Meios Táticos no Handebol

O handebol é um jogo fácil de jogar. As habilidades técnicas exigidas são habilidades comuns a vários jogos, como correr, saltar e arremessar, e suas regras básicas são facilmente assimiladas pelos jovens jogadores. Pensando nisso, o que diferencia um bom jogador de um excelente jogador, uma vez que o handebol é um esporte em que a maioria das pessoas consegue jogar sem grandes problemas? O grande diferencial entre os jogadores é a forma com que executam os meios técnicos-táticos específicos do jogo de handebol. Continuar lendo “Meios Táticos no Handebol”

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Ensinando a progressão sem bola e ocupação dos espaços vazios

Neste texto darei alguns exemplos de atividades voltadas para a iniciação à modalidade, em uma sessão de treino/aula.

Sabemos que dependendo da idade essas atividades devem ser mais ou menos voltadas para o lúdico, com mais brincadeiras do que exercícios fechados.

O importante nas atividades são os objetivos que devem estar voltados ao aprendizado de aspectos da lógica do handebol, como as infiltrações, a procura pelos “espaços vazios”, a procura individual e coletiva pela conquista do objetivo do jogo (gol), com a intenção de introduzir o jogo mais complexo, com mais jogadores.

Em um primeiro momento da aula, podemos utilizar de brincadeiras para o aquecimento e que tenha ações e lógica semelhantes para a introdução do assunto programado para o dia.

Abaixo segue uma aula aplicada para ensinar aos alunos de 8 a 10 anos (pode ser aplicado a turmas de 12 e 13 anos desde que sejam iniciantes) a receber a bola em progressão, visualizar os “espaços vazios”, a infiltração e a finalização ao gol.

Atividade 1: Travessia do Rio Continuar lendo “Ensinando a progressão sem bola e ocupação dos espaços vazios”

Os problemas da especialização precoce em busca do resultado

Neste texto quero compartilhar uma preocupação com a especialização precoce de atletas no contexto da formação do handebol. A discussão não será quanto ao treinamento biológico precoce, mas quanto a especificação da posição, da falta de uma construção do conhecimento geral para o específico, deixando de promover a vivência e acompanhamento de todas as fases, sem prejudicar o aluno no seu processo de aprendizagem e aperfeiçoamento.

No dia-dia de treinamento de categorias de base chegam muitos alunos que não têm conhecimento sobre os conteúdos básicos do handebol e nem mesmo possuem um aprendizado anterior satisfatório para alcançar a meta do grupo, e muitas vezes não temos tempo de ensiná-los, sem pular etapas do treinamento, por já estarmos no meio do planejamento, ou quando já estamos com algumas metas traçadas. Porém, um erro grave e comum é colocá-los em uma posição durante os jogos ou coletivos em que eles não “atrapalhem” o treinamento ou onde “prejudicam” menos.

Nesta questão, quando um aluno chega nesta situação e o colocamos para jogar, em uma posição que julgamos menos complexa e lá o deixamos, estamos especializando precocemente um aluno que não passou por todas as fases do aprendizado. Em alguns de nossos textos publicados, falamos sobre o processo de ensino aprendizagem, em que envolvem os princípios operacionais e as fases do aprendizado para os jogos. Continuar lendo “Os problemas da especialização precoce em busca do resultado”

Ideias acerca da associação entre a preparação física e tática no handebol.

Para muitos profissionais da pedagogia do esporte a principal dificuldade é associar as suas aulas com preparação técnica-tática aos conteúdos ligados a preparação física de seus atletas. Neste texto não será feita uma abordagem sobre vias metabólicas ou predominâncias energéticas dentro do desporto coletivo, mas tentaremos mostrar que o treino na iniciação esportiva pode ter vinculado em suas sessões todas as vertentes necessárias na formação do atleta, seja ela de caráter física, de desenvolvimento de habilidades motoras ou de preparação técnico-tática.

Vale lembrar que a partir do momento que esses atletas estão praticando regularmente os treinos eles já estão tendo adaptações referentes a demanda física do treinamento. Cabe ao treinador “programar” as suas diversas atividades e intervenções para adequar o tipo de esforço, densidade e volume para que ocorram as adaptações necessárias e no tempo especifico.

Também devemos pensar na especificidade da modalidade Handebol, em que ocorrem demandas de alta, média e baixa intensidade em um mesmo jogo, necessitando de capacidades de todas as musculaturas envolvidas em suas movimentações corporais, pois é considerado um esporte completo que utiliza uma alta combinação das habilidades motoras fundamentais do repertório motor humano. Continuar lendo “Ideias acerca da associação entre a preparação física e tática no handebol.”

O ensino da tática coletiva ofensiva

Para uma introdução sobre a ação ofensiva no jogo de handebol é preciso entender um pouco sobre os conteúdos táticos coletivos, os quais se apresentam como uma coordenação ou auto-organização das ações dos jogadores, sejam elas de caráter individual ou coletivo, mas que geram uma representação coletiva dentro da estrutura ofensiva. Como exemplo, citamos as respostas as trajetórias, passe e vai, penetrações sucessivas, cruzamentos, cortinas, bloqueios…

Primeiramente para que as ações ofensivas e o treino específico para o ataque ocorram de forma eficiente é necessário que a equipe já tenha uma noção das ações defensivas, como coberturas, bloqueios, trocas, sistemas zonais de defesa, para que as ações ofensivas consigam ter um embasamento de acordo com a defesa imposta pelo adversário.

