Handebol não é basquete com gol: Aprendendo o ritmo trifásico

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Apesar de ser bastante ilustrativa a comparação entre handebol e basquete (uso habitualmente este recurso para introduzir o handebol aos iniciantes) pelo fato de ambos os esportes possuírem muitas semelhanças funcionais, existem entre eles muitas diferenças do ponto de vista regulamentar que influenciam diretamente ações táticas individuais, como o deslocamento com a bola durante o jogo, por exemplo.

Deslocar-se com a bola nas duas modalidades pode ser operacionalizado por meio do quique da bola, mas a semelhança termina por aí.

Enquanto que no basquete (com excessão à passada da bandeja e o uso do pé do pivô) não é permitido andar com a bola, no handebol isso não é só permitido pelas regras, como deve ser uma das primeiras coisas a serem ensinadas do ponto de vista da tática ofensiva.

Andar ou correr com a bola faz parte da aprendizagem do handebol e, muitas vezes, por haver confusão na comparação entre basquete e handebol, o ato de quicar acaba sendo ensinado antes do ato de se deslocar com a posse da bola, o que pode ser um grande erro do ponto de vista pedagógico. Vamos compreender melhor isso.

O ato de deslocar-se segurando a bola, pela regra do handebol, é limitado pelo uso de até três passos. Do ponto de vista tático, chamamos esta ação de ritmo trifásico.

O ritmo trifásico é, em essência, a forma mais segura de se deslocar com a bola no handebol, já que a posse de bola está garantida e dificilmente o adversário consegue recuperá-la sem que faça alguma obstrução à regra. Já durante o quique da bola, a posse de bola não é tão segura, havendo maior facilidade para o sucesso adversário.

Ainda, por regra, pode-se realizar o ritmo trifásico imediatamente após receber a bola, dar sequência ao deslocamento por meio do quique e depois, ao segurar a bola, um novo ritmo trifásico é permitindo. Isso denomina-se duplo ritmo trifásico.

Portanto, é permitido que até seis passos sejam dados com a bola, o que para um esporte de quadra é uma grande vantagem ofensiva.

Do ponto de vista do aprendiz, deslocar-se segurando a bola é sinônimo de segurança e maior liberdade em jogar, mas ao iniciar pelo quique pode-se inibir o surgimento de ações individuais para resolver problemas do jogo, como ultrapassar um adversário, já que quicando a bola pode ser muito fácil perdê-la para seu oponente.

Por isso, não é incomum ver crianças aprendendo handebol que, por medo de perder a bola para um defensor direto, optam por passar a bola (ou se livrar dela) ao invés de impor uma ação ofensiva frente à relação de 1×1 nesta situação para vencer seu marcador. Passar é mais simples do que quicar a bola e acabar se tornando o responsável pela sua equipe perder a sua posse.

Por isso, como sugestão ao processo de aprendizagem de iniciantes, usar o ritmo trifásico como primeiro conteúdo ofensivo é uma boa forma de reduzir problemas futuros na formação de jogadores corajosos e ousados no ataque.

O ritmo trifásico pode ser abordado em:

1. Atividades para manutenção da posse de bola, como um passa 10, informando ao aluno que se nenhum colega estiver livre, ele pode correr com a bola para se desmarcar e achar um colega em condições de receber um passe;

2. Atividades de progressão simples, como um mamãe da rua, no qual a criança tem que passar segurando a bola de um lado para outro da rua, mas se ela quicar e o pegador à tocar bola, ele a perde; ou

3. Atividades voltadas para a aprendizagem da finta, que nada mais é do que uma forma especializada do uso do ritmo trifásico, cujo objetivo é deixar um adversário para trás por meio da aceleração e desaceleração do deslocamento com a bola, enganado o defensor;

Um toque didático importante: inicialmente, ser menos rigoroso com a quantidade de passos dados é importante para não inibir a criatividade do aluno. Aos poucos, porém, deve haver maior cobrança à quantidade de passos dados para que a criança possa se adequar à regra do handebol.

O importante, sobretudo, é compreender que, em se tratado das maneiras de se deslocar com a bola, o handebol não é uma espécie de basquete com gols no lugar das cestas.

Não esqueça de deixar seu comentário sobre o texto e comente também as opiniões de alguns de nossos colegas do Grupo de Estudos. Abraço!

