Mini-jogo não é “só” brincadeira e nem “apenas” coisa de criança

Existem algumas iniciativas nacionais para a divulgação do handebol através da idéia do “mini-jogo da modalidade”.

Uma dessas interessantes iniciativas pode ser acompanhada pelo projeto “Mini Handebol” que a Petrobrás e a CBHb vêm desenvolvendo e que, segundo o jornal “Lance!” de 28 de janeiro, já conta com 211 núcleos em todo o país.

Esse tipo de iniciativa também ocorre em outros clubes e associações por todo o Brasil, claro que sem a mesma notoriedade de um projeto patrocinado pela Petrobrás, mas também com o apelo ao mini-jogo e práticas adaptadas da modalidade formal como ferramentas de sustentação do projeto.

No entanto, uma dúvida pode surgir: Como essas aulas se desenvolvem? Os jogos são parte fundamental das aulas, ou treina-se o aluno para que ele possa jogar bem o mini-jogo?

Ainda outra questão: Qual é a função do mini-jogo nessa idéia de ensino? Ser mais uma forma de acesso ao handebol ou ser o objetivo máximo de desempenho de crianças de uma determinada faixa etária, como se essa fosse uma espécie de handebol formal para aquela determinada idade?

Destaco essa questões pois sou um de tantos defensores da idéia do ensino dos Jogos Desportivos Coletivos e, por conseguinte, do handebol, através de atividades jogadas que possibilitem ao aluno encontrar as respostas mais coerentes para a resolução dos problemas de ordem cognitiva (planejamento) e motora (atitude), ambas indissociáveis se pensarmos a melhor resposta possível de ser encontrada.

Esse tipo de abordagem, ainda que enfrente alguma resistência por parte de professores e treinadores de Handebol, vem sendo colocada em evidência, e, portanto, discutida e aos poucos inclusas em aulas e treinamentos.

No entanto, corre-se um grande risco devido à falta de estudos sobre esse tipo de abordagem, no que se diz respeito à utilização de jogos adaptados e reduzidos: acreditar que seja necessário capacitar pessoas (crianças, jovens, adultos, terceira idade) para jogar bem esse tipo de abordagem, através da sistematização de atividades que os façam desenvolver de maneira otimizada as atividades reduzidas.

Ou seja, tornar jogos reduzidos um fim e não um meio de aprendizado.

Devemos ter cuidado com uma possibilidade que projetos dessa natureza possam atingir: a manutenção de uma abordagem tecnicista e fragmentada que tenha como finalidade o acesso ao mini-jogo com excelência esportiva para aquela determinada faixa etária.

Não, não é esse o caminho. Os mini-jogos devem possibilitar ao aluno acertar e errar, e o erro não deve ser encarado como algo negativo, mas sim parte de um processo de construção, logo, errar também tem um valor positivo no processo de aprendizagem (GARGANTA, 1998).

Logo, o ensino deve partir de atividades jogadas e mini-jogos, cuja finalidade seja fazer o aluno compreender a lógica do jogo, a melhor forma de resolução de problemas em níveis de complexidade oscilantes que somente atividades jogadas podem proporcionar.

Outra preocupação: considerar que reduzir o número de participantes, tamanho da quadra e tamanho do gol resulta em uma atividade menos complexa.

O menor número de jogadores aumenta as chances de participação do aluno na atividade, e isso realmente é bom para a iniciação esportiva.

Porém, isso não garante a simplificação do jogo, tornando-o mais intenso aos jogadores e provocando a diminuição das possibilidades coletivas ofensivas, facilitando a definição de estratégias defensivas, mas também diminuindo as possibilidades de coberturas de eventuais falhas de ações defensivas.

Observa-se, portanto, uma grande complexidade presente nesse tipo de atividade, fazendo-a longe de ser um jogo simples e de ser uma propriedade apena da iniciação esportiva, podendo, porque não, ser utilizada também no aperfeiçoamento e treinamento esportivo, devido à riqueza de possibilidades que esse exemplo de mini-jogo proporcional.

Logo, projetos com enfoque no mini-jogo devem ser muito bem significados – no que diz respeito à fundamentação teórica e de princípios aplicados – e bem executados – a final, aulas abordadas com ênfase no mini-jogo não devem ser encaradas apenas como ambiente de brincadeiras, risadas, diversão apenas; deve, juntamente com esses aspectos, caracterizar-se como um espaço crítico, de intervenção e busca de sedimentação de aprendizagem e trocas de experiência.

Bibliografia

GARGANTA, Júlio. Ensino dos Jogos Desportivos Coletivos. Perspectivas e Tendências. In. Movimento, ano IV, n. 8, p.19-27, 1998/1. [clique aqui]

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5 comentários sobre “Mini-jogo não é “só” brincadeira e nem “apenas” coisa de criança

  1. Oi Lucas
    Parabéns pelo site.
    No que diz respeito a este artigo, gostaria que algum colega que trabalhe com o mini-handebol se manifesta-se em forma de artigo para que podessemos obter outra opinião. Obrigado

  2. Oi lucas
    Meu nome é Liliane tenho 18 anos
    Gostei do site, mas tenho uma pergunta a fazer!
    Eu já terminei o colegio é jogava handebol lá,só q agora eu quero continuar porque eu quero jogar profissionalmente,mas eu estou procurando é não acho nada,você poderia me ajudara encontrar?
    Se puder me responda pelo meu e-mail,moro no RS em canoas no0 Bairro: Nitéroi .
    Um abraço por favor não deixei de me responder. Liliane!

  3. ola, boa tarde!

    Adorei o site e sua colocação sobre os minis jogos.
    faço faculdade de educação fisica mais precisamente bacharel e penso futuramente ser uma tecnica de voleibol e acho que os mini jogos são uma iniciação legal pra o desepenho dos particantes que irão iniciar o esporte!

    beijos fica com Deus!!!

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