Teoria do Jogo – O Estado de Jogo

Venho escrever sobre algo que vem sendo foco de meus estudos atuais (há pelo menos 1 ano, é verdade), que é a Lógica do Jogo, e no caso específico a lógica do jogo do handebol.

Tudo iniciou com conversas com o Prof. Rodrigo Leitão (um grande estudioso do jogo) em que ele me instigou muito sobre isso, me deixando com muita curiosidade de investir no estudo desse assunto, que rapidamente me levou à transferência desse conhecimento para o ensino do handebol.

Não é segredo para quem acessa esse site que considero o Jogo o principal meio de ensino contextual do handebol, pois é através do jogo que o aluno/atleta condiciona-se a responder às imprevisíveis necessidades que o jogo lhe exige quando atua numa partida. Continuar lendo

Construção de uma Progressão Pedagógica no Ensino do Handebol Através do Jogo – A Escolha dos Jogos II

* Antes de prosseguir, é interessante ler os seguintes artigos:

Conforme destacado no artigo anterior, escolher os jogos que serão utilizados para a organização de aulas e sessões de treinos depende de, pelo menos, 3 aspectos de análise:

  1. Como ocorre no jogo a manifestação dos Princípios Operacionais dos Jogos Esportivos Coletivos? (Bayer, 1992)
  2. Quais regras de ação serão manifestadas nesse jogo?
  3. O jogo aproxima-se ou afasta-se da ‘lógica’ do handebol?

As respostas seguem abaixo. Continuar lendo

Recomendação de Leitura

Olá amigos, para essa semana recomendo a vocês a leitura do artigo do Professor Riller Silva Reverdito, colaborador do site Pedagogia do Handebol, escrito junto com o Professor Alcides José Scaglia, discutindo uma proposta metodológica para o ensino dos jogos coletivos, focando suas análises pedagógicas no ensino do handebol, trazendo a discussão do jogo sobre a ótica da gestão do seu processo organizacional.

Vale a pena a leititura!

REVERDITO, Riller Silva & SCAGLIA, Alcides José. A gestão do processo organizacional do jogo: uma proposta metodológica para o ensino dos jogos coletivos. In. Motriz, Rio Claro, v.13 n.1 p.51-63, jan./mar. 2007 [clique aqui]

Abraços a todos,

Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo – A Escolha dos Jogos I

Antes de continuar a leitura desse novo artigo, sugiro a leitura dos artigos que são anteriores a esse, uma vez que se trata de um assunto a ser tratado em vários textos.

  1. Construção de uma Progressão Pedagógico para o Ensino do Handebol Através do Jogo
  2. Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo – o Ato Motor e as Estruturas Motrizes

Conforme citado no artigo anterior (clique aqui) iremos tratar agora da ‘Escolha dos Jogos’, ou seja, como adequar cada jogo ao contexto de nosso grupo de trabalho.

Cada grupo de alunos/atletas com o qual lidamos corresponde a uma realidade diferente, conhecimentos diferentes sobre o handebol e vivências anteriores também particulares a cada indivíduo e cada grupo.

Torna-se, portanto, uma incoerência criar uma ‘receita’ simples de ser seguida, já que a pluralidade e a generalidade são aspectos relacionados a toda relação humana.

Seguir um modelo pronto (assim como o ensino tecnicista nos condiciona a fazer) passa a ser algo questionável. Não serão dados, portanto, modelos, receitas, caminhos definidos, mas sim pistas, dicas e reflexões que possam nos orientar dentro de uma progressão pedagógica.

Escolher um conteúdo a ser passado para nossos alunos é algo complexo (como tudo o que envolve educação, desenvolvimento humano e relações sociais) e para isso, quando temos no jogo nossa arma pedagógica, não basta apenas escolhermos uma série de jogos e montar aulas como alguém que com um baralho, descarta e escolhe novas cartas para seu jogo, é necessário planejamento e coerência pedagógica.

