Dedo de Prosa!

Por Riller Reverdito

Universidade Adventista de São Paulo Campus Hortolândia/IASP

Faculdade Adventista de Educação Física

Prezados amigos, parceiros de luta no handebol, que bom voltar a esse espaço. Que bom chegar à mesa para um ‘dedo’ de boa prosa. Como amantes do jogo de handebol, o assunto posto a mesa não poderia ser outro: o handebol!

Quando aludo à palavra prosa, me adentro ao sentido de falar na forma alheia as agarras coloquial. Alheia aos bancos de títulos acadêmicos de quem fala ou escuta. Alheia ao tempo. Até porque, em boas rodas de conversa, a hora passa que nem percebemos.

Recordo-me de boas rodas de conversa em final de tarde. Conversas de adolescentes ou de pessoas mais vividas são verdadeiros jogos de argumentações. De ‘disse que me disse’. De ‘acho que é’. De conversas simples.

E, dessa forma, queria ‘prosear’ um pouco. Mas para isso, preciso ter os amigos? Opa!!!.. os amigos já tenho.

A prosa, ou melhor, o ato da prosear, só é bom onde existe duas ou mais pessoas reunidas. Agora, só falta o assunto ou fatos, capazes de alimentar a peleja (de vários ‘acho que é…’) da prosa. Por isso, vou me concentrar em incitar alguns (espero que bons) motivos.

O handebol no Brasil, assim como outros esportes (inclusive o futebol), é regionalizado, principalmente no que tange aos recursos e demandas para sua promoção. Por exemplo, a realidade do handebol no estado de São Paulo é significativamente diferente da realidade do handebol no estado de Rondônia. Em alguns estados, como São Paulo, o regionalismo fica ainda mais evidenciado dentro do próprio estado (handebol da capital e do interior) ao considerar o número de equipes participantes nos eventos promovidos pela Federação Paulista de Handebol do interior e da cidade de São Paulo e região metropolitana, como: Torneio Revelação, Campeonato Paulista Infantil e Cadete.

Para suscitar prosa: como o handebol tem sido promovido em sua região (região, estado, cidade, bairro, escola)? Algum órgão oficial (liga regional, federação, confederação, secretária de esporte…) tem assumido a responsabilidade de promover eventos (jogos, festivais, campeonatos)? Em quantos eventos você participou (jogando ou assistindo) em todo o ano de 2008? Em sua opinião, de quem é a responsabilidade de promover esses eventos?

No ano de 2008 chegamos ao ‘VII Encontro Nacional de Professores de Handebol das Instituições de Ensino Superior Brasileiras’. Esse evento surgiu com o objetivo de capacitar os professores das cadeiras de handebol das Instituições de Ensino Superior para o ensino/formação dos graduandos nos cursos de Educação Física, incentivar a produção de trabalhos didático-científicos e divulgar/publicar o material produzido junto à comunidade acadêmico-profissional.

Em 2007, a Professora Carla Verginelli, estudou cinco dos principais periódicos científicos indexados a CAPES, com o objetivo de verificar quantos trabalhos foram desenvolvidos na modalidade de handebol ou que tivesse como palavra-chave handebol, no período entre 2004-2007. Verificou que no período de 2004-2007 tivemos apenas 1 (um) trabalho.

Para suscitar prosa: ao que se destina esse evento, o objetivo tem sido alcançado? E os professores que já trabalham com handebol e não estão em Instituições de Ensino Superior estão se capacitando? Em sua região foi oferecido algum tipo de curso de capacitação em handebol? Houve algum tipo de mudança em relação ao número encontrado pela professora Carla?

Atualmente, percebemos um esforço significativo dos órgãos oficiais em projetos de Caça Talentos e em Seleções Permanentes. Contudo, o professor Juan Garcia já alerta há muito tempo para o fato de que uma modalidade que tem por objetivo se desenvolver, dizendo que não poderá ficar presa apenas ao auto-rendimento. Ou seja, a uma única frente de promoção. Uma situação que já nos bate a porta é a perda de espaço (praticantes) para esportes urbanos, radicais e atividades de aventura na natureza. Essas modalidades diferem significativamente dos esportes institucionalizados pelo fato de suas regras serem flexíveis, utilizar espaços alternativos e gerar um espírito de aventura ou risco controlado.

Para suscitar prosa: quantos jogos de handebol você conseguiu assistir nos últimos meses em TV aberta (no Brasil, a cultura midiática se reduz quase sempre a uma única modalidade)? Existem clubes/equipes suficientes no Brasil com estrutura capaz de receber jogadores diferenciados?

Como disse: esforcei-me para suscitar motivos para boas prosas. Por enquanto ainda são prosas. Contudo, da prosa espera-se, como em Heraclitus “Não há nada permanente, exceto a mudança”. E nada melhor que uma roda de prosa.

Opa, uma última coisa para começar 2009 nesse espaço. Pedido as nossas Seleções: ao chegar de alguma competição internacional, parem de dizer ou justificar os resultados (que não são ruins) dizendo que a participação foi importante para ganhar experiência. Fica mais bonito dizer que perdemos para os melhores; que é uma verdade. Que precisamos trabalhar mais.  Sucesso as nossas seleções!

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