Também jogamos handebol!

Por Riller Reverdito

Universidade Adventista de São Paulo Campus Hortolândia/IASP

Faculdade Adventista de Educação Física

Há quem diz que no Brasil só se joga futebol. Como diria o professor Nicolau: ‘ledo engano’! Também jogamos handebol.

E pra sustentar essa afirmação, peço licença ao amigo leitor para fazer um relato e do relato uma homenagem e da homenagem uma  reflexão pedagógica.

Minha história no handebol certamente começou igual a muitas outras histórias de outros handebolistas. Era um garoto com 10 para 11 anos de idade, em uma pequena escola pública no interior do Estado do Mato Grosso. Era uma tarde de sol intenso, por volta das 14h00, e estávamos todos à porta da sala de aula esperando o professor de Educação Física, conhecido por todos popularmente como Toninho.

Nesse dia o professor depressa fez a chamada e logo nos disse que deveríamos ir para a quadra. Nem mesmo deu tempo de terminar de dizer ‘todos para a…’, já saltávamos de nossas cadeiras e avançando em direção a porta logo nos deleitávamos em euforia, brincando de pega-pega, correndo uns atrás dos outros. No Mato Grosso a quem visse uma cena como essa, logo daria titulo a obra: ‘o estouro de uma boiada’.

A quadra era de cimento rústico e sem qualquer cobertura. Os pés acostumados há correr naquele espaço, quase sempre descalçados, sorrateiramente, enganava os pedregulhos e buracos para não saírem machucados.

Quase igual a nossa pressa em chegar à quadra foi ao do Professor, que logo nos chamou e pediu que ouvisse com atenção, porque naquela aula queria ensinar um novo jogo. Um jogo que nunca tínhamos visto.

Ainda que desconfiados e na ânsia para jogar futebol, todos pararam para ouvi-lo. Assim, quem sabe, não perderíamos tanto tempo com o novo jogo!

A primeira coisa que ouvimos era que esse jogo se jogava com a bola nas mãos. De imediato a resposta foi: “Ah professor, jogar com a mão! Isso é jogo de mulher”.

Ainda que decepcionados com o novo jogo, todos ouvimos atentamente: só pode pegar a bola com as mãos; pode dar apenas três passos com a bola nas mãos e não pode agarrar o adversário. Essas foram às primeiras informações. As primeiras atividades proposta pelo professor foram orientadas para a aprendizagem do arremesso e os três passos com a bola nas mãos (trifásico e duplo trifásico).

Passaram-se algumas semanas e veio o convite para representar a escola nos famosos jogos interescolares. Para um garoto de 10 anos era um sonho quase impossível, participar de um evento com status de Olimpíadas escolares.

Logo após os jogos veio o convite para treinar junto com os garotos que faziam parte da equipe que representava a cidade. Nossa! Treinar na equipe da cidade. Nem consegui dormir direito na expectativa de chegar o dia seguinte logo. A primeira aula é sempre a primeira aula. Não falamos muito e sempre achamos que tem alguém que, de inicio, não gosta da gente. Comigo não foi diferente.

O treinador era o prof. Amilto, que logo se dirigiu a mim e perguntou o que sabia sobre handebol e em que posição gostaria de jogar. Não tinha muito para responder, mas logo disse que gostaria de começar no gol. Pareceu-me ser a posição em que conseguiria ter maior facilidade (e não correria o risco chacotas de outros colegas), ou seja, era apenas não deixar a bola entrar no gol.

Minha primeira tentativa de fazer uma defesa foi decepcionante. A bola foi lançada direto em meu rosto, e não houve tempo suficiente nem de sair da frente ou mesmo de se proteger. Acredito que foi o dia em que tive certeza plena daquilo que não queria: não quero ser goleiro.

Passaram-se, entre 4 ou 5 anos, na qual o grupo de garotos que até então eram quase estranhos uns aos outros, chegava a uma final estadual. Era a final dos Jogos Estudantis Mato-grossense (JEM’s) de 1999 na cidade de Água Boa. Recordo-me até hoje do título de uma reportagem veiculada no jornal da capital: “Zebra no Handebol Masculino”.

A escalação daquela equipe era: na extrema direita tínhamos o e na esquerda o Capetinha ou o Nanico (eu), no centro o Vitor e Pocó, e na ala direita (armador direito) o P.O. (abreviatura de puro osso) e na esquerda (armador esquerdo)  Edir, de Pivô o Ruck (só não era verdade) e Beiby e no gol o tranqüilo Marcão. Ainda tínhamos os goleiros Aluísio e Claudemir (goleiro), Bufãozinho (extremo). Os treinadores eram o prof. Amilto, Admilson (o Cachara), Argentino e Eder.

E para mim, vivendo o sonho de um garoto no interior do Mato Grosso, essa foi a melhor equipe de handebol que conheci. Joguei com os melhores jogadores e tive os melhores treinadores. Só posso agradecer a todos que fizeram desse sonho uma realidade.

