Ideias acerca da associação entre a preparação física e tática no handebol.

Para muitos profissionais da pedagogia do esporte a principal dificuldade é associar as suas aulas com preparação técnica-tática aos conteúdos ligados a preparação física de seus atletas. Neste texto não será feita uma abordagem sobre vias metabólicas ou predominâncias energéticas dentro do desporto coletivo, mas tentaremos mostrar que o treino na iniciação esportiva pode ter vinculado em suas sessões todas as vertentes necessárias na formação do atleta, seja ela de caráter física, de desenvolvimento de habilidades motoras ou de preparação técnico-tática.

Vale lembrar que a partir do momento que esses atletas estão praticando regularmente os treinos eles já estão tendo adaptações referentes a demanda física do treinamento. Cabe ao treinador “programar” as suas diversas atividades e intervenções para adequar o tipo de esforço, densidade e volume para que ocorram as adaptações necessárias e no tempo especifico.

Também devemos pensar na especificidade da modalidade Handebol, em que ocorrem demandas de alta, média e baixa intensidade em um mesmo jogo, necessitando de capacidades de todas as musculaturas envolvidas em suas movimentações corporais, pois é considerado um esporte completo que utiliza uma alta combinação das habilidades motoras fundamentais do repertório motor humano.

Como não estamos referindo a especialização e sim a introdução ao esporte, temos que lembrar que mais importante do que a preparação física em si, está a formação geral do atleta. Por isso, associar a especificidade da modalidade ao aprendizado cognitivo e estratégico do handebol é de grande importância na elaboração das atividades.

Quando tratamos de iniciação esportiva para a formação dos atletas, temos que a preparação física destes atletas deve ser predominantemente de caráter geral, onde a ênfase está na preparação e coordenação de corridas, saltos, lançamentos, arremessos, de forma a associar as habilidades motoras do esporte à demanda físico aeróbia, porém já com introdução ao treinamento anaeróbio moderado. Neste caso, podemos associar a construção dessas habilidades a jogos, como mini-handebol, handebol de areia adaptado a quadra entre outros que trabalham a globalidade das ações motoras e físico-energéticas, junto a alguns trabalhos específicos de força, velocidade…

Em um trabalho de velocidade, por exemplo, podemos executar as ações de transição, seja ela ofensiva ou defensiva. Exemplo de atividade:

Dividir os alunos em duas equipes adversárias, que irão jogar normalmente, a cada arremesso ou perda da bola da equipe atacante, a equipe defensora só irá conseguir atacar se em uma ação de “contra-ataque” passar de uma determinada região da quadra definida anteriormente. Se a equipe defensora tiver sucesso passar a atacar, porém se falhar continuará defendendo e o ataque terá nova chance. Cada ataque efetuado com sucesso vale 1 ponto, enquanto que cada contra-ataque bem sucedido vale 2 pontos. Não há “momento de pausa” da atividade, pois a recuperação será ativa, nos momentos de ataque e defesa posicionados. Se o professor perceber que existem alunos que não estão correndo, ou que a ação está limitada a alguns jogadores, ele poderá reduzir o número de jogadores e dividir o espaço da quadra para que 2 ou 3 grupos distintos façam a mesma atividade.

Outro exemplo: Sabemos que para adquirir adaptações de força, o atleta precisa realizar esforços de grande intensidade, volumes menores com recuperação suficiente para repor os estoques de ATP/CP. Neste caso, poderíamos especificar um trabalho de força para membros superiores, usando uma bola mais pesada em um exercício em que se trabalhe um jogo de 2X2, sem finalização, onde a dupla faça passes entre si com o objetivo de manter a posse de bola, enquanto a outra dupla tenta reaver a bola para si. Alguns detalhes são importantes para este jogo, como executar a ação com uma ou duas mãos, o tempo que o aluno pode ficar com a posse de bola. Isso vai ser dependente do tipo de estímulo que está planejado para a ação. Os momentos de intervalo podem ser determinados pelo professor, onde serão feitas as correções e considerações acerca do aprendizado deste jogo.

