Uma Crônica sobre a Iniciação ao Handebol

Texto gentilmente cedido pelo Prof. Jean Brito – Governador Valadares – MG

Certa vez na Universidade um professor fez uma pergunta interessante a nós alunos do 2º período do Curso de Educação Física, na disciplina Handebol.

Ele nos perguntou qual seria o esquema tático defensivo mais viável para ensinar crianças menores de 10 anos, ou seja, iniciação. Quase todos unânimes responderam 6:0 incluindo a honrosa opinião do mestre da sala: O Professor.

Naquele momento todos riam por terem falado exatamente o que o professor gostaria de escutar. Eis que se levantaram as mãos de duas pessoas que discutiam no fim da sala sobre a pergunta colocada. Para azar da turma e do professor os dois aventureiros eram atletas de handebol e gostariam de manifestar suas inquietações.

Um dos alunos puxou a discussão: Continuar lendo “Uma Crônica sobre a Iniciação ao Handebol”

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Arbitragem

Texto de Ricardo Cardoso – Psicólogo

Também disponível em http://banhadasandebol.blogspot.com

“HOJE NÃO VOU FALAR de famílias e das suas dinâmicas, de exercícios de reflexão sobre os aspectos educativos no seio da família. Hoje vou voltar à minha outra paixão, a psicologia desportiva. No entanto quero deixar aqui um apontamento sobre o desporto e a família e a importância das vivências desportivas na construção da personalidade e aquisição de competências sociais.

Praticar um desporto colectivo desde cedo é importante na aprendizagem da partilha, do respeito ao outro e na gestão da frustração. Sempre que possível os pais devem acompanhar os seus filhos nestas actividades. Um desses momentos, pode ser ir ver um jogo de andebol, tentando sempre incutir valores e aprendizagens aos seus progenitores. Sendo este o ponto a que quero chegar, ver um jogo de andebol! Continuar lendo “Arbitragem”

Abandono Precoce e Iniciação Esportiva – propostas para mudar esse cenário

Este trabalho teve a colaboração do Prof. Carlos Resende Docente e Ex-Treinador Campeão Nacional pelo F.C. do Porto e Atleta Internacional de elevado nível desportivo e do Prof. Lucas Leonardo, coordenador do site “Pedagogia do Handebol”

Para que seja possível aprender é necessário que haja processo. Para haver processo, torna-se necessário haver adesão.

A preocupação com o abandono precoce na iniciação esportiva é algo que nos últimos anos vem sendo muito estudado por pesquisadores que se preocupam com uma nova abordagem de ensino do esporte.

Dentre pesquisadores desse assunto, o professor Professor Roberto Paes da UNICAMP é um dos principais autores que, além de discutir as questões do abandono precoce relaciona tal problema educacional e o processo de especialização precoce.

Especialização precoce e abandono precoce, ambos são peças de uma mesma engrenagem, que criam um infeliz circulo vicioso de entrada, abandono e muita vezes, desgosto pelo esporte.

Especializar precocemente tem total vínculo com uma visão de ensino que se baseia na ânsia pelo alto-rendimento esportivo e os vilões da história podem ser muitos: professores, pais, dirigentes de clubes e outros.

Porém, o professor, como principal responsável pela práxis educacional, é peça fundamental desse ciclo que se forma e também, o primeiro responsável pela sua transformação.

O professor Antônio Cunha, da Faculdade do Porto, também é um dos principais nomes que estudam essas questões com especificidade no handebol.

Na Conferencia entre a FPA (Federação Portuguesa de Andebol) e as Universidades portuguesas sobre a problemática do handebol nas escolas portuguesas, o professor apresentou um trabalho aplicado, voltado para a discussão dos problemas do abandono precoce e buscando solucionar tal questão.

Foi um trabalho intensivo nas aulas de estudo práticos na Faculdade do Porto e testado com sucesso há 4 anos.

Em pesquisa realizada com os jovens atletas inscritos na AAP (Associação de Andebol do Porto, a maior de Portugal) que abandonaram a modalidade no início da sua carreira desportiva, as principais causa destacadas foram: Continuar lendo “Abandono Precoce e Iniciação Esportiva – propostas para mudar esse cenário”

Propostas para o Andebol de Base

Material gentilmente cedido pelo Professor António Alberto Dias Cunha – http://andeboldebase.blogspot.com/

INTRODUÇÃO:

Minha formação na área do Andebol tem duas escolas:

  • Balcãs /Escandinava (são muito semelhantes) e francesa;
  • Minha experiencia como atleta e treinador nos escalões do andebol de base, mesmo sendo Treinador Principal dos vários clubes em que estive, Selecção Nacional, FCP-SLB-ABC-SCP-BFC.

