Handebol Adaptado: Relato e Possibilidades Pedagógicas

Por Riller Reverdito e Ricardo Fragnan

Universidade Adventista de São Paulo Campus Hortolândia/IASP

Faculdade Adventista de Educação Física

Prezados amigos, saudações!

As possibilidades manifestas na prática esportiva são incomensuráveis e transcende aos limites de nossa compreensão. Sua capacidade de mobilização e transformação vai dos limites físicos a ascensão social. Temos diversas histórias em que o esporte transformou vidas. História de atletas que ultrapassaram o limite de seu corpo; os limites de sua mente. De maratonistas que correram ao máximo durante toda a prova, e, ao chegar a metros da linha final, correram além do seu máximo.

As histórias mais comuns geralmente estão associadas a atletas que no esporte encontraram grande ascensão no alto rendimento. Contudo, existem histórias de superação que caminham ao nosso lado. História de vidas transformadas. Nessas caminhadas tive o privilégio de conhecer o Ricardo que, além de aluno e amigo, é um ser humano inquieto. Nas palavras do grande lingüista Umberto Eco, uma pessoa disposta a buscar sempre algo a mais.

Pedi ao amigo Ricardo Fragnam, licenciado em Educação Física, para falar do esporte em dois âmbitos: pessoal – na transformação de vida; possibilidades pedagógicas – o esporte enquanto possibilidade sócio-educativa. Os parágrafos seguintes são contribuições de experiências vividas (relato de vida) e trazidas para a reflexão (possibilidades pedagógicas).

Antes de começar a falar sobre o handebol adaptado, gostaria de estar agradecendo a Deus e aos professores que contribuíram de forma significativa para minha formação acadêmico-profissional e de ser humano.

O handebol adaptado no Brasil é uma modalidade nova, considerando que seu surgimento aconteceu oficialmente no início do século XXI. O desenvolvimento da modalidade esta diretamente ligada a duas Instituições – Unicamp e Unipar, e aos professores Décio Calegari, José Irineu Gorla, Paulo Ferreira de Araújo, José Julio Gavião e Daniela Itani.

Em se tratando da minha história, no ano de 2005 sofri um acidente, no qual me deixou tetraplégico. Este foi um ano de muita tribulação e desconforto. Pensei que em certos momentos iria morrer.  Estava incapacitado de fazer coisas simples e corriqueiras, como me virar na cama sozinho.

Sendo um sonho anterior ao acidente, passei no vestibular e me matriculei no curso de Educação Física da Universidade Adventista de São Paulo Campus Hortolândia/IASP. Foi então que comecei, gradativamente, a encontrar inúmeras possibilidades que até então, devido à gravidade da lesão, pareciam impossíveis.

Conheci o projeto de Handebol Adaptado desenvolvido na Unicamp. Comecei então a participar e me relacionar com outras pessoas com a mesma Deficiência, e muitas vezes, ate piores.

O interesse pela modalidade então me levou ao trabalho de conclusão de curso de licenciatura em 2008 a estudar as possibilidades pedagógicas do esporte adaptado e o seu processo de ensino.

No trabalho de conclusão de curso chegamos à conclusão que ao jogar os participantes reconhecem suas limitações, assim como suas possibilidades, de modo a se tornarem mais cautelosos e desafiadores. Além do reconhecimento dos benefícios promovidos pela atividade física sistematizada e do ambiente facilitador para a sociabilização. Ou seja, no jogo você cresce; se conhece e se reconhece, além do enriquecendo do seu repertório motor.

O Handebol adaptado para cadeirante está dividido em duas modalidades: HCR7 e HCR4.

Handebol em Cadeira de Rodas 7: Essa modalidade é similar ao handebol de salão. Suas regras tiveram que ser adequada aos participantes, do manejo de bola ao ritmo trifásico, com o objetivo de torna o jogo próprio para a prática em cadeira de rodas.

Handebol em Cadeiras de Rodas 4: é similar ao handebol de areia. Nessa modalidade é possível o goleiro sair do gol para ajudar no ataque.

Abaixo segue tabela com as principais modificações e adaptações na modalidade. Contudo, em função do espaço que não nos permite desenvolver cada tópico, fica como sugestão para maiores esclarecimentos, o site: Handebol em Cadeia de Roda (http://www.hcrbrasil.com.br/189773/index.html); e o trabalho da professora Daniela Itani, Paulo Araújo e José Julio Gavião ‘Esporte Adaptado Construído a Partir das Possibilidades: handebol adaptado’ (http://www.efdeportes.com/efd72/handebol.htm).

