Uma boa equipe começa por uma boa defesa?

Quando falamos de esportes coletivos, é quase um consenso a seguinte afirmativa: “Uma boa equipe começa por uma boa defesa”.

No caso do nosso amado handebol, essa frase quase sempre está na boca dos professores e treinadores, independente da idade de suas equipes. Evidencia-se assim, um mito.

Mito não se discute, se aceita. Cria-se assim um paradigma.

Um paradigma como esse passa a ser algo tão intrínseco e aceito culturalmente no meio do handebol (e outros esportes coletivos), que ele passa a permear todas as ações desse ou daquele treinador, mesmo que ele não saiba disso.

Ao falar sobre a importância da defesa, de maneira emergente a um processo de ensino, muitas atividades de cunho defensivo terão grande volume de repetições dentro de um planejamento.

Se defender bem garante uma boa equipe, treinar-se-á defesa como nunca! Pois ali está a chave para o sucesso de uma equipe.

Minha opinião? Vamos a ela:

Quando em um planejamento de ensino e treinamento de handebol tem-se como objetivo principal os conteúdos defensivos (já que eles realmente são um ponto de grande importância no processo de ensino e treinamento), os treinos geralmente se focam no acerto das ações individuais, de grupo ou de equipe que se restringem a vivenciar os três princípios operacionais do jogo defensivo descritos por Bayer (1994): (1) proteger o alvo; (2) impedir a progressão adversária; e (3) recuperar a posse de bola.

Até aí, nada de errado, pois a ação defensiva realmente deve compreende um, dois ou os três princípios. Geralmente, quando uma equipe se defende, um desses princípios se torna mais evidentes que outros, mas se o processo defensivo é feito de maneira completa, os três princípios estarão presentes numa ação defensiva: uma equipe, protegendo seu alvo, é capaz de impedir a progressão adversária visando recuperar a posse de bola.

Porém, pode ser que o professor, num determinado treino, queira apenas trabalhar defensivamente, a proteção de seu alvo, como por exemplo, com defesas fechadas e com pouca flutuação e combate aos adversários com bola; ou então a tentativa de impedir progressão adversária, através de defesas abertas, que dificultam ao jogador com bola ultrapassar duas ou mais linhas defensivas, como as defesas zonais 3x2x1 ou 3×3, por exemplo.

É tudo uma questão de escolha para o objetivo daquela sessão de treinos.

Isso faz emergir como matrizes de treinos, quando se pensa na organização e acerto defensivo, os famosos treinos de meia quadra.

Neles, uma equipe ataca por um tempo e outra equipe defende. Defende-se e ataca-se de maneira repetitiva, visando os acertos defensivos, questionam-se alguns pontos de dúvida, acertam-se erros, combina-se estratégias, em fim, os treinos focam-se exatamente nos três princípios apontados por Bayer (1994), com variações táticas, estruturais e estratégicas.

Não considero esse tipo de treino nem errado, nem certo, apenas INCOMPLETO. Essa é minha opinião.

Ao trabalhar com treinos de meia quadra, com certeza a equipe saberá defender-se muito bem, não há dúvidas, mas defender-se bem garante a vitória?

Muitos poderiam dizer: não tomar gols é o primeiro passo para o sucesso, confirmando o paradigma mote desse artigo: “Uma boa equipe começa por uma boa defesa”; mas volto a inquietá-los: defender bem, sem dúvida é importante, mas para vencer, o que se faz necessário a uma equipe?

Obviamente, fazer gols é a resposta. Para uma equipe vencer, ela tem que fazer gols.

Muitos completariam essa frase com a seguinte afirmação: Para vencer uma equipe tem que fazer gols e tomar menos gols do que aqueles que ele faz; evidenciando novamente a importância da defesa.

Logicamente, fazer mais gols do que sofrer é o caminho da vitória, e com certeza, um aspecto lógico do jogo, porém, apesar de parecer que sim, essa frase na realidade não corrobora com a afirmação paradigmática: “Uma boa equipe começa por uma boa defesa” quando defender é trabalhado pensando apenas até o momento da recuperação da posse da bola, como é muito comum nos famosos treinos de meia quadra.

Quando afirmamos: “para vencer, uma equipe tem que fazer mais gols do que sofrer”, abre-se uma porta para quebrarmos o paradigma tradicional de ensino, e fazermos cair por terra os treinos de meia quadra.