Logo após o jogo final e da eufórica comemoração (nem mesmo nós acreditamos que tudo aquilo tinha de realizado) ficou a certeza de uma história galgada dia após dias vividos plenamente. E a partir daquela aula com o prof. Toninho não me recordo de um único dia em que, de alguma forma, o handebol não esteve presente em minha vida. Desde os amigos que cativamos até minha escolha profissional.

Certamente, como já disse anteriormente, existem muitas outras histórias iguais a minha. Por isso além do relato e da homenagem, quero levantar algumas questões para suscitar algumas reflexões pedagógicas as quais quero debater em nossa próxima oportunidade:

(1)   O jogo: como ensinar handebol? Pergunta que qualquer professor frente ao desafio de ensinar um determinado conteúdo procura responder. Mas por onde começar e o que realmente é importante ser ensinado?

(2)   Handebol na escola: ouvimos constantemente que o handebol é uma das modalidades mais práticas dentro das escolas. Disso não duvido, mesmo porque comecei a jogar na escola e hoje sou professor na Educação Física escolar e sei do quanto os alunos gostam de jogar handebol. Mas pergunto: por que não encontramos crianças/jovens jogando handebol nas ruas, nas praças ou nas quadras, fora das aulas formais de Educação Física? Será mesmo que estamos ensinando nossos alunos a gostar de jogar handebol ou apenas ensinando-os a jogar? Que handebol estará sendo ofertado aos nossos alunos?

(3)   Formação dos Professores: os professores Toninho, Amilto, Admilson, dentre muitos outros, por todo esse Brasil, tiveram quantas oportunidade de participar de um programa oficinas para treinadores ou de ciclos de cursos em handebol?

(4)   Conhecimento: quantos livros tratam especificamente do handebol no Brasil temos publicado? Experimentem verificar quantos artigos tivemos publicado nas principais revistas de Educação Física e Esporte no Brasil que tratam especificamente do handebol em relação a outras modalidades (futebol, voleibol ou basquete).

E além da homenagem, aqui esta o outro objetivo dessa história: deixar claro que conheço a realidade que quero discutir nos próximos textos. Da realidade de professores e alunos que tem de vender rifas para viajar para uma competição ou comprar material pedagógico. Da realidade de professores que sofrem com o esquecimento  ou ausência de apoio pedagógico. De processos de ensino e aprendizagem que faz sucumbir sonhos.

Desse modo, vamos aproveitar esse espaço para compartilhar e debater a realidade do handebol no Brasil. Buscar propostas que possam fundamentar procedimentos pedagógicos para o ensino e aprendizagem do jogo. Dizer que jogamos handebol.

Sejam bem-vindos handebolistas!

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24 comentários sobre “Também jogamos handebol!

  1. Maravilhoso texto!!!! Parabéns Riller pelo esclarecedor, poético e crítico texto. E parabéns ao Lucas por criar este magnífico espaço de convergência das idéias da comunidade do Handebol

  2. POW N ACHEI UMA REGRA AE QUANTOS JOGADORES JOGAM NUMA EQUIPE E QUANTOS JOGADORES POÇAM JOGAR NUYM QUADRA Q AS VEZES FICAM AMCHUCADOS FALA AE!!!!

  3. Adorei o texto, Riller muito bom mesmo!
    Obrigada por nos ajudar na busca de conhecimento na área de Educação Física, pois muita gente ainda pensa que vamos para a faculdade para jogar, este tipo de site nos mostra que temos ainda muita coisa a se discutir!

  4. Olá Bruna. Muito bom verificar que o site está atraíndo os estudantes de educação física. Realmente a principal idéia dele é trazer à tona discussões sobre nossa pratica docente, e apesar de haver um maior foco no handebol, acredito que essas reflexões sejam úteis para a nossa área como um todo!
    Continue nos visitando e aguardamos comentários críticas!

    Abraços,

  5. Riller, parabéns pelo texto. Em nossas memórias e registros sobre práticas esportivas o handebol sempre estará presente, faz parte de uma cultura corporal/esportiva que ganha espaços na mídia e se prolifera pelas quadras da educação física. Bom seria ver um número bem maior de crianças na prática do handebol nas escolas…Renato

  6. Riller primeiramente parabens, por tudo q conseguiu e q tenho certeza q atravez da sua determinação vai conseguir em sua vida, e obrigado por tudo q representa p esta equipe de handebol e de amigos q citou em seu testo, e velho eu tb tenho história parecida com a sua e ainda mais q somos de Pontes e Lacerda-MT ai q me indentifico mais, e com isso é emocionante ver e ler isso e agradeço a Deus por vc. Obrigado amigo..

  7. Saudades desse time…mais graças a esse esporte nos tornamos as pessoas q somos hoje, e devemos nossa a amizade a ele…obrigado pela homenagem…abração meu irmão…..

  8. Ola!!

    Bom me Chamo Ingrid e gostaria de saber como faço pra ser uma profissional n handebol…Ja pratico este esporte a 5 anos e quero Muito participar da seleção d handbol Feminino, mas não sei como.

    grata

  9. Parabéns Riler pelo seu depoimento.
    Talvés não se lembre de mim mas eu sou a mãe do Zé que jogava contigo em Pontes e Lacerda MT.
    Continue dando apoio ao esporte nossos jovens precisam apenas de uma oportunidade.
    Fica com Deus.