Nestes exemplos podemos visualizar atividades voltadas para o jogo e a partir dele estaremos promovendo a ação tática tanto individual quanto coletiva, bem como os princípios do desenvolvimento das ações inteligentes dos jogadores, e também trabalhando com as demandas físico-energéticas especificas da modalidade, de maneira geral, porém dentro das especificidades do esporte em questão.

Cabe lembrar que na formação não estamos visando o rendimento máximo destes alunos, e sim a adaptação para que posteriormente ocorra um trabalho mais efetivo e direcionado para os atletas.

Enfim, este não é um texto para discutir questões do treinamento físico, mas sim de como ele pode estar sendo aplicado no contexto dos jogos desportivos coletivos, uma vez que há tantas controvérsias a respeito da especificidade das modalidades em questão.

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4 comentários sobre “Ideias acerca da associação entre a preparação física e tática no handebol.

  1. Ola professora Tatiana,

    No intuito de colaborar na construção de uma discussao acerca da modalidade handebol, nos seus aspectos, fisicos e táticos, trago aqui a minha colaboaração critico construtiva, para que, possamos fundamentar mais ainda a nossa prática docente.
    Falar de preparação fisica, como o nome ja diz, é preparar o individuo de forma sistematizada para uma carga de treinamento, respeitando é claro os principios da especficidade, sobrecarga e reversibilidade. Mesmo se tratando do trabalho de base, concordo com a opinião de que no jogo propriamnete dito vc consegue uma adaptação para esforços exigidos na modalidade, mas quando se fala em valências fisicas, citadas no texto, como saltar, correr, lançar e arremessar, ja estamos tratando de algo especifico e para que se tenha qualidade na execução desses movimentos, que sao corrigidos no trabalho de base, para que o atleta/aluno tenha melhor qualidade na execução dos mesmos quando atingir as categorias maiores, é necessario periodizar e sistematizar. NO jogo vc apenas constroe um repertorio motor atraves das vivencias, servindo como subsidio para exercicios “especificos” no treinamento tático/fisico nas ações “especificas” durante o jogo, mas não se consegue treina-los de forma especifica. Quando se fala de adaptação geral, estamos no referindo às adaptações neuromusculares de forma geral, e nao especificas nas suas valencias, sendo que as valencias citadas acimas são especificas, como treina-las sem ter controle de intensidade, volume de treinamento? Então fica aqui meus questionamentos em relação a relevante discussão pautada.

  2. Olá Thais, que bom ter comentários de quem está estudando esta questão.
    Concordo que o treinamento, seja ele físico ou tático deve ser sistematizado, com seus devidos principios. Por isso, antes de mencionar as questões abordadas colocamos que – “Cabe ao treinador “programar” as suas diversas atividades e intervenções para adequar o tipo de esforço, densidade e volume para que ocorram as adaptações necessárias e no tempo específico”.-
    Não estamos falando de jogos aleatórios, muito menos de sessões isoladas de treinamento. Estamos falando da associação dos elementos. É muito comum a crítica ao trabalho pedagógico com jogos, pois muitos não o aplicam de maneira pensada, acham que o jogo é só criar uma brincadeirinha e jogar. Não é assim. O jogo também pode ser programado, a unica diferença é que você não vai determinar, por exemplo, quantos passes em tantos segundos para o atleta, mas o volume e intesidade (duração, carga, tempo de recuperação…) estarão adequados ao período Especial do treinamento para que os ganhos ocorram no período específico (competição).
    Quanto aos elementos de arremesso, saltos etc. eu realmente acredito que a prática que proporcionará a melhora e não a repetição. Um atleta não precisa arremessar dez vezes seguidas para chegar a perfeição, mas ele precisa sempre estar em execução da tarefa e ser corrigido durante as execuções para melhor apurar a técnica dentro do seu contexto específico, mas não precisa ser um arremesso seguido do outro.
    Não há nada mais especifico do que a competição, e no handebol nós competimos jogando. Logo, o jogo é altamente especifico, e para sistematiza-lo não precisa ser aplicado de forma global, podemos reduzi-los, “corta-los” em diferentes momentos dando ênfase a um aspecto especifico mais necessário e de acordo com a periodização e programação do treinamento.
    Mais uma vez agradeço o seu cometário, ele foi importante para esclarecer alguns itens que não estão no texto e para fomentar a discussão de ideias acerca da modalidade.

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