JOGOS X TÉCNICA: Tão distintos quanto pensamos?

Inicio este texto com uma pergunta aos colegas: Quantos de nós, ex-atletas, não tivemos nosso primeiro contato com o handebol na escola com um exercício de natureza técnica?

Esta questão me leva a outra pergunta: Quanto esse exercício efetivamente o auxiliou no aprendizado sobre o handebol como um todo?

Quando me refiro ao “handebol como um todo” penso neste esporte com todas as suas possibilidades de execução, ou seja, penso nos princípios estratégicos e táticos, nos fundamentos técnicos, na compreensão do jogo, no trabalho coletivo dos alunos, nas regras. Enfim, como é possível que um aluno compreenda o que é handebol se sua prática limita-se a arremessos e a execução de trifásicos? Não discordo dos colegas quando dizem ser estes elementos importantes para o bom andamento do jogo. Sim eles são. Mas, o primeiro passo para a execução do handebol como um todo é fazer com que o aluno entenda seus princípios lógicos e estratégicos dentro do jogo desportivo coletivo. O que adianta dar a serra ao marceneiro se ele não souber como serrar? O que adianta oferecer uma técnica perfeita de arremesso a um aluno se ele não saberá qual o momento de utilizar?

Na época em que assumi pela primeira vez uma equipe de handebol, na categoria juvenil, percebi que muitas atletas conseguiam executar bons arremessos, tinham uma boa conduta eu-bola e eu-bola-adversário (ou como alguns preferem um contra um), porém, no jogo formal, não conseguiam resolver problemas simples do jogo, como exemplo, saber “aproveitar” a superioridade numérica. A partir daí, essas meninas de, em média, 17 anos, precisaram “brincar” para suprir uma defasagem significativamente relevante em seus processos de ensino.

Quando menciono brincar, me refiro a pequenos jogos que trazem elementos fundamentais da tática e estratégia os quais também pertencem ao jogo de handebol, os quais fazem com que o aluno pense sobre como resolver problemas, como jogar com superioridade ou inferioridade numérica, como provocar deslocamentos da equipe adversária e abrir espaços favoráveis para alcançar seu objetivo no jogo, como fazer trocas de posições sem que a estrutura da equipe seja prejudicada a ponto de desorganizar a distribuição dos jogadores, como preencher os espaços vazios em quadra, sem que perca a linha de passe. Enfim, pensar no sistema do jogo entendendo que a sua ação não é isolada, e que ela concretiza uma série de reações dentro desse mesmo sistema.

Como fazer tudo isso? Direcionando jogos como o pega-pega, pique-bandeira, alvo-móvel, nunca três e uma infinidade de outros jogos e brincadeiras em que regras e fundamentos podem ser colocados em seu meio propiciando uma aproximação com o handebol.

Mini-jogos, joguinhos adaptados, com número reduzido de jogadores, espaço delimitado com outras formas, tipos e metas, outras modalidades do handebol, como reduzir a quadra ao mesmo espaço e regras do handebol de areia, por exemplo, são meios que permitem que o aluno execute a técnica dentro do sistema de lógica do jogo, aproximando-o do jogo formal.

Na verdade, o meu intuito aqui é compartilhar com aqueles que ensinam handebol a importância que existe no aprendizado cognitivo de seus alunos. E como jogos e brincadeiras direcionados ao ensino do handebol podem ser, no processo de iniciação, mais efetivos para o aluno do que a técnica em si. Sendo que, por sua vez, a técnica poderá ser requisitada a partir desses jogos, conforme a necessidade do aluno em executar as tarefas propostas, e assim irá desenvolver-se de maneira conjunta no sistema intrínseco dos jogos, logo, o aluno além de aprender o gesto também irá aprender como usá-lo e em que momento ele será melhor aproveitado dentro do contexto. Enfim, direcionar o aprendizado do aluno a partir do jogo simples para o jogo complexo.