    Eliete.

    Juara, MT

  10. PARABENS RILLER PELO SEU BELO TRABALHO,
    TIVE UMA OPORTUNIDADE NO HANDEBOL POR SUA CAUSA…ESPERO Q OUTAS PESSOA TAMBEM TENHAO
    UM GRANDE ABRACO DE CARA Q ADMIRA MUITO SEU TRABALHO

  11. meu nome e ana camiila e quero jogar handebol!!! quero uma oportunidade para alguem me ensinar e me ajudar a chegar onde eu quero!! quero um dia poder ser uma campi
    ã olimpica!!! por favor me ajude!!! meu tel 7611-4163.
    quero muito jogar mas preciso de um tecnico pra me ajudar!!!! tenho 19 anos!!!!!! por favor nao diga qu nao!!!

  12. Parabens meu amigo….
    Bom como a sua historia..tenho uma parecida..
    mas a minha ..
    vc é o ator principal…
    e muito do que aprendi no hand devo a vc..tb..
    afinal se tornou minha pxão….esporte pra toda a vida….

    parabens eplo seu trabalho…
    to orgulhosa….
    e meus pais tb ficariam…..

    um grande abraço e felicidades….

  13. parabens pela historia e pelos comentario.
    estou precisando de ajuda com um projeto para convencer
    algumas escolas de aceitar o handebol nos seus curriculo,
    escolares. algo que traga para os donos, resutado de midia
    e recusos. estou nessa vida a algun tempo tambem, faço o 5º periodo de ed. fisica. espero que possa me ajudar.

  14. Olá! Lucas

    Quero dizer q é bem bacana essa sua iniciativa,e gostaria de saber o q tenho q fazer pra conseguir q me aceitem em algum time de handebol,digo isso pq sou uma boa jogadora,já fui a melhor do time da escola,já fui artileira do meu time varias vezes,já ganhei um jogo num placar de 24 a 14 onde os 20 gools foram meus, só q msm tendo um curriculo assim, hoje acho mtos impecilios pra voltar a jogar,por conta da minha idade,tenho 25 anos,mas o handebol é a minha vida,se tem algo q penso q sei fazer direito é isso,jogar handebol…por favor me ajude,me endique algum time q tenha mulheres acima de 20 anos,nem q seja um time de mulheres q gostam de handebol só por esporte,bjs e espero q possa me ajudar

  15. Olá, apaixonados por handebol!!!!
    Eu amo esse esporte…tenho 19 anos e joguei por muito tempo em MG em campeonatos. O time da nossa cidade era muito bom. Mudei pra MT agora…e aqui ninguém nunca nem ouviu falar!!! Mas mesmo assim convidei algumas mulheres e começei um treino. É muito difícil ensinar algo que ninguém tem noção!!!! Mesmo assim tento duas vezes na semana passar um pouquinho do que eu sei!!!!
    Meu sonho é studar Educação Física…quem sabe ano que vem…..

    Se alguém tiver um conselho pra me dar… ou souber de alguma oportunidade em MT, por favor me avisem. Meu e-mail é samiasflauzino@hotmail.com;;;

    Abraço

  16. aqui lucas parabens pelo texto mas eu preciso de uma ajuda ou nem que seja uma orientação eu gosto muito de handebol e tive uma história parecida com a sua; meu grande sonho e jogar num time profissional mas aqui na minha região em minas é muito dificil se você pudesse me ajudar e me indicasse um time em minas ou outro estado eu ficaria muito grato
    antes de mais nada muito obrigado abraço!!

  17. Parabéns…
    È… Nossa historia é um pouco parecida… Minha paixão pela área veio a parti das aulas de Educação Física. Não joguei handebol, mais na minha adolescência sempre estive no meio do esporte (vôlei).Hoje formada em Educação Física, tenho total alegria e satisfação em trabalhar na aréa.
    Mais sem dúvida nem uma esse texto, nos inspiração em querer fazer diferente ou fazer a diferença….
    Reescrevendo as palavras do Riller… O que realmente estará sendo ofertado aos nossos alunos?
    Vamos refletir sobre tal pergunta.
    Perfeito o texto

  18. Quero ter uma oportunidade de jogar Handebol na seleção de Manaus. Mais não sei onde eles treinam só quero uma oportunidade…….

  19. oii para todos .. pratico o HANDEBOL a 5 anos.. sou goleiro.. moro em Paraiso. tenho 14 anos. i jogo pra minha cidade. ja jogueii em muitos campeonatos do meu estado o Tocantins.. meu maior sonhar ee representar meu país no HANDEBOL.. tenho bastante determinação seii bem oq eu quero na minha vida.. jente eu pesso por favor… preciso de uma Chance só…

  20. Bom, meu nome eh Joyce e eu tenhO 20 anos de idade!
    So gostraia de arrumar um time pra jogar hand feminino!
    Amo jogar! Mais naum axo lugar nenhum e nenhum time!
    Por favor, c tiverem , me avisem no email!
    Obrigada!

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