Pedagogia do Handebol – Novos Caminhos

euLucas Leonardo é o coordenador do site http://www.pedagogiadohandebol.com.br e atua como consultor pedagógico de projetos esportivos em clubes, associações e prefeituras.

Considero que uma minoria das crianças chegará ao esporte profissional, reduzir o esporte na infância ao treino, à competição, à formação de atletas, à conquista de resultados expressivos, é assumir que a pedagogia do esporte fracassou. (SANTANA, p.46, 2004)

Muitas vezes, experientes ou não, no que se diz à prática das aulas de educação física e de esportes, nós professores temos como tendência a sistematização de aulas que tendam ao imediatismo do ensino, baseado nos modelos de alto-rendimento e de conquista exarcebada da vitória.

O modelo competitivo acaba sendo a base de todo processo de “ensino”, incluindo muita vezes a abordagem tradicional do “ensino” do jogo baseado na fragmentação deste em partes isoladas, como “ensino” do passe, “ensino” da finalização, “ensino” do drible, “ensino” do trifásico e duplo trifásico, etc..

Partido desse princípio metodológico, nós professores concebemos o jogo como sendo um sistema dotado de partes que quando somadas, formam novamente esse sistema. Uma operação matemática simples e perfeita! Mas na verdade a coisa não é bem assim.

Sendo o jogo um ambiente dotado de imprevisibilidade – a final, temos inúmeras possibilidades de execução de uma única ação – e por sua vez dotada de complexidade, será mesmo que um aluno que aprende a passar, depois a finalizar, depois a fazer o trifásico, e assim por diante, saberá JOGAR O JOGO chamado handebol?

O ensino tecnicista e fragmentado nos remonta à idéia de que o jogo é EXATO. Falsa ilusão.

De acordo com a visão sistêmica – uma teoria que estuda sistemas dotados de elementos, estes que executam atividades com pelo menos outro elemento, que sofrem influência de todas as relações entre e com outros elementos, de forma dinâmica e complexa, formando assim um sistema, que interage com outros sistemas, mas tem sua característica própria baseada nas ações de seus elementos internos – “o todo é mais, ou menos, do que a soma das partes”. (D’OTTAVIANO & BRESCIANI, 2004).

Logo, sendo o jogo um sistema dinâmico, complexo e imprevisível, como é possível ser a soma das partes (elementos técnicos) igual ao todo? No jogo de handebol, posso afirmar baseado nessa premissa, que a dinâmica do jogo difere da soma de seus elementos técnicos, “ensinados” de forma isolada e fragmentada.

Digo que essa abordagem tradicional do alto rendimento deve ser repensada na iniciação e nas atitudes pedagógicas – portanto, repensada e melhor debatida também no alto rendimento, uma vez que este é também um ambiente pedagógico.

Voltando para a iniciação esportiva – não estou falando em idades, categorias, mas sim em iniciação, afinal, quantos de nós não chegamos a fase adulta sem ter tido contato com determinadas modalidades? – o ensino do Handebol deve basear-se na construção conjunta de suas regras, através de pequenos jogos com propósitos que vão além da vitória e da derrota, mas do aprendizado de conceitos lógicos do jogo, possibilitando ao envolvido no ambiente de aula ter ao seu fim a sensação de aprendizado conquistado e de compreensão do jogo.

Para atingirmos esses preceitos (a aprendizagem do handebol de forma contextualizada com a modalidade e atingindo objetivos que estejam voltados com o aprendizado e não com a vitória a qualquer custo), temos que seguir alguns preceitos de ordem metodológica e de ética profissional:

  1. As aulas devem construir conhecimento: o professor da iniciação deve ter como pressuposto inicial a ideia de que as aulas são um momento de simbiose de conhecimento, onde alunos e professor possuem experiências anteriores à daquela aula e estas devem ser respeitadas e ouvidas por todos envolvidos no momento de aula;
  2. As aulas devem ensinar a jogar e não a repetir de forma fragmentada: sendo o jogo imprevisível e complexo, a repetição isolada pura e simples não determina a possibilidade de jogar bem. “Ensinar” pela repetição fragmentada e depois cobrar atitudes inteligentes é negligência. O professor deve estimular a criatividade com jogos de regras adaptadas, que privilegiem a tomada de decisão e execução técnica no contexto do jogo.
  3. As aulas devem incluir e não excluir: aulas cujo momento do jogo – momento mais esperado da aula – seja administrado da forma tradicional e pautado no rendimento, onde “quem ganha fica e quem perde sai”, tendo equipes na fila de espera, deve ser substituída por jogos reduzidos – mas que mantenham a lógica do jogo e jogos pré-desportivos que possibilitem a participação de todos. Em caso de aulas onde o Jogo Formal deva ser abordado (o que é uma obrigação do professor, ao meu ver), utilizar os alunos como treinadores, avaliadores, analisadores do jogo, os ensinando a avaliar e encontrar soluções, mesmo estando momentaneamente fora do jogo, é algo possível e dotado de valor pedagógico.

Esses três pontos, se pensados e aplicados no momento de aula, possibilitarão maior aprendizagem de todos os envolvidos na aula, desde alunos, até ao professor.

A iniciação não é um ambiente de reprodução de formas tradicionais de abordagem esportiva, acríticas e repetitivas. O ensino deve basear-se na construção mútua – a final, se nos basearmos em jogos, os alunos poderão nos mostrar falhas ou melhoras possíveis para a realização desses jogos – e valorização das atitudes de cada envolvido no ambiente de aula.

Bibliografia

SANTANA, W. C. Futsal: apontamentos pedagógicos na iniciação e na especialização. Campinas: Autores Associados, 2004.

D’OTTAVIANO I.M.F. & E. BRESCIANI. Auto-organização e criação. In. Revista MultiCiência: a mente humana, outubro, 2004. [clique aqui]

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6 comentários sobre “Pedagogia do Handebol – Novos Caminhos

  1. Meu sonho é jogar handebol profissionalmente mas no Brasil as oportunidades são poucas, jogo handebol a seis anos e quero seguir minha vida com isso.Por favor enfrento qualquer barreira por isso.Me ajudem.Obridada.

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