As Referências Funcionais Defensivas: Recuperando a Bola

Em poucos esportes, defender pode ser tão atraente como no handebol.

Dentro do funcionamento do jogo defensivo, autores como Teodorescu (1984) e Bayer (1992) apresentam a ideia de que todo esporte coletivo apresenta três ações defensivas básicas:

  1. Proteger o alvo;
  2. Impedir a progressão adversária; e
  3. Recuperar a posse de bola.

Estas três referências ou princípios, regulam o funcionamento de qualquer estrutura defensiva e toda ação individual ou coletiva do ato de defender

Tipicamente, no ensino do handebol, o olhar sobre o alto-rendimento esconde aspectos que transformam o handebol ensinado a iniciantes num jogo muito estereotipado, fazendo com que estas três funções defensivas sejam minimizadas a apenas uma: proteger o alvo.

Esse tipo de conduta transforma um jogo que possui formas de defender potencialmente agradáveis aos iniciantes num verdadeiro martírio. Fica chato defender.

Afinal, proteger alvo, significa esperar, ficar ali, atrapalhando o arremesso adversário e nada mais. Será que é esse o jogo de handebol que realmente vê-se numa partida oficial? O espetáculo do handebol está muito em sua defesa e ela é longe de ser tão passiva assim.

Desta forma, algumas pistas serão ensinadas, para que independente do sistema defensivo adotado (individual, zonal, misto e etc..), nossos alunos sejam capazes de compreender que defender pode ser muito mais do que proteger o alvo. A ideia aqui é ensinar o prazer implícito na tentativa de recuperar a posse de bola.

Esta é, sem dúvida, a forma mais pura de ação defensiva de uma criança quando começa a jogar, Afinal, a bola está com o oponente dela e o que ela mais quer é ter a bola consigo.

Retirar esse ímpeto da criança é transgredir o que há de mais puro e certo no handebol: para fazer gol, é preciso ter a bola, logo, essa característica deve ser mantida e agregada a outras formas de defender.

Sobre as possibilidades de recuperar a posse de bola, devemos ensinar algumas regras de ação, meios táticos, referências funcionais ou quaisquer nomes que possam ser dados às ações individuais, de grupo e coletivas, que visam retirar a bola da posse adversária.

Para recuperar a posse de bola ativamente, devemos ensinar basicamente aos nossos alunos:

  1. Pressionar o adversário quando este dribla a bola e agir sobre o drible, tentando recuperar a bola quando ela retorna do contato feito com o solo. É o famoso, roubar a bola.
  2. Atuar sobre linhas de passe, fechando-as apenas no momento em que um passe é efetuado. A isso, chamamos de interceptação de passes, por meio de uma ação antecipatória.
  3. Podemos ensinar também a agir sobre a linha de passe de oponentes que estão sendo marcados por outros companheiros. Pois, quando o passador vê que um colega seu se desmarcar de seu marcador direto, ele pode optar por passar a bola. Mas, se um jogador que não está defendendo este atacante que se desmarcou percebe isso, ele pode abandonar seu marcador e fechar a linha de passe, surpreendendo o oponente com bola. Isso se chama, ataque ao ímpar.

Para recuperar passivamente (ou seja, proporcionar erro do adversário), devemos ensinar aos nossos alunos:

  1. Sempre que o adversário que está com a bola busca um companheiro livre para passar, pode-se ficar atrapalhando quem está com a bola, aproximando-se da linha de passe e retornando a ação defensiva fora da linha de passe fazendo isso continuamente, pois assim, quem está com a bola vai ter insegurança para passar no momento certo, podendo andar, errar o passe, dar um duplo drible e etc. A isso, chamamos de dissuadir, ou realizar dissuasões.
  2. Ao se aproximar de um adversário para interceptar seu drible, a chance dele segurar a bola é muito grande. Isso o impede de voltar a dribla-la. Logo, se ele segurar a bola, afastar-se dele e fechar linhas de passe é uma boa opção. A isso chamamos de aproximar-se e recuar, ou apenas de flutuação.

São cinco formas simples de defender, deixando de lado a ideia de proteção exclusiva do alvo, que darão aos seus alunos muita vontade de defender, tornando esta ação empolgante e nada conservadora.

Quando isso é aprendido na iniciação, leva-se para toda a vida esportiva.

Bibliografia:

BAYER, Claude. La Enseñanza de los Juegos Deportivos Colectivos. 2. ed. Barcelona: Hispano Europea, 1992.

TEODORESCU, Lion. Problemas de Teoria e Metodologia nos Jogos Desportivos. Lisboa: Livros Horizontes, 1984.

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