Tudo a Ver com Handebol

Por Riller Reverdito

Universidade Adventista de São Paulo Campus Hortolândia/IASP

Faculdade Adventista de Educação Física

O brasileiro é reconhecido no mundo inteiro por diversas coisas, dentre as quais, pela sua ginga, pelo seu jeito moleque risonho e ‘menino maluquinho’ de ser criativo, como na obra do mineiro Ziraldo. Pela ginga poética de Carlos Drumond de Andrade. Na ginga crítica e irônica de Ariano Suassuna. Nas curvas livres de Oscar Niemeyer, em que, até mesmo o vento se esquiva. No andar da garota de Ipanema de Antonio Jobim e Vinícius de Moraes, cheio de balanço. Na Capoeira Angola, de ginga maliciosa do mestre Pastinha.

Mas, afinal, o que tem a ver o ensino do handebol com Ziraldo, Drumond de Andrade, Suassuna, Niemeayer, Antonio Jobim, Vinícius de Moraes e a capoeira maliciosa do Mestre Pastinha? Tudo! O jeito brasileiro de gingar. E não vejo o ensino do handebol diferente do jeito brasileiro de ser.

Na capoeira a ginga é tida como uma malicia utilizada pelo praticante na roda, para enganar e distrair o adversário, para então deferir um golpe. Peço licença ao leitor para descrever de forma literal Mestre Pastinha falando dessa arte: “o capoeirista lança mão de inúmeros artifícios para enganar e distrair o adversário. Finge que se retira e volta-se rapidamente. Pula para um lado e para outro. Deita-se e levanta-se. Avança e recua. Finge que não está vendo o adversário para atraí-lo. Gira para todos os lados e se contorce numa “ginga” maliciosa e desconcertante. Não tem pressa em aplicar o golpe, ele será desferido quando as probabilidades de falhar sejam as mínimas possíveis”.

A partir do encontro com essa celebre exploração de Mestre Pastinha, não pude deixar de concluir que os professores (me incluo nesse grupo) de handebol precisam conhecer mais do jeito ser brasileiro. Da ginga brasileira.

Na verdade, Mestre Pastinha talvez nunca tenha percebido que nas entrelinhas de sua exploração nos deu uma verdadeira aula de handebol. No engajamento, por exemplo, o jogador ataca no espaço entre dois defensores e no mesmo instante finge que se retira e volta-se rapidamente, avança e recua, provocando constantes desequilíbrios na defesa. Do mesmo modo, o defensor responde utilizando outro artifício: finge que não esta vendo o adversário para atraí-lo para sua armadilha, com o objetivo de recuperar a bola ou impedir o arremesso.

Na finta ou fixação, o jogador com bola ou sem bola, faz uma parada brusca, pula para um lado e para o outro ou gira para todos os lados e se contorce. Uma ação desconcertante para o defensor, resultante de mudanças de ritmos e trajetórias.

O ataque precisa conservar a bola no ataque e não pode ter pressa em aplicar o arremesso a baliza. O arremesso terá de ser deferido quando as probabilidades de falhar sejam as mínimas possíveis.

O handebol é um jogo de malicias, cheio de ginga e balanços desconcertantes, de curvas livres e movimentos ritmados. Uma arte moleque; risonha, jogada por um ser criativo. Por isso, o handebol não é um jogo apenas de pernas que correm, saltam e equilibram-se. Não é um jogo apenas de braços e mãos que arremessam, bloqueiam e manipulam a bola.

Argumentei no texto anterior que o handebol é uma modalidade de fácil aprendizagem, pelo fato de seus fundamentos específicos emanarem da combinação de múltiplos movimentos, dos quais derivam diretamente do andar, correr, saltar e arremessar. O problema é que muitas vezes insistimos em ensinar de forma complicada o que é simples. Insistimos em ensinar o jogo como ele não é.

O handebol é um jogo no qual o jogador se depara com constantes situações das quais exige de sua capacidade de antecipação, tomada de decisão,  de analisar risco, velocidade de ação, velocidade referida a bola e habilidade técnica de natureza aberta, e a de cooperação.

A partir das características e dinâmica do handebol, tenho defendido alguns princípios e procedimentos, tanto para as aulas de Educação Física e Escolas de Esportes:

  • A lógica didática deverá estar subordinada a lógica do jogo: só posso ensinar o jogo a partir de uma metodologia sustentada no jogo. Ensinar o jogo como ele é. No entanto, não significa dizer que deveremos ensinar o jogo pronto, dentro de sua estrutura formal. Significa dizer que devemos ensinar o jogo orientado pela sua dinâmica e funcionalidade.
  • Método deverá ser adequado as necessidades do aluno: cabe ao professor conhecer o nível de conhecimento do aluno na modalidade, tanto em relação ao seu período de desenvolvimento e em relação ao seu nível de experiência/vivência motora.
  • Família dos jogos com bola nas mãos: quando maior a gama de possibilidades, ou seja, de jogos e brincadeiras com a bola nas mãos vivenciadas em aula, maior serão as possibilidades desse aluno, fora no ambiente de aula, jogar handebol. A idéia de família dos jogos com bola nas mãos, inicialmente defendida pelo professor Alcides Scaglia em sua Tese de Doutoramento “Jogos com bola nos Pés: todos semelhantes, todos diferentes”, é que todos os jogos têm elementos que os permite relacionar dentro de uma família, com parentescos mais próximos ou mais distantes, como: queimada (arremesso, alvo, cooperação, adversário, zona proibida) ou pique-bandeira (invasão do atacante na zona defensiva, bloquear o atacante), dentre muitos outros, em que os conhecimentos adquiridos podem ser transferidos para o handebol formal.
  • Gestão do jogo a partir dos elementos da estrutura formal e nível de jogo: qualquer modificação provocada na estrutura formal do jogo (espaço, o elemento bola, gol, participantes e regras) provoca uma série de mudanças na funcionalidade do jogo. Por exemplo, se diminuirmos o espaço de jogo e aumentamos o número de jogadores no mesmo espaço, teremos mudanças significativas sobre a forma de deslocamentos dos jogadores, nos tipos de passes, na marcação. Entretanto, o professor terá a função de gerir o nível de complexidade que irá surgir no jogo. Ou seja, se o jogo/brincadeira proposto for muito complexo, os alunos poderão logo desistir do jogo por não conseguir jogar. Do mesmo modo, se for muito fácil, poderão não encontrar nenhuma motivação para jogar.

