Jogos Pedagógicos – Ensinando a Saltar a Arremessar no Handebol

Quantas vezes não temos que solicitar ao nosso aluno: “Salte para arremessar!” depois de uma finalização realizada por ele sem a utilização destas habilidades?

Uma estratégia muito utilizada para ensinar o aluno a salta e arremessar é pedir para que, simplesmente, façam isso, um de cada vez, com todos os outros amigos aguardando sua vez para fazer, por meio de correções do professor sobre o procedimento adotado pelo aluno.

Isto ensina? Sim, claro! Porém, também expõe o aluno que não consegue e este é o primeiro passo para a desistência do aluno. Portanto, devemos ter sensibilidade pedagógica quando tratamos do assunto.

Logo, uma forma adequada para isso seria ensinar o aluno a saltar e arremessar sem precisar de grandes intervenções, ou seja, criando atividades nas quais ele faça isso pela própria solicitação da atividade.

Para isso, apresento um jogo, que se faz jogante com relação a esta regra, de forma que o jogador seja impelido a tentar saltar e arremessar para ter êxito: Trata-se do Dodgebol com uma rede de voleibol. Continuar lendo

Frutos de uma aula de Pós-Graduação – Jogos que ensinam Handebol 2

Após o primeiro artigo desta série, segue agora mais um jogo apresentado pelo grupo de alunos da Pós-Graduação em Pedagogia e Treinamento em Jogos Esportivos Coletivos, no módulo de iniciação e especialização ao Handebol oferecido pela Universidade Gama-Filho.

Os jogos desenvolvidos pelo grupo em questão tratam do ensino dos seguintes temas:

Tema 2:

  • Defesa: Marcação individual.
  • Ataque: Desmarque com progressão ao alvo adversário, passe e recepção.

O grupo apresentou uma progressão muito interessante de atividades, no entanto, Continuar lendo

Frutos de uma aula de Pós Graduação – Jogos que ensinam Handebol 1

Nos dias 10 e 11/12 de 2011, fui o docente da turma de especialização da Universidade Gama-Filho, do curso de Pedagogia e Treinamento dos Jogos Esportivos Coletivos, ministrando o módulo de Iniciação e Treinamento do Handebol, na qual 3 turmas de especializandos da cidade de São Paulo participaram. O curso foi realizado no Centro Olímpico, com total apoio do professor Daniel “Cubano”, para o qual deixo um forte abraço, pois foi muito interessante a conversa e a troca de experiências que tivemos.

De forma geral, o curso tratou de 4 principais eixos: A visão sistêmica do handebol, métodos de ensino – tratando da valorização do Jogo como forma de ensinar, definição dos conteúdos de aprendizagem e os sistemas de jogo para a iniciação e especialização.

Como avaliação, ou melhor, frutos deste processo, no último dia de curso, foram divididos 4 grupos que receberam uma tarefa: construir um único jogo que pudesse dar conta de ensinar diversos conteúdos relacionados ao processo de aprendizagem ao handebol. Abaixo, seguem os temas trabalhados por cada grupo:

Tema 1:

Desenvolver um jogo que possa ensinar:

  • Defesa: A troca de atacantes ou acompanhamento destes dentro de um sistema defensivo aberto.
  • Ataque: Queda de segundo pivô.

Tema 2:

Desenvolver um jogo que possa ensinar:

  • Defesa: Marcação individual.
  • Ataque: Desmarque com progressão ao alvo adversário, passe e recepção.

Tema 3:

Desenvolver um jogo que possa ensinar:

  • Defesa: Jogar contra superioridade numérica ofensiva e trabalhar a troca de marcação do pivô.
  • Ataque: Luta pelo espaço vazio (para Pivôs).

Tema 4:

Desenvolver um jogo que possa ensinar:

  • Defesa: Marcação em zona para defesas em 2 linhas e valorização do contato físico.
  • Ataque: Ocupação de espaços vazios e finalização.

Os resultados foram maravilhosos e, com a devida autorização de cada grupo, publico abaixo a atividade proposta para o tema 1 e realizo uma breve análise pedagógica de cada uma desta. Nos próximos artigos, farei o mesmo com os outros 3 temas. Continuar lendo

A aprendizagem do Passe na Iniciação e na Especialização ao Handebol – Diferenças Significativas

Geralmente, quando solicito que alguém caracterize o jogo de handebol, ouço algo assim: “É um jogo no qual a equipe deve passar a bola para depois arremessar a gol”.

A ideia que associa o handebol ao passe é quase que um senso comum entre alunos, atletas e professores.

