

Cada grupo de alunos/atletas com o qual lidamos corresponde a uma realidade diferente, conhecimentos diferentes sobre o handebol e vivências anteriores também particulares a cada indivíduo e cada grupo.

Torna-se, portanto, uma incoerência criar uma ‘receita’ simples de ser seguida, já que a pluralidade e a generalidade são aspectos relacionados a toda relação humana.

Seguir um modelo pronto (assim como o ensino tecnicista nos condiciona a fazer) passa a ser algo questionável. Não serão dados, portanto, modelos, receitas, caminhos definidos, mas sim pistas, dicas e reflexões que possam nos orientar dentro de uma progressão pedagógica.

Escolher um conteúdo a ser passado para nossos alunos é algo complexo (como tudo o que envolve educação, desenvolvimento humano e relações sociais) e para isso, quando temos no jogo nossa arma pedagógica, não basta apenas escolhermos uma série de jogos e montar aulas como alguém que com um baralho, descarta e escolhe novas cartas para seu jogo, é necessário planejamento e coerência pedagógica.

A escolha dos jogos exige um olhar para o conteúdo que se objetiva ensinar e como sistematizar atividades/jogos/brincadeiras que sejam capazes de orientar nossos alunos/atletas para aprender aquilo que queremos ensiná-los.

Esses conteúdos, no entanto, superam em muito aquilo que o olhar tradicional considera conteúdos a serem ensinados no handebol (os fundamentos técnicos isolados, de maneira geral, e abordagens fragmentadas da perspectiva tática/estratégica do jogo).

Se o objetivo é construir uma metodologia de ensino pautada no jogo, o jogo elaborado deve ser capaz de garantir que a aprendizagem seja conseguida exclusivamente jogando.

Para isso, deve-se inicialmente definir: “Como poderão ser os jogos que utilizarei na minha proposta pedagógica?”. Continuar lendo “Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo – A Escolha dos Jogos I”

O ensino dos esportes coletivos: metodologia pautada na família dos jogos

Esta semana estarei postando aqui um artigo científico produzido por mim, o Professor Riller Reverdito e o Professor Alcides Scaglia na revista motriz. Nele discutimos uma proposta metodológica de ensino dos esportes coletivos (e também do handebol) sob a perspectiva da família dos jogos, discutida na tese de doutorado do professor Alcides e que tanto defendo nesse espaço virtual. Espero que apreciem a leitura, clique … Continuar lendo O ensino dos esportes coletivos: metodologia pautada na família dos jogos