Análise Pedagógica

 

Grupo/turma: 5ª Série

Conteúdo: passe/recepção e arremesso

Nas 5ª série ou 6º Ano, particularmente, todos adoram as aulas de Educação Física e querem vivenciar tudo. Entretanto, as turmas são heterogêneas, tanto em relação ao nível de experiências motoras, em relação a gênero e período de desenvolvimento (nessa idade ter 10 anos não significa necessariamente ter 10 anos). Para o professor de Educação Física certamente é um quebra-cabeça a ser resolvido. Nessa aula, em que o objetivo foi  estimular a habilidade para passar e arremessar, fazendo isso em deslocamento, a primeira atividade/jogo foi orientada para as habilidades individuais. ‘Quem quer ir para o gol? Eu…eu…eu professor’. Pedimos para que os alunos se organizassem em duplas e então se posicionassem no final da quadra. ‘O objetivo dessa brincadeira é que, sem deixar a bola cair no chão (se cair volta no início), dando no máximo três passos com a bola dominada, fazer o maior número de gols’. Logo que o jogo começou, para evitar possíveis erros de passe, as duplas se aproximaram, ao ponto do passe quase não existir. Desse modo, foi necessária a intervenção do professor na gestão do jogo. Então foi limitada a distância em que eles poderiam estar se aproximando. Com o desenrolar da atividade, fomos aumentando gradativamente à distância. Contudo, não limitamos a possibilidade dos que apresentavam alguma dificuldade de participar em função do nível de experiências ou conhecimento da modalidade. Para cada distância (em relação à largura da quadra em que acontecia a troca de passes) foi estabelecida uma pontuação, ou seja, quem realizada passes mais longos e ao efetuar o arremesso fazia o gol, recebia uma pontuação maior. Essa mesma atividade/jogo foi feita em grupos com três alunos. A aula foi fechada com uma atividade orientada para as habilidades coletiva, contudo a ênfase ainda estava sobre o passe/recepção e arremesso. Foi proposto um pequeno jogo de handebol de 3 X 3. No pequeno campo e na quadra, foram feitos diversos gols utilizando cones ou tijolos. Como os gols não tinham o travessão, os alunos propuseram que o arremesso para ser considerado válido, deveria tocar o solo (arremesso ratificado) antes de entrar no gol. Também, orientamos que aquele que fizesse o arremesso e terminasse em gol, deveria ir para o gol de sua equipe.

 

Considerando as características do jogo e da aula do Mestre Pastinha, defendo que temos de ensinar o handebol em que o jogador possa ser menino risonho e maluquinho de ser criativo de Ziraldo; atacante com a ginga poética e crítica de Carlos Drumond de Andrade e Ariano Suassuna, ao antecipar e tomar decisões no jogo; defensores com a mobilidade  das curvas livres de Oscar Niemeyer e com o balanço de Antonio Jobim e Vinícius de Moraes.

Assim, quem sabe, poderemos ter mais jogadores capazes de jogar com a ginga maliciosa do jeito ser-brasileiro.

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11 comentários sobre “Tudo a Ver com Handebol

  1. waleeeeeeeu!!!!!!!!! cara vc leu os meus pensamentos e adivinhou o que eu precisava show de bola o artigo vou tira uma notaçaaaa no colégio,brigadão e parabens.

  2. O handebol é um jogo rápido e vibrante, considerado o esporte coletivo mais rápido do mundo.

    em 1936 onde primeiro jogo de handebol foi realizado em uma Olimpíada realmente inesquecível. Mas saiba também que o jogo teve diversas mudanças conforme o tempo foi passando, por ser um dos jogos mais antigos de todo o mundo.
    A quadra é de forma retangular: compreende uma superfície de jogo e duas áreas de gol e mede 40m de comprimento e 20m de largura.
    Os grandes lados são chamados linhas laterais; os pequenos, linhas de gol. O estado da quadra não deve ser modificado de forma nenhuma em benefício de só uma equipe.

    Para equipes masculinha e femininas de mais de 18 anos, a duração do jogo é de 2 X 30 minutos com 10 minutos de intervalo.

    espero ter te ajudado.boa sorte!

  3. o handebol e um jogo e que se joga sei la como se jogo por isso temos que tentar jogar ………………..
    ajudei bastante ne ………………
    bjs………..
    se pressisarem de ajuda entra no meu site

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