A escolha dos jogos exige um olhar para o conteúdo que se objetiva ensinar e como sistematizar atividades/jogos/brincadeiras que sejam capazes de orientar nossos alunos/atletas para aprender aquilo que queremos ensiná-los.

Esses conteúdos, no entanto, superam em muito aquilo que o olhar tradicional considera conteúdos a serem ensinados no handebol (os fundamentos técnicos isolados, de maneira geral, e abordagens fragmentadas da perspectiva tática/estratégica do jogo).

Se o objetivo é construir uma metodologia de ensino pautada no jogo, o jogo elaborado deve ser capaz de garantir que a aprendizagem seja conseguida exclusivamente jogando.

Para isso, deve-se inicialmente definir: “Como poderão ser os jogos que utilizarei na minha proposta pedagógica?”. Continuar lendo

Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo – o Ato Motor e as Estruturas Motrizes

No artigo anterior citei alguns pontos relativos ao desenvolvimento de um processo pedagógico para o ensino do handebol, destacando a ‘certa’ inveja que alimento do ensino pautado em premissas tecnicistas, por este método de ensino facilitar em muito ao professor enxergar o ‘de onde começar’ e o ‘para onde deve ir’ em seu processo tradicional de ensino.

Porém, essa ‘invejinha’ é deixada de lado quando, ao analisar que a forma de ensino tradicional acaba por fazer do jogo de handebol algo resumido em partes descontextualizadas de seu todo, fator que impede que a aprendizagem seja bem ministrada.

Ou seja, apesar do tecnicismo facilitar que o professor crie uma linha coerente de ensino  – dentro dos moldes tecnicistas –, ao analisarmos os frutos advindos desse processo de ensino, verifica-se lacunas muito grandes no que diz respeito à capacidade do aluno em resolver os problemas inerentes ao jogo.

Logo, um desafio pessoal que faço questão de compartilhar nesse site, é o de tornar fácil a compreensão de como desenvolver uma progressão pedagógica no ensino do handebol através da idéia do ensino por jogos.

Jogos, sim! Pois jogando, mantemos intacto algo primordial: a unidade complexa do jogo. Continuar lendo

O ensino dos esportes coletivos: metodologia pautada na família dos jogos

Esta semana estarei postando aqui um artigo científico produzido por mim, o Professor Riller Reverdito e o Professor Alcides Scaglia na revista motriz.

Nele discutimos uma proposta metodológica de ensino dos esportes coletivos (e também do handebol) sob a perspectiva da família dos jogos, discutida na tese de doutorado do professor Alcides e que tanto defendo nesse espaço virtual.

Espero que apreciem a leitura, clique aqui para baixar o arquivo em PDF

Construção de uma Progressão Pedagógica para o Ensino do Handebol Através do Jogo

Hoje, farei aqui meu primeiro e talvez único elogio ao ensino tradicionalista do esporte, este, baseado em premissas tecnicistas e que reduzem o jogo a elementos ensinados de maneira descontextualizada de seu todo (ver mais clicando aqui ):

  • Geralmente quem ensina dessa forma sabe muito bem de onde quer ir e para onde quer chegar, ou seja, essa forma de abordagem pedagógica acaba facilitando a criação de um caminho simples a ser seguido para o ensino por ele proposto.

Criar uma trilha a ser seguida, uma origem e um destino pedagógicos é algo simples de se fazer a partir dessa perspectiva e, portanto, planejar aulas bem articuladas, conteúdos a serem abordados e também avaliação dos objetivos alcançados é algo bastante factível numa abordagem de ensino tradicional.

Claro que quem souber ler aprofundadamente este “elogio” que teço nos parágrafos anteriores perceberá que por trás desse elogio há um misto de sarcasmo – afinal, ensinar de maneira tecnicista é muito fácil e planejar os conteúdos das aulas torna-se tarefa simples, mas será que isso garante a aprendizagem efetiva do handebol? – e inveja – pois gostaria que fosse assim, também simples, ensinar através de uma metodologia pautada exclusivamente em jogos.

