Bases de Ataque no Handebol – conceitos e conteúdos de aprendizagem

Conceito:

Ouvi pela primeira vez o termo “base de ataque” em minha pós-graduação, numa aula ministrada pela Professora Rita Orsi em que estávamos discutindo os meios táticos ofensivos e defensivos do handebol.

Ao ouvir este termo, consegui, pela primeira vez, conceituar algo que tinha muita dificuldade de fazer: sempre tive por princípio, a partir de um determinado momento do processo de ensino-aprendizagem, o ensino do que chamava ser “jogadas que não sejam estruturalmente fechadas”. Isso significa na prática a organização de uma sequência de movimentações encadeadas que possibilitem o surgimento de erros defensivos, porém, possibilitando ao atleta a tomada de decisão perante as circunstâncias do jogo.

Ao ouvir o termo “base de ataque”, consegui, finalmente, conceituar esta longa explicação acima descrita.

Logo, resumindo:

A base de ataque é um conjunto de referências que orientam ações encadeadas pelos atacantes de forma a possibilitar vantagem para a tomada de decisão frente as circusntâncias do jogo. É o que possibilita que todos falem a mesma “língua” num dado momento de organização ofensiva.

Elementos técnico-táticos do jogo que precisam estar bem assimilados antes do ensino de bases de ataque:

Ensinar bases de ataque, principalmente no tocante à iniciação ao handebol, deve respeitar uma séria de conceitos já assimilados fora do jogo (de forma circunstancial/declarativo) e dentro do jogo (de forma circunscrita/processual).

Ou seja, definir referências que orientem uma base de ataque não é algo que deve ser simplesmente jogado para uma equipe. Cada base de ataque necessitará de elementos técnicos e táticos específicos, porém, pensando o básico, alguns elementos devem estar bem sedimentados dentro do processo de ensino-aprendizagem:

Passar com segurança e eficiência – deixar a bola cair, passar nas costas do jogador que está se movimentando, passar alto demais ou baixo de mais são indícios de que ainda não é o momento de se inserir dentro do planejamento o ensino de bases de ataque. Os jogadores devem ser seguros na execução dos passes e na sua recepção. Devem dominar este conteúdo com excelente grau de competência. Isso já é possível em idades menores, como na categoria mirim, uma vez que passar receber, nestas idades é um recurso e tanto a ser trabalhado através de brincadeiras, jogos e desenvolvimento de situações específicas de aprendizagem deste importante elemento técnico-tático de grupo. Inserir regras que dêem desvantagem no caso da bola cair, por exemplo, é um bom recurso pedagógico para que haja, na ação de passar a bola, muita atenção de quem a realiza. Assim, aprende-se a passar com responsabilidade e segurança.

Orientar-se sempre em direção ao gol adversário – nenhuma base de ataque existe com intuito de afastar a bola do gol adversário. Logo, ter o domínio espacial relacionado a orientar-se com a bola e principalmente antes de receber a bola em direção ao alvo adversário é um elemento muito importante para que as bases de ataque sejam ensinadas. Desde o período em que se exploram a marcação individual e suas variações até mesmo no processo do ensino do ataque zonal isso deve ser enfatizado. Desde o goleiro, até o jogador das extremidades (pontas) devem, a todo o momento buscar o alvo adversário. Somente com este aspecto competentemente dominado é que as bases de ataque podem ser inseridas no planejamento.

Saber reconhecer vantagem numérica momentânea – uma base de ataque sempre terá como conceito básico a conquista de superioridade numérica momentânea, caso contrário, ela não tem função efetiva. Logo, nossos alunos devem conhecer e saber tirar proveito da superioridade numérica desde elementos de jogo muito simples como do 2×1, até situações mais complexas e completas, como o 7×7. Logicamente, que em se tratando do processo de iniciação, o reconhecimento da vantagem numérica em situação simplificadas, originadas do 2×2 já podem garantir o início da aprendizagem de bases de ataque e, quanto mais o aluno aprende, mais sofisticadas e complexas podem ser as referências dessas bases de ataque.

Antes que estes 3 elementos técnico-táticos do jogo estejam bem ensinados, assimilados e aplicados é bastante arriscado ensinar-se bases de ataque.

Para ilustrar o que é uma base de ataque e suas referências, segue abaixo uma sequencia de uma base de ataque bastante simples, muito útil e que deve fazer parte de todo currículo de formação de atletas de handebol.

Com este exemplo, busco demosntrar o que é uma base de ataque. E este assunto será  explorado e debatido em outros momentos.

2 comentários sobre “Bases de Ataque no Handebol – conceitos e conteúdos de aprendizagem

  1. Aprender a atacar é sempre muito difícil, e por isso alguns treinadores optam por enfatizar somente defesa. Porém, entender as movimentações ofensivas e saber faze-la é parte fundamental de uma equipe. Eu entendo base de ataque como um complemento importante na formação de um bom atleta ofensivamente, e acrescento trabalho de criatividade e desmarque, bem como trabalho com pivô (rolidos e bloqueios) também como requisitos fundamentais para chegarmos as bases de ataque. Somente com um bom ataque podemos treinar bem nossa defesa. A formação individual requer atletas completos.

  2. Boa noite

    Mais uma ótima matéria, parabéns professor, concordo com os princípios apontados, as bases de ataque são necessárias, porém é necessário que os alunos tenham dominado os fundamentis técnicos e as acoes taticas ofensivas.

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