Arbitragem

Texto de Ricardo Cardoso – Psicólogo

Também disponível em http://banhadasandebol.blogspot.com

“HOJE NÃO VOU FALAR de famílias e das suas dinâmicas, de exercícios de reflexão sobre os aspectos educativos no seio da família. Hoje vou voltar à minha outra paixão, a psicologia desportiva. No entanto quero deixar aqui um apontamento sobre o desporto e a família e a importância das vivências desportivas na construção da personalidade e aquisição de competências sociais.

Praticar um desporto colectivo desde cedo é importante na aprendizagem da partilha, do respeito ao outro e na gestão da frustração. Sempre que possível os pais devem acompanhar os seus filhos nestas actividades. Um desses momentos, pode ser ir ver um jogo de andebol, tentando sempre incutir valores e aprendizagens aos seus progenitores. Sendo este o ponto a que quero chegar, ver um jogo de andebol!

Esta situação pode e deve ser uma prática educativa onde os pais e outros intervenientes devem mostrar competências suficientes para uma boa transmissão de valores. No entanto, isso pode não acontecer, ou marcada pela abordagem que se faz aos árbitros ou até aos jogadores adversários.

Outra das situações é quando a falta de valores morais, competências psicológicas e sociais estão dentro de campo. Nos jogadores que são mal formados e entram em condutas anti-desportivas, ou porque, infelizmente, os árbitros são demasiado jovens e com baixas competências técnicas e emocionais, detendo uma atitude arrogante e demasiado prepotente, ameaçando jogadores e espectadores da bancada com punições disciplinares.

Estes agentes desportivos são os mais expostos em todos os encontros, seja pela boa ou má prestação deles. Logo, a sua descrição e invisibilidade no jogo devem ser factor a ter em conta na avaliação positiva da sua prestação. Um árbitro nunca é bem-vindo, mesmo quando não está ‘fardado’, facto que devia ser alterado na nossa sociedade. No entanto, a postura deles também deve ser alterada logo desde início, na sua formação.

A importância da psicologia desportiva no ramo de controlo e identificação de emoções, gestão de conflitos e personalidade versus competência comunicativa, deve fazer parte da sua formação de base. Sem isto os árbitros jovens vão errar e muitos deles abandonam cedo demais a modalidade.

“Ser árbitro não é tarefa fácil! À menor desconcentração surge o erro. Nenhum árbitro convive pacificamente com o erro. Por isso se exige a máxima concentração antes e durante os jogos para o bom desempenho da função”, diz Fernando Ferrão, árbitro Elite de andebol.

Onde está a psicologia desportiva no campo da gestão da frustração e domínio da capacidade de errar sem prejuízo para o momento seguinte? Muitos árbitros depois de errar voltam a errar para ‘compensar’, sendo isto depois um ciclo e um mecanismo cognitivo negativo.

Senhores e jovens árbitros, comissões de arbitragem pessoas, pensem que um árbitro é um ser humano e com isso arrasta várias etapas do desenvolvimento, muitas delas caracterizadas pela imaturidade emocional.

Não ensinem nem deixem os árbitros combater essa imaturidade com arrogância e petulância.

O andebol já sofre com isso, todos os fins de semanas há árbitros jovens a não resolverem os conflitos emocionais com os outros agentes desportivos e com os próprios erros. Acreditem que nenhum de nós é imparcial, seja qual for a nossa função, pensem nisso e proponham-se a desenvolverem o vosso trabalho o melhor que saibam, mas com humildade. O andebol é espectacular, não deixem que estas pequenas coisas o façam ficar triste!

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Um comentário sobre “Arbitragem

  1. muito bom artigo! falei dele para meus alunos na escola, serve não só para o handebol como para todo esporte um grande abraço.

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