Fiz muita formação em estágios, seminários a nível do Andebol de base, práticas nas escolas e clubes (semelhantes) dos Balcãs e tendo como apoio as selecções nacionais e seus treinadores e o clube mais representativo desta abordagem metodológica e com resultados ao longo de dezenas de anos o Metaloplastika (várias vezes campeão europeu de clubes e maior fornecedor de atletas para a selecção Nacional Jugoslávia – República de montenegro), conversas informais de muitas horas com O Mentor do Andebol em campos reduzidos, Vinic Tomlianovic, director técnico da Croácia.

ANDEBOL DE BASE (bambis, minis e infantis):

MODELO DE COMPETIÇÃO: Continuar lendo “Propostas para o Andebol de Base”

Jogo de Defesa 3

Por Jorge Dofman Knijnik

Professor da School of Education, University of Western Sydney (NSW, Australia)

Nos artigos anteriores, discorri sobre os objetivos do jogo de defesa (clique aqui) e principalmente sobre os princípios do jogo de defesa (clique aqui), falando ao final sobre a defesa individual, bem como sobre os sistemas por zona de defesa, principalmente sobre os subsistemas fechados  6:0 e 5:1.

Nesta parte final desta miniserie de textos sobre o Jogo de defesa, gostaria de comentar sobre os sistemas por zona abertos, e também por aqueles conhecidos como mistos ou combinados. Cabe citar que os sistemas abertos podem sofrer uma grande transformação caso se confirme aquilo que o Lucas Leonardo citou em artigo neste site (clique aqui), ou seja, que o handebol passe a ser um jogo não mais com 3 passos, mas sim com 5 contatos no solo, e com a permissão do ‘duplo pentafásico’ – o que ao meu ver criará um novo jogo, diferente do handebol que conhecemos até então. A conferir.

Relembro que este texto é parte do meu livro “Handebol” recentemente lancado pela editora Odysseus (www.odysseus.com.br). Agradeço ao editor Stylianos Tsirazis a gentileza de autorizar a publicação deste trecho neste importante sítio do handebol da comunidade lusofona.

Sistemas abertos ou avançados

Os sistemas conhecidos como “abertos” são aqueles que, literalmente, abrem os espaços na primeira linha defensiva entre os defensores, diminuindo a amplitude de cobertura da área do goleiro. Em contrapartida, em termos de profundidade da quadra, atuam de forma a ocupar os espaços na segunda linha de defesa (nove metros) e até mesmo numa terceira linha de defesa imaginária (dez, 11 ou até 12 metros) no sentido de impedir os armadores (nove metros) atacantes de se aproximarem da baliza. Visualmente, eles são “abertos”, e suas maiores preocupações consistem em dificultar os arremessos de média e longa distância, além de dificultar a movimentação da bola por parte do ataque, através do trabalho de interceptação e dissuasão de passes. Cabe salientar que, apesar destes sistemas muitas vezes deixarem seus jogadores em situação de 1 x 1 (um defensor contra um atacante), eles  não correspondem a uma marcação individual, são organizados por zona, e cada defensor tem uma região na qual deve se deslocar e proteger, como mostraremos a seguir. Estas zonas, apesar de grandes, delimitam e colocam os sistemas abertos como sistemas zonais por excelência. Ou seja, a eles devem ser aplicados todos os princípios defensivos já mencionados, como por exemplo, o fato do espaço entre dois defensores ser de responsabilidade de ambos na hora da defesa. Os principais sistemas que se enquadram nesta classificação são denominados 3:2:1 e o 3:3[1].

Sistema 3:2:1 Continuar lendo “Jogo de Defesa 3”

Jogo de Defesa 2

Por Jorge Dofman Knijnik

Professor da School of Education, University of Western Sydney (NSW, Australia)

Relembro que este texto é parte do meu livro “Handebol” recentemente lançado pela editora Odysseus (www.odysseus.com.br). Agradeço ao editor Stylianos Tsirazis a gentileza de autorizar a publicação deste trecho neste importante sítio do handebol da comunidade lusofona.

 

No artigo anterior, discorri sobre os possiveis e diferentes objetivos do jogo de defesa.

Vejamos agora quais os princípios gerais[1] do jogo de defesa, dentro de cada uma das três fases indicadas (retorno defensivo, defesa temporária e defesa organizada).

a)    Princípios da fase do retorno defensivo

– atitude mental que conduza a uma grande vontade de realizar um rápido retorno à própria quadra, para proteger a baliza, sem nunca perder o contato visual com a bola e com todos os elementos do jogo, colegas e adversário;

– dificultar o contra-ataque adversário, tentando recuperar a bola;

– pressionar o jogador em posse da bola, para impedir ou atrapalhar o contra-ataque, por meio de dissuasões, obstrução da visão (bloqueios, saltos) da quadra, ou mesmo conduzindo-o às laterais e zonas menos perigosas da quadra;

– leitura do jogo para observar que a equipe não fique em inferioridade numérica durante o contra-ataque, em nenhuma região da quadra, especialmente naquela em que se encontra a bola.

b)    Princípios da fase da zona defensiva temporária Continuar lendo “Jogo de Defesa 2”

Jogo de defesa 1

Por Jorge Dofman Knijnik

Professor da School of Education, University of Western Sydney (NSW, Australia)

Nesta pequena serie de 3 artigos, pretendo introduzir alguns conceitos bem como algumas noções completas sobre sistemas defensivos. Este texto completo, com todas as ilustrações, faz parte do livro HANDEBOL, que publiquei recentemente pela editora Odysseus (www.odysseus.com.br) e que pode ser adquirido diretamente no site da editora, ou pelo vendas@odysseus.com.br, ou ainda pelo telefone 11+3816-0835.