14 comentários sobre “Handebol não é basquete com gol: Aprendendo o ritmo trifásico

  1. Parabéns professor, grande mestre, O quique primeiro antes da passada realmente atrapalha a construção do jogador de handebol. Com isso, em minhas enfatizo a progressão, nos jogos reduzidos, sempre coloco como regra: o aluno só pode driblar se realizar primeiramente os três Passos, além disso, no último passo, sempre estímulo que o aluno tente realizar uma finta, infelizmente, muitos professores, permitem ou incentivam o drible a todo momento, isso faz com que o aluno acostume a quicar a bola em momentos que não são oportunos para uma finta.

    Obrigado grande mestre

  2. Muito Mestre!
    Eu realmente trabalhava este quesito erroneamente. Aqui estou evoluindo !
    Faço uma brincadeira aqui na minha região conhecida como killerball ou ameba ( queimada individual todos conta todos). Em uma meia quadra, livres para queimar qualquer um, e este
    queimado senta, mas pode voltar ao jogo caso pegue a bola ou toque em alguém. O objetivo é
    Eliminar todas as equipes adversária.
    Adapto criando varias equipes de 3, onde o deslocamento é realizando somente por 3 passos para queimar ou passar a bola entre seu pares. Este jogo não pode deslocar quicando a bola somente com os passos.

    1. Ja trabalho a queimada com varias bolas onde para chegar próximo a linha do meio tem que se deslocar no ritmo trifásico podendo utilizar o drible e para lançar a bola, ritmo trifásico novamente, senão perdem a posse da bola.

  3. Ótima reflexão professor, no meu trabalho, em escolinhas de iniciação esportiva, costumo trabalhar três fundamentos do handebol ao mesmo tempo: passe, drible e arremesso no ritmo trifásico. Na sua opinião, acha que devo fazer isso separadamente, em fases?

  4. Excelente reflexão ! Induzir e proporcionar oportunidades para a posse de bola, ao ritmo trifásico antes do drible é muito melhor realmente pedagogicamente.

  5. Ótimo texto, gostei muito também das propostas de atividades explanadas pelos colegas. Podemos adaptar de diversas formas para trabalhar.

  6. Um ponto importante citado no texto é ser mais flexível no começo onde dar mais de três passos pode acontecer com certa frequência pela falta de vivência motora.

  7. Parabéns meste boa reflexão.
    gostaria de acrescentar um ponto de vista em relaçao ao basquete, a forte marcação que o basquete tem nessa aprendizagem para o handebol no 1 x 1 ,principalmente na iniciação, um tema bom para debate

  8. Esse grupo só vem servir como alimento intelectual para todos nós.
    Desde a minha iniciação a aproximadamente 30 anos atrás, o meu mentor “Marcos Brasil” já desenvolvia essa técnica de passadas para que pudéssemos ganhar mais espaço dentro da zona de ataque.
    Vivenciei isso e até hoje prego como diferencial nos meus treinamentos para os meus alunos/atletas.
    limitar-se ao drible sem desenvolver os três passos antes e um erro comum de atletas que também considero comuns.

  9. Bom texto, Obrigado professor Lucas, o ritmo trifásico é a melhor forma para que as crianças aprendan a deslocar-se com a bola, é importante diferenciar o jogo do handebol e basquete.

  10. Fantástico!
    Ao utilizar essa comparação com outros esportes coletivos (“basquetebol com gol”, “futebol com a mão”..) acaba descaracterizando o handebol. Como se o handebol fosse apenas uma adaptação desses outros esportes.

  11. Olá. fiz ontem na universidade o ritmo trifásico na intenção de trabalhar o entendimento do minihandebol. Não é tão fácil. O gol ainda está em primeiro lugar na aprendizagem do que realizar o ritmo trifásico. Importante esta reflexão no texto e já colocastes Lucas alguns exercícios para o trabalho. Muito bom.

  12. Ótima explanação, realmente e o que mais cobramos no desenvolvimento nesta faze, pegar a bola e progredi, antes de quicar a bola ou passar !

  13. Olá Professor!
    Excelente texto, defendo a ideia de realizar o processo de ensino-aprendizagem através de métodos ativos, de uma concepção global e situacional do jogo de handebol, possibilitando ao aluno a aprendizagem através do jogo formal (retroalimentando se necessário) e de situações comuns de jogo como o 1×1, 2×1, etc.

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