fonte: https://handebolbh.wordpress.com

As possibilidades de organização do sistema defensivo individual

Há alguns anos o handebol brasileiro vem se transformando nas categorias de base, principalmente nas categorias mirim e infantil. As instituições (como ligas e federações) e os treinadores tem uma grande preocupação com a iniciação esportiva dos atletas e como isso irá interferir no desenvolvimento e no futuro deles na modalidade, e por isso, há algumas modificações regulamentares nessas categorias, como por exemplo, a imposição do uso do sistema defensivo individual em partes do jogo oficial. Afinal, acredita-se que a participação em competições deve ser adequada ao entendimento, crescimento e ao desenvolvimento do indivíduo, no sentido de formação integral e estruturada do jogador de handebol.

Essa imposição do uso do sistema defensivo individual é orientada pela ideia de que há simplificação dos problemas situacionais do jogo, tornando o jogo possível aos seus jogadores. Também há o entendimento que o ensino da marcação individual é uma importante ferramenta pedagógica devido as suas características de dinamismo, grande exigência de participação dos jogadores nas diversas técnicas e táticas individuais defensivas, necessárias para o bom desenvolvimento motor e cognitivo que serão utilizados em todos os sistemas defensivos, e também sua utilização proporcionará aos atacantes mais ações ofensivas individualizadas, tais como uma maior movimentação dentro de quadra e usar com maior frequência e variedade as fintas e desmarques.

Além disso, trabalhará com aspectos cognitivos como a tomada de decisão e a rápida resolução de problemas dentro do contexto do jogo, por ter característica dinâmica, com mudanças constantes de condições entre as equipes em relação ao ataque, defesa e transição.

Entretanto, apesar de ensino da marcação individual ser considerada importante, pois está relacionada com o entendimento da lógica do jogo nas categorias mirim e infantil, ainda há divergências nas diversas formas táticas de organizar essa defesa. Por isso, iremos apresentar algumas formas de organizar o sistema defensivo individual, pensando nas fases de formação da criança e na sua estrutura de acordo com a quadra e a relação atacante versus defensor.

Primeiro precisamos entender a diferença entre marcação e sistema. Marcação significa a ação, o comportamento, o desempenho individual frente ao sistema defensivo adotado pela equipe, resultante da ação técnica, tática e psicológica em que ações como observar, vigiar, aproximar, combater, dificultar as ações ofensivas do adversário, baseadas na antecipação do espaço com o objetivo de evitar a progressão do atacante e a recuperação da posse de bola devem ser constantes na defesa. Logo, a marcação individual é caracterizada como a disputa entre um defensor e um atacante específico e determinado, impedindo o recebimento da bola ou a progressão e finalização ao gol daquele adversário.

A marcação individual também pode ser trabalhada enquanto um sistema defensivo, pois apesar de estar pautada em ações de um contra um (um jogador defensor contra um jogador do ataque), quando falamos de sistema, estamos referindo a execução eficaz de variadas ações técnicas e táticas individuais dentro de uma estratégia organizada coletivamente pela equipe, ou seja, a tática advinda da soma das ações individuais.

Logo, podemos ter o sistema defensivo individual relacionado com a distância entre o defensor e o atacante, dividida em:

  • Marcação por aproximação ou de perto: significa que o defensor estará bem próximo ao atacante direto, pressupõe contato físico. Esse tipo de relação entre defensor e atacante é a mais conhecida e utilizada em situações de marcação individual, as vezes erroneamente interpretada como a única forma de se efetivar a marcação individual.
  • Marcação por vigilância: o defensor deve acompanhar o adversário, observando-o, e estar em prontidão para intervir quando necessário, podendo ser utilizada quando o adversário estiver com ou sem a posse de bola, e também quando oferecer menor risco de chegar ao gol e quando está longe dessa zona de perigo.
  • Marcação por posicionamento: o defensor se coloca entre o atacante com posse de bola e o seu oponente direto, é utilizada principalmente para a interceptação do passe e nas posições do pivô e dos extremos.

Além disso, podemos executar o sistema em relação ao espaço de jogo que pode ser dividido em defesa de quadra inteira, na metade da quadra ou por aglomeração que acontece próxima à região dos 10-11 metros da quadra de defesa, nessa marcação há mais proximidade entre o jogador com a bola ou mais perigoso e a marcação por vigilância quando a bola está mais afastada. Esse tipo de marcação garante situações coletivas, como as ajudas entre os defensores e pode ser realizada em duas formas de emparelhamento: a nominal, em que cada defensor tem um oponente direto e específico na outra equipe e a zonal, onde a responsabilidade está no posto ocupado pelo jogador do ataque. É possível perceber que nessa situação há uma forma de transição entre o entendimento do que é o sistema individual e o zonal.

As formas de se utilizar as diversas variações de marcação individual dentro de um sistema defensivo vai englobar a combinação entre os elementos da relação de proximidade entre defensor e o atacante e os espaços na quadra delimitados para a equipe. Resumidamente, o professor/treinador poderá utilizar a marcação individual simples por aproximação, onde o jogador acompanha seu oponente direto em qualquer lugar da quadra, quase sem ações coletivas entre os defensores, ou utilizar um sistema individual em que ocorre a vigilância até determinado local da quadra, aproximando os defensores dos atacantes após esse limite pré-estabelecido, e nesse caso poderá ocorrer em alguns momentos trocas e coberturas defensivas, ou até mesmo utilizar o sistema defensivo individual por aglomeração, onde os jogadores poderão, mesmo que na marcação nominal, executar ações defensivas de grupo, tais como trocas de atacantes entre dois defensores e na ajuda que consiste em dois defensores em um mesmo atacante, quando necessário.

As diversas formas estratégicas de se organizar o sistema individual parte tanto das características da idade e nível de aperfeiçoamento dos jogadores, quanto do entendimento do professor sobre qual estratégia será melhor utilizada pela sua equipe nos diversos momentos do jogo.

Concluindo, não existe apenas um sistema defensivo individual, que é aquele que o professor ensina ao aluno a grudar e acompanhar o adversário até mesmo quando ele não está no ataque. Podemos utilizar de outras formas dessa marcação para que o aluno entenda as diversas formas de se marcar o adversário e mesmo estabelecer situações de ajudas entre seus companheiros, e posteriormente transitar para os sistemas defensivos zonais, começando por sistemas abertos, como exemplo, o 3:3.

Anúncios

3 comentários sobre “As possibilidades de organização do sistema defensivo individual

  1. Muito bom. Muitas vezes, dependendo da situação do jogo, o melhor ataque é a defesa e a melhor defesa é o ataque.
    Att.;
    Prof. Edimildo Barroso

  2. Tenho uma pergunta:
    O que o árbitro deve marcar ou, como deve proceder, em caso de a bola ficar presa por dois, ou mais, jogadores?
    Att.,
    Prof. Edimildo Barroso

  3. Será que tem como vocês desenha como os seus posicionamentos de formaçao tatica A)ataque6-0,5-1,4-2,3-3 e D)densiva6-0,5-1,4-2,3-3,3-2-1

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s