Agradeço ao editor Stylianos Tsirazis a gentileza de autorizar a publicação deste trecho neste importante sitio do handebol da comunidade lusofona.

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Introdução: O Jogo de Defesa

“Atacar como podemos e defender como os pumas”. Este era o lema de algumas equipes argentinas (River Plate e depois Ferrocaril do Oeste), Continuar lendo “Jogo de defesa 1”

OS FESTIVAIS DE MINI-HANDEBOL

Contribuição do professor Diego Melo de Abreu

INTRODUÇÃO

O mini-handebol é uma atividade que visa promover o desenvolvimento global das crianças, a construção do conhecimento e a formação do cidadão, através de atividades lúdicas desportivas, com ou sem bola.

A filosofia implícita nestas atividades, assim como sua aplicação e objetivos, não fica limitada somente à iniciação do desenvolvimento de técnicas relacionadas ao handebol, de modo que o professor deve proporcionar aos educandos novas experiências a todo instante.

As aulas são fundamentais para que as crianças tenham a oportunidade de vivenciar momentos prazerosos e ser influenciadas positivamente em sua formação geral, porém, a organização de atividades maiores fora do cotidiano tendem a otimizar a aplicação e os resultados dos pontos de desenvolvimento da filosofia do mini-handebol.

Um festival é um ótimo exemplo deste tipo de atividade, pois sua concepção pode ser geradora de situações extremamente ricas aos educandos devido ao contexto do evento. Continuar lendo “OS FESTIVAIS DE MINI-HANDEBOL”

Handebol em Cadeira de Rodas: Por onde eu começo?

Autor: Anselmo Costa e Silva

É com grande prazer que começo a postar no site Pedagogia do Handebol. Agradeço ao Lucas pelo convite e me sinto orgulhoso ao falar do Handebol em Cadeira de Rodas (HCR).

Ao começar a escrever este texto, perguntei a mim mesmo: “Por onde começo?”.

Justamente este é o tema do primeiro artigo que escrevo para o site.

O nosso objetivo é auxiliar aqueles que estão planejando iniciar uma equipe de HCR, oferecendo um referencial para os trabalhos.

Algumas perguntas básicas devem ser respondidas quando se pensa em implantar um projeto: O Que? Para quem? Estas questões são semelhantes às perguntas básicas da aprendizagem motora baseada no problema (SCHMIDT e WRISBERG, 2001). Continuar lendo “Handebol em Cadeira de Rodas: Por onde eu começo?”

Handebol Adaptado: Relato e Possibilidades Pedagógicas

Por Riller Reverdito e Ricardo Fragnan

Universidade Adventista de São Paulo Campus Hortolândia/IASP

Faculdade Adventista de Educação Física

Prezados amigos, saudações!

As possibilidades manifestas na prática esportiva são incomensuráveis e transcende aos limites de nossa compreensão. Sua capacidade de mobilização e transformação vai dos limites físicos a ascensão social. Temos diversas histórias em que o esporte transformou vidas. História de atletas que ultrapassaram o limite de seu corpo; os limites de sua mente. De maratonistas que correram ao máximo durante toda a prova, e, ao chegar a metros da linha final, correram além do seu máximo.

As histórias mais comuns geralmente estão associadas a atletas que no esporte encontraram grande ascensão no alto rendimento. Contudo, existem histórias de superação que caminham ao nosso lado. História de vidas transformadas. Nessas caminhadas tive o privilégio de conhecer o Ricardo que, além de aluno e amigo, é um ser humano inquieto. Nas palavras do grande lingüista Umberto Eco, uma pessoa disposta a buscar sempre algo a mais.

Pedi ao amigo Ricardo Fragnam, licenciado em Educação Física, para falar do esporte em dois âmbitos: pessoal – na transformação de vida; possibilidades pedagógicas – o esporte enquanto possibilidade sócio-educativa. Os parágrafos seguintes são contribuições de experiências vividas (relato de vida) e trazidas para a reflexão (possibilidades pedagógicas).

Antes de começar a falar sobre o handebol adaptado, gostaria de estar agradecendo a Deus e aos professores que contribuíram de forma significativa para minha formação acadêmico-profissional e de ser humano.

O handebol adaptado no Brasil é uma modalidade nova, Continuar lendo “Handebol Adaptado: Relato e Possibilidades Pedagógicas”