Para sofrer menos gols do que se faz, uma coisa tem que acontecer, a equipe deve deixar de sofrer um gol e imediatamente, fazer um, e depois disso, se o equilíbrio do jogo se mantiver, a equipe que deixou de sofrer um gol não mais perderá, apenas empatará na pior situação possível.

Porém, e se a equipe conseguir deixar de sofrer um gol e não conseguir fazer um gol, perdendo sua chance no ataque? Ela novamente terá que vencer defensivamente a equipe que ataca, para então, poder fazer um gol.

Logo, vejamos como é importante que a transição ofensiva (ou seja, da defesa para o ataque) seja eficiente, a ponto de garantir êxito e marcação de um gol depois de não ter sofrido um.

Quando afirmo que os treinos de meia quadra são INCOMPLETOS, assim como a frase título desse artigo o é, afirmo exatamente pelo fato de não ser considerado aquilo que é o verdadeiro diferencial do jogo: MARCAR GOLS.

Como possibilidade de superar os treinos de meia quadra, que até ensinam bem o momento defensivo, mas que pouco ensinam do momento que garante a busca da vitória costumo usar como filosofia de trabalho em minhas equipes a seguinte afirmativa:

“Uma boa equipe começa por uma boa defesa que esteja querendo sempre fazer gols”. Pronto! Agora a frase está completa.

Logo, em todos os trabalhos que realizo, sempre deixo como possibilidade à equipe que se defende a chance de sempre atacar quando da recuperação da posse da bola – seja antecipando um passe, ganhando um lateral, sofrendo uma falta de ataque ou através de uma defesa do goleiro ou tiro de meta.

Quem defende, sempre terá a chance de progredir para também marcar um ponto.

O que costumo criar são jogos em que a equipe que defende também pontua.

A pontuação não precisa ser um gol, mas pode ser conseguir progredir até o meio da quadra, ou até uma linha de referência após, ou antes, do meio da quadra; a pontuação também pode ser: 1 ponto caso a equipe realize; 2 ou mais passes até conseguir ultrapassar essa linha de referência; e 2 pontos caso realize apenas 1 passe para alguém que ultrapasse ou receba a bola após essa linha.

A ideia é clara: qual é a forma de fazer gol com maior chance de êxito? Chegar o mais rápido no gol adversário e com o mínimo de defensores para atrapalhar a finalização.

Outra forma de criar um estímulo para que a defesa sempre se preocupe em atuar ofensivamente, é criar pequenos jogos conceituais (para ensinar respostas de cruzamentos, ensinar conceitos de fixação par, ímpar e par ímpar, ensinar a ocupar espaços vazios) de 2×2, ou 3×3, no qual os alvos sejam muito próximos e ganhar a posse de bola garante uma boa chance de fazer um ponto, caso essa transição seja feita com rapidez.

Isso não tira o foco do trabalho, mas torna-o completo, pois uma equipe que só sabe se defender, até pode não sofrer gols, mas deixará escapar uma ótima oportunidade de marcar um gol após ter conseguido êxito na defesa.

Logo, se a filosofia de seu trabalho for: “Uma boa equipe começa por uma boa defesa que esteja querendo sempre fazer gols”, seu trabalho como professor/treinador também será diferente, valorizando as transições rápidas ao campo adversário e, podendo de maneira integrada, ensinar aos alunos a percepção de quando insistir e quando parar um processo de contra-ataque, sem que seja necessário criar jogos apenas para isso.

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6 comentários sobre “Uma boa equipe começa por uma boa defesa?

  1. verdaddde uma boa ekipe começa pela uma boa defeza

    isso ki meu treinador flar eu tenho apenas 14 anos

    mas já jogo o juvenil ki é de 16 ha 18

    e entro quando da mas sou titular do inflatil e jogo da armaçao e marco a base 3 pq sou grande eu acho

    si vc puder me da uma chanche em algum time posso mostra oke eu sei muito obrigado abraço pra todos

  2. Estou começando um trabalho com crianças ainda muito jovens e este artigo me ajudou muito na compreensão do jogo, logo ensinarei melhor.

  3. O Handebol é uma grande paixão da nossa juventude. Eu, conheci o handebol dm Goiás, na ESEFEGO, janeiro de 1969 e no dfia 09/09/69, na praça de esporte capitão Clovis, realizei em Boa Vista, Roraima o primeiro jogo da modalidade, com duas equipes mirins da escola Monteiro Lobato, de lá para cá, há cada dia tenho uma outra novidade. Depois continuarei.

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