Um exemplo do simplismo que é ensinar numa vertente tradicionalista é traçarmos uma proposta de planejamento, por exemplo, da aprendizagem do passe, que será expresso em três hipotéticas aulas que descreverei a seguir: Continuar lendo

Handebol, um jogo de Perguntas e Respostas

A compreensão do handebol como um fenômeno sistêmico é um dos principais enfoques desse espaço virtual.

Sistêmico porque ele não pode ser compreendido de maneira fracionada. Jogar handebol não é um simples somatório de fundamentos, mas sim uma grande teia complexa de ações que geram re-ações, às quais novas ações e novas re-ações se originam, dentro de um círculo ininterrupto de novos problemas e novas soluções.

Um dos principais fatores que demonstram a característica sistêmica do jogo de handebol está na sua compreensão como um “jogo de perguntas e respostas”.

Existe uma infinidade de jogos de perguntas e respostas. Se pensarmos sob a ótica da “família dos jogos” defendida por Scaglia (2003) pode-se até mesmo colocar o handebol dentro de uma mesma família de jogos do que, por exemplo, o famoso jogo do “é, não e por que”.

No jogo de “é, não e porque”, jogam pelo menos dois jogadores. Um jogador é o responsável por formular perguntas e o outro é aquele que as responde. No entanto, a regra do jogo determina que aquele que responde não utilize os termos “é, não e porque”.

Um exemplo de execução desse jogo, onde “P” é o jogador que pergunta e “R” é o jogador que responde:

P: Qual seu nome? Continuar lendo

Analisando e Respondendo à Enquete do Site – Ensinar pela Técnica, pelo Jogo, ou por Ambos?

Caros amigos, há algumas semanas adicionei uma enquete em nosso site, cuja pergunta era bastante objetiva: “Como você ensina handebol?”

Obtive, até escrever esse artigo, a seguinte estatística de respostas:

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Total de respostas: 108

Resposta 1: Através de jogos, exclusivamente: 12 votos

Resposta 2: Através de treinos visando a melhoria da técnica dos jogadores: 15 votos

Resposta 3: Através de jogos e treinos técnicos, simultaneamente: 81 votos

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Uma análise simples mostra a realidade hoje de nossos professores e treinadores de handebol: em sua maioria, um total de 96 pessoas que trabalham com o handebol adotam meios de ensino que fundamentam totalmente, ou parte das aulas, em treinos tecnicistas, visando que o aluno seja capaz de executar corretamente as diversas técnicas do jogo de handebol.

Pergunto, nesse artigo o que seria esse “executar corretamente” na visão de cada um de nós que ensinamos o handebol? Continuar lendo

O Jogo IV – Lúdico e Sério, isso é possível?

Para muitos que abordo ao falar sobre o ensino do handebol com base no jogo como exclusiva ferramenta pedagógica, isso parece um equívoco, pois a visão zobre o jogo comumente limita-se sobra sua característica de diversão e ludicidade, desprovido de um caráter sério, que para muitos é considerado um elemento essencial para que a aprendizagem seja consumada.

Não questiono que a ausência de seriedade num processo de ensino aprendizagem é algo que minimiza as chances de que a aprendizagem seja assimilada pelos alunos/atletas que se envolvem em nossas aulas.

Logo, admito que para ensinar deve haver seriedade por parte de alunos e professores, pois a atitude séria possibilita maior atenção para que o objeto de aprendizagem seja realmente significado como um conteúdo a ser aprendido.

O jogo, por sua vez, é um elemento típico de liberdade, ludicidade e prazer, caracterizando-se, aparentemente, como algo típico para o relaxamento, a diversão e a livre adesão.

No entanto, trago uma pergunta: Jogar bola nas ruas, garante aprendizagem? Não são raros os relatos de grandes jogadores de diversas modalidades que descrevem as experiências vividas na rua como algo realmente significativo. Continuar lendo