Ou seja, mesmo utilizando-se de uma metodologia baseada em jogos, formando alunos que pensam sobre a tática e estratégia do jogo, também estaremos promovendo ao aluno uma aprendizagem técnica (informal), não focada, mas de grande relevância para a sua formação. Afinal, dentro desses jogos existem elementos técnicos, como saltar, arremessar, passar, driblar, fintar…

Sei que às vezes essas idéias parecem mais difíceis de realizar, pois este é um caminho mais longo, demanda mais tempo para acontecer. Sei também que muitas equipes (de categoria de base) não têm tempo para esperar este resultado, e por isso, acabam definindo o aprendizado tecnicista pela resposta “mais rápida” que esta metodologia proporciona.

Mas vamos pensar nos resultados futuros. Vamos compartilhar e discutir as experiências com as diversas metodologias de nossos profissionais e pensar no que será melhor para os nossos alunos e, talvez, futuros atletas. Afinal, quantos começaram na escola?

Enfim, este texto é uma introdução de idéias sobre o ensino do handebol, de como o jogo permite uma infinidade de intervenções no aprendizado do aluno, de como esta ferramenta pode ser efetiva ao longo da vida de um atleta.

Anúncios

12 comentários sobre “JOGOS X TÉCNICA: Tão distintos quanto pensamos?

  1. Tathy, muito bom texto. Estou escrevendo um artigo em que defendo a formaçao de jogadores inteligentes ( em JECde invasao, mas sou do handebol). Aplico isso e nao podemos esquecer q o Jordi faz isso com os nossos olimpicos na seleçao masc., e o Juan na fem tb. 1 parte de todo treino é um jogo adaptado. Espero poder entrar em contato contigo pra trocarmos ideias.
    Forte abraço
    Diogo Castro – de SP capital

  2. OI gente , muitoO boa a materia (o artigo) , e principalmente pra quem tem o HANDEBOL na Veia né, tipo eu , e muitos de vcs !
    parabénssS !!
    bjO , sucesso pra vcs !

  3. Oi Lucas, estou concluindo minha monografia sobre sistemas defensivos do handebol. Se tiver algum artigo mande por favor.

    Um abraço

  4. o q vcs acham de um treinador q consegui “destruir” e desanimadar um atleta q deu a vida pra tentar defender seu time.

    A esperança q eu tive de me profissinalizar no handebol acabo com a esperança q a ex treinadora tiro de mim!!!

    ai eu penso sera q eu tinha q dar maiss de mim.qnts coisas eu perdi pra ir no treino…….mtos flavam q eu jogava bem mais se eu jogava pq ela tiro isso de mim?!

  5. Estou fazendo um trabalho sobre o defesa do handebol entre alunos de 15 a 16 anos se alguem tiver qualquer tipo de material que possa me ajudar desde ja agrade.

    1. Sirlene, tudo bem ???

      Vc consegui fazer esse trabalho de defesa de handebol p/ alunos de 15 e 16 anos?

      Eu tb estou fazendo um trabalho desse tipo. Caso vc fez, teria como passar ele para mim ou um lugar onde vc consegui fazer-lo.

      Obrigado,
      ILAN

  6. Porque vocês não colocão sobre o Handebol, para os alunos que precisam de trabalho escolar conseguirem um site facil e pratico para pegar sus duvidas !

    mas também deixar esse assunto sobre esses times que vocês patrocinão!

    Obrigado, por lerem meu comentario. E obrigado pela atenção(!)

    [8)]

  7. SAUDAÇÕES À TODOS(AS)!

    Após me deparar com as reflexões aqui lançadas, na tentativa de enriquecer ainda mais nossos posicionamentos, lanço a oportunidade de vcs lerem o Livro de nosso Amgio Sávio Assis de Oliveira. Lá ocorre, também, uma discussão MARAVILHOSA sobre todo o universo que permeia a prática do Esporte como um todo.

    AbRaÇos FraTerNoos!

  8. preciso criar atividades pra iniciaçao especifica do handbol pra crianças de 7 aos 12 e iniciaçao de apredizagem..
    porem não pod existir..uma coisa quase que impossivel

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s