Modalidades

Regras Gerais

Adaptações

Violações Especificas

 

 

HCR4

-Jogadores

-Contagem de Gols

-Tempo de Jogo

-Gol Espetacular

-Goleiro

-Substituição

-Quadra

-Cadeira de Rodas

-Sistema de Classificação

-Materiais

-Violações fora da quadra

-Regras de Progressão

-Regra dos 3 segundos

-Faltas

-Cobrança dos Tiros

 

 

HCR7

-Handebol Indoor Tradicional

-Cadeira de Rodas

-Sistema de Classificação dos Atletas

-Materiais

-Violações fora da quadra

-Regras de Progressão

-Regra dos 3 segundos

-Faltas

-Cobrança dos Tiros

Tabela 1: Regras gerais, adaptações e violações, nas modalidades de Handebol Adaptado.

Fonte: Fragnan e Reverdito (2009, p. 451).

Enquanto possibilidades pedagógicas, o jogo permite ao jogador enriquecer seu repertório motor. Realizar ações que antes ficavam amarradas em seu mundo de fantasias. Apenas no seu imaginário.

O jogo permite ao jogador jogar e ser jogado pelo jogo.

As possibilidades de variações são inúmeras, quando consideradas as necessidades dos seus praticantes (tipo de lesão), de modo a tornar o jogo possível (adaptações).

Possibilidades de Variações Pedagógicas
Espaço de jogo: a superfície deve ser plana não havendo risco aos alunos, sendo de cimento suas formas e os lugares e suas dimensões, espaços grandes ou reduzidos, circulares ou retangulares.
O elemento bola: tipo do material: plástico, couro, sintético, pano, papel; forma, tamanho e peso: esférica, ovulada, sem forma definida, grande, pequena, leve.
Gol ou Baliza: forma, tamanho e características: retangular, circular, lineares, grandes, pequenas; situação determinada: vertical, horizontal, frente a frente em diagonais, móvel, fixa etc.; números: mais gols, diferentes objetos, diferentes formas de pontuação.
Participantes: pode ser feito em grandes grupos ou em pequenos grupos; masculino e feminino, iniciantes e iniciados. Equilíbrio numérico: igualdades, inferiores, superiores.
Regras: poderão ser modificadas em função dos objetivos, das características do grupo.

Figura 2: Análise das Possibilidades de Variações Pedagógicas Aplicadas aos Elementos Estruturais formais do handebol no processo de ensino.

Fonte: Adaptado de Reverdito e Scaglia (2009).

E sendo uma ocupação voluntária, estabelecida nos limites do tempo e espaço, permite momentos de alegria, instaurando uma nova realidade.  Uma realidade paralela, onde é possível se realizar, de se superar-se, do ponto de vista de marcas e resultados.

O esporte pode proporcionar uma rica troca de experiências vividas na prática do esporte adaptado. Desta forma, permitindo um olhar mais amplo para o ser humano; para uma concepção integral de desenvolvimento, com objetivos mais amplos e valorizando a condição humana, independente das limitações, sejam elas adquiridas ou inatas.

Handebol, antes de ser adaptado, é jogo jogado e jogante.

Referências Bibliográficas

FRAGNAN, R. O Handebol Adaptado para Cadeirantes: uma proposta sócio-educativa para o ensino e aprendizagem. 2008. Trabalho de Conclusão de Curso. (Graduação em Faculdade Adventista de Educação Física) – Universidade Adventista de São Paulo Campus Hortolândia/IASP.

FRAGNAN, R. ; REVERDITO, R. S. . O handebol adaptado para cadeirantes: uma proposta sócio-educativa. In: Congresso Internacional de Educação Física e Motricidade Humana e Simpósio Paulista de Educação Física, 2009, Rio Claro. Congresso Internacional de Educação Física e Motricidade Humana e Simpósio Paulista de Educação Física. Rio Claro: Revista Motriz, 2009. v. 15. p. 451-451.

ITANI, D. E., ARAUJO, P. F.; ALMEIDA, J. J. G. Esporte adaptado construído a partir das Possibilidades: Handebol Adaptado. Revista Digital, Vol. 1, Fac. 72, p.1-12, Buenos Aires, Argentina, 2004. Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd72/handebol.htm

REVERDITO, R.S.; SCAGLIA, A. J. Pedagogia do Handebol: jogos coletivos de invasão. São Paulo: Phorte, 2009.

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15 comentários sobre “Handebol Adaptado: Relato e Possibilidades Pedagógicas

  1. Olá! estou desenvolvendo um trabalho de pesquisa sobre HCR e gostaria de manter contato para ter mais informações, se possível!
    Desde já, muito obrigada!

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