A ação ofensiva é muito dependente da leitura que a equipe e seus jogadores tem do jogo como um todo. Muitas das ações e respostas advem dessa interação entre ataque e defesa, e nas suas ações ofensivas a equipe deve estar preparada para as possíveis mudanças e estratégias adversárias. Continuar lendo “O ensino da tática coletiva ofensiva”

HCR – Handebol em cadeira de rodas: Uma apresentação da modalidade

O handebol em cadeira de rodas é uma modalidade ainda pouco conhecida, porém vem crescendo desde a sua criação de maneira acentuada. Neste texto pretendo fazer uma apresentação da modalidade, com um pouco de suas regras e adaptações.

O HCR foi criado pelos professores Décio Roberto Calegari, José Irineu Gorla e Ricardo Alexandre Carminato, no ano de 2005, na Universidade Paranaense (Unipar – Campus Toledo/PR), instituição incentivadora e parceira da ATACAR -Associação Toledense dos Atletas em Cadeira de Rodas, ONG gestora do Esporte Adaptado no Município de Toledo. A primeira federação da modalidade a ser criada foi a Federação Paranaense de Handebol em Cadeira de Rodas (FPRHCR), fundada em maio de 2007, também na cidade de Toledo.

Como é uma modalidade recente, o handebol em cadeira de rodas ainda está sendo difundido e conta com algumas equipes formadas, principalmente na região Sul e Sudeste. Alguns campeonatos também já vem acontecendo como exemplo os campeonatos do Itajaí Handball Cup e a Copa Oeste de Handebol em Toledo-PR.

Esta modalidade esportiva foi pensada para que pessoas portadoras de deficiência física pudessem praticar o handebol de duas formas diferentes: através do Handebol Sete (Handball Seven ou HCR7) e do Handebol Quatro (Handball Four ou HCR4). Continuar lendo “HCR – Handebol em cadeira de rodas: Uma apresentação da modalidade”

Relato de Caso (Projeto Gol de Mão) – Jogos que Trabalham a Estratégia no Handebol

Percebo que muitos profissionais ainda acreditam ser utópico o que apresentamos em nossos textos. Por isso, neste artigo estarei relatando o uso de uma brincadeira do cotidiano infantil e como ela fundamentou grande parte das aulas de um grupo de iniciação ao handebol e como a partir deste jogo foi possível a estes alunos criar estratégias específicas do handebol.

Quando falamos em jogar para que o aluno tenha estímulos para pensar e agir estrategicamente no esporte, temos que levar em consideração quais princípios estarão sendo construídos por estes alunos no decorrer da prática do jogo em si.

Ao pensar que o handebol é um jogo que além da força e da velocidade é estritamente dependente da ação tática, podemos incrementar nossas aulas com jogos que trabalhem principalmente este viés do handebol.

Como? Um exemplo que tenho tido em minhas aulas, e quero compartilhar, é o uso do jogo “pique-bandeira”. O que ele tem a ver com handebol? TUDO! Desde que esteja sobre o prisma do conteúdo específico colocado em aula.

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Iniciação ao Ataque – princípios ofensivos

Este artigo tem por finalidade introduzir alguns conceitos relevantes à iniciação esportiva voltada para aspectos ofensivos do jogo de handebol. Alguns princípios devem ser priorizados ao iniciar um trabalho de aprendizado ofensivo e alguns desses princípios são comuns aos jogos desportivos coletivos, e por isso, serão tratados de forma geral, para posteriormente limitarmos ao handebol.

Quando falamos em um trabalho pedagógico de ensino ao handebol, estamos referindo a uma série de itens que os alunos devem conhecer e praticar. No ataque, em específico, partimos de uma ponto inicial, que se caracteriza pela posse da bola.

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E o Handebol na Escola?

Quando falamos em pedagogia do handebol pensamos em um contexto de aprendizado que ocorre em diversos locais como escola, escolinha de esportes, clubes, equipes de base. Porém, destes lugares o que mais atrai alunos que não conhecem a modalidade e que podem vir a ser ou não praticantes devido a experiência com este esporte é a escola.

Ela (a escola) hoje é um dos principais locais onde as crianças praticam esportes, seja no horário regular das aulas ou em equipes para torneios escolares. Neste aspecto um detalhe passa despercebido: Como o handebol está sendo ensinado dentro da educação física escolar?

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O jogo de passes com alvo como conteúdo do ensino ao handebol

No artigo anterior a este comentei sobre a possibilidade de jogos como pega-pega, alvo-móvel entre outros serem conteúdos da aula de handebol, na questão do aprendizado desse esporte de uma maneira global, como todos os seus fundamentos técnicos e táticos.

Esses jogos, além de possuírem estes fundamentos, possuem estruturas para a sua execução semelhantes às encontradas em situações do handebol formal. Vamos falar aqui de jogos em que a estrutura é parecida, porém não podem ser chamados de mini-jogos, pois não se trata de uma redução da complexidade do handebol formal, mas sim jogos pré-desportivos, pois possuem semelhanças com o esporte, porém não o são.

Ao trabalhar jogos estamos propiciando aos alunos a execução de ações e a resolução de problemas intrínsecos a complexidade do jogo. O aluno poderá beneficiar-se de maneira técnica-tática desses jogos e transferi-los ao jogo formal. De acordo com Greco (1995) ao trabalhar a tática individual e grupal integrada com exercícios complexos permite que o aluno adquira uma representação mental diferenciada das ações técnico-tática necessárias a solução dos problemas do jogo. Essa é a idéia ao trabalhar com jogos em que a lógica assemelha-se ao conteúdo especifico do handebol.

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