Considerando, porém, o real objetivo do jogo, a utilização do passe pode não ser tão relacionada à quantidade de passes que uma equipe realiza, mas sim à qualidade do passe realizado. Continuar lendo

Sensibilização ao conceito tático da finta e ocupação de espaços vazios para a iniciação do Handebol (até 12 anos) – 1

Visando dar continuidade ao artigo anterior, em que foi tratado o conceito da finta-tática tendo como base o reconhecimento dos espaços vazios defensivos, segue agora um exemplo de atividade que deve ser aplicada até os 12 anos de idade (mas que pode ser aplicada também em idades maiores) que pode estimular a aprendizagem simultânea dos meios táticos individuais ocupação de espaços vazios e finta, tão importantes para a iniciação ao handebol.

Mamãe da Rua com 3 pegadores e facilitação da observação dos espaços vazios:

Acredito que todos conheçam a brincadeira conhecida como mamãe da rua, dono da rua e que ainda pode ser conhecido por outros nomes.

Esta brincadeira popular pode ser levada ao ambiente de aprendizagem do handebol, principalmente quando se tem o objetivo e ensinar a ocupação dos espaços vazios e a possibilidade de execução da finta-tática.

Através de pequenas adaptações deste jogo, é possível potencializar a aprendizagem desses aspectos do jogo.

Abaixo, breve descrição da atividade:

Objetivo do Jogo:

Os pedestres (fugitivos) deverão atravessar uma região (rua) que é protegida por um ou mais jogadores (os pegadores ou donos da rua), saindo de um lado (calçada) para o outro lado da rua (outra calçada), lugares em que os pedestres estão salvos.

Regras Básicas:

Todos os pedestres devem receber dois barbantes ou coletes que devem ser presos  lateralmente em seus shorts e bermudas, assemelhando-se a dois rabinhos que são utilizados em brincadeiras como o pega-rabo.

O dono da rua deverá tentar retirar um dos barbantes ou coletes dos pedestres. Caso consiga, ele deixa a rua e vira pedestre, e o pedestre vira dono da rua, entregando seu outro barbante a quem ao então pegador.

Todos devem tentar atravessar a rua ao mesmo tempo, ao sinal do professor, não valendo retornar para a calçada em que estavam.

Considerações pedagógicas: Continuar lendo

Jogando para Aprender o Retorno Defensivo II – Jogos para a Especialização

Nas idades em que já há o processo de especialização do handebol, retornar defensivamente deve ser mais do que uma atitude aplicada em pequenos jogos, como no caso da iniciação.

Retornar defensivamente nesse período passa a ter importante carga estratégica (sem deixar de lado, claro, o fato de que as fases transitivas do jogo – retornar defensivamente e contra-atacar com rapidez – exigem grande capacidade de antecipação ao desfecho da jogada).

Retornar deixa de ser apenas uma atitude de voltar ao campo defensivo, ou de simplesmente buscar recuperar a posse de bola. Algumas funções devem começar a ser definidas enquanto modelo de jogo da equipe, estruturando o chamado “balanço defensivo”.

Balanço defensivo é uma estrurtura (móvel ou fixa) que possui características bem definidas e treinadas, de forma que a equipe possa se auto-organizar em função de elementos (referências) do jogo.

Abaixo, segue uma sequência de jogos que possibilitam a aprendizagem do retorno defensivo com o conceito de balanço defensivo. Continuar lendo

Ensinando a progressão sem bola e ocupação dos espaços vazios

Neste texto darei alguns exemplos de atividades voltadas para a iniciação à modalidade, em uma sessão de treino/aula.

Sabemos que dependendo da idade essas atividades devem ser mais ou menos voltadas para o lúdico, com mais brincadeiras do que exercícios fechados.

O importante nas atividades são os objetivos que devem estar voltados ao aprendizado de aspectos da lógica do handebol, como as infiltrações, a procura pelos “espaços vazios”, a procura individual e coletiva pela conquista do objetivo do jogo (gol), com a intenção de introduzir o jogo mais complexo, com mais jogadores.

Em um primeiro momento da aula, podemos utilizar de brincadeiras para o aquecimento e que tenha ações e lógica semelhantes para a introdução do assunto programado para o dia.

Abaixo segue uma aula aplicada para ensinar aos alunos de 8 a 10 anos (pode ser aplicado a turmas de 12 e 13 anos desde que sejam iniciantes) a receber a bola em progressão, visualizar os “espaços vazios”, a infiltração e a finalização ao gol.

Atividade 1: Travessia do Rio Continuar lendo

Jogando para Aprender o Retorno Defensivo I – Jogos para a Iniciação

Caros colegas, venho por meio deste artigo, descrever algumas etapas possíveis de serem construídas para a aplicação do conceito de retorno defensivo dentro de um modelo de jogo (ou seja, como uma cultura de equipe, que não depende de acertos táticos ou estratégicos, mas que está incorporada dentro das construções coletivas da equipe).

Ressalto a questão do modelo de jogo e da aprendizagem como algo cultