Festivais de Handebol III – Festival de Jogos Adaptados

Dando continuidade à discussão sobre a organização de festivais de handebol, dentro de uma perspectiva em que esses ambientes possibilitem a participação maciça dos alunos e também possibilitem um ambiente paradidático em relação ao desenvolvimento da inteligência de jogo dos alunos, este artigo focará agora sua atenção para a suposta terceira etapa de um processo de festivais. Esta etapa compreenderá o tema “Jogos Adaptados”.

1. Jogos Adaptados – Conceituação:

Jogos Adaptados se caracterizam como aqueles que trazem em si as características da modalidade formal bastantes presentes, compreendendo a maioria das regras da modalidade, mas por serem adaptados, possibilitam reconsideração de algumas dessas regras, para enfatizar um ou mais aspetcos centrais da atividade.

Caracterizam-se, por exemplo, com a utilização de mais de uma bola, variação do número e quantidade de alvos, de equipes que dividem a mesma quadra, número de componentes também varáveis, tamanho de quadra e etc..

Esse tipo de jogos torna-se excelente num processo de ensino do handebol principalmente em etapas mais próximas da especialização, mas, pensando num ambiente de ensino específico da modalidade, podem sem duvidas serem utilizados em todos processo, permeado, claro, por elementos de caráter geral, como os jogos coletivos de apelo popular (tratado no artigo Festivais de Handebol II).

2. Inventário de Jogos Adaptados que se relacionem com o Handebol:

Segue agora um rápido inventário de jogos adaptados que tenham relação com o Handebol, a fim de ilustrar possibilidade de atividades que podem ser realizadas em um festival pedagógico de handebol. Essas atividades compreenderão o aumento de elementos que compõe o jogo, mantendo a idéia de divisão das quadras propostas no primeiro artigo dessa série. (veja em Festivais de Handebol I)

2.1 Entregue a Bola ao jogador-alvo

Trata-se de um jogo bastante interessante para trabalhar os princípios do jogo ofensivo e defensivo, conforme explica Bayer (1992). Nele joga-se um jogo bastante livre que conta com a livre organização dos alunos em relação ao tipo de marcação, como proteger o alvo contra finalizações e formas de progredir com a bola e mantê-la em posse.

Segue abaixo uma forma possível de estruturar esse jogo:

Figura 1. Entregue a bola ao jogador-alvo

2.2 Jogo de Pivô

Trata-se de um jogo semelhante ao anterior, porém agora, um jogador adversário (em amarelo) poderá marcar o jogador-alvo bem de perto, até mesmo entrando em sua área. O jogador-alvo, para ter êxito terá que iniciar uma espécie de jogo de bloqueios e contra-bloqueios, elementos básicos do jogo de pivô.

Segue abaixo uma forma possível de estruturar esse jogo:

Figura 2. Jogo de Pivô

Jogos de Passes e Transição Ofensiva-Defensiva

É um jogo de 2 etapas: uma posicionada em uma região determinada da quadra e uma em transição entre as quadras.

Neste jogo, divide-se a quadra em 3 espaços cujos tamanhos irão variar de acordo com o interesse que o professor quer dar à atividade (ver figura 3).

Nas regiões mais à extremidade, deve-se propor um jogo de 10 passes que, quando atingidos por uma das duas equipes (que disputam a posse da mesma bola naquele espaço determinado), credencia essa equipe a entregar a bola para um jogador-alvo de sua equipe que está colocado do lado de fora da quadra (ver figura 3).

Figura 3. Jogo de Transição na Etapa Posicional

Nessa etapa se a equipe defensora recuperar a posse de bola, começa de novo a contar 10 passes e se a equipe que tinha conseguido os 10 passes perder a bola, zera sua conagem, tendo que começar de novo.

Caso uma das equipes consiga entregar a bola ao seu respectivo jogador-alvo, ela ganha 1 ponto e aí inicia a segunda etapa do jogo, que é transitar até a outra estremidade da quadra executando apenas 2 passes. Caso a equipe não consiga, ela perde a posse de bola. Caso consiga transitar com eficiência ela ganha mais 2 pontos e entrega a posse de bola para a equipe adversária que começará nessa outra extremidade novamente o jogo de 10 passes, reiniciando o jogo.

Figura 4. Jogo de Transição na de Transição

As equipes só podem deixar uma das áreas das estremidades caso a bola seja entregue a um dos jogadores alvo que estão fora da quadra.

Deve-se rodar os jogadores da quadra e de fora da quadra.

2.2 Jogo de Transição – Das Pontas Vale Mais!

Jogo semelhante ao anterior, porém agora há um alvo formado por 2 cones, que são os gols. Após 10 passes a equipe poderá ter a chance de transitar de uma quadra à outra e só vale fazer gol em situação que a equipe conseguiu fazer a transição.

Neste jogo, além do ponto marcado quando se entrega a bola ao jogador-alvo de sua equipe, a equipe que transita terá que tentar fazer o gol com apenas 2 passes. Porém, o gol pode ser feito atingindo de 1 a 3 pontos, sendo que se finalizar da região central e marcar o gol, marca apenas 1 ponto a mais, e se fizer mais do canto da quadra (das pontas) vale mais 3 pontos.

Neste jogo os jogadores-alvo viram goleiros quando o jogo está na fase de transição.

Figura 5. Jogo – Das pontas vale mais!

2.3 Jogo de mini-handebol, com goleiros

Mini-handebol, com mini-gols e um goleiro por equipe, rodando os goleiros. Os gols podem ser marcados com cones e uma corda unindo ambos, somente valendo gol baixo (nessa fase é importante mostrar aos alunos quando eles atuarem no gol que os pés são bem úteis e importantes para o goleiro de handebol).

Este é um momento em que as regras devem ser utilizadas de acordo com a modalidade forma, acrescentando apenas que os jogadores devem rodar entre si no gol, para que todos participem também nessa posição.

3. Bibliografia

BAYER, Claude. La Enseñanza de los Juegos Deportivos Colectivos. 2. ed. Barcelona: Hispano Europea, 1992.

Artigos Relacionados:

  1. Festivais de Handebol I – Festival de Jogos Adaptados
  2. Festivais de Handebol II – Festival de Jogos Coletivos Populares
  3. Festivais de Handebol IV – Festival de Jogos para Goleiros
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7 comentários sobre “Festivais de Handebol III – Festival de Jogos Adaptados

  1. Nossa…uma bela pergunta!
    O futebol de mão seria o “Handebol”?
    Sei que a primeira modalidade oficial a ser disputada com as mãos que tem uma relação muito próxima ao handebol foi o Handebol de 11, que é uma modalidade adaptada do futebol.

    Era disputado em gramado e com dimensões de campo semelhantes ao do Futebol.

    O motivo do invento, não sei lhe precisar.

    Sei que isso se deu na Europa, não me recordo o país, mas essa modaliade foi adaptada para as quadras, com diminuição do número de participantes devido à época de frio na europa, onde as quadras estabeleciam um ambiene propício para a prática da modalidade com adaptações.

    Alguns estudos apontam que o handebol tem sua origem no handebol de grama (handebol de 11).

    Outros defendem que o handebol de 11 não é handebol, mas apenas um “Futebol com as mãos” e creditam que o handebol teve início somente após a adaptação das regras e número de jogadores para a disputa em quadras fechadas.

    Espero ter podido ajudar, vou pesquisar algo mais preciso e se encontrar estarei disponibilizando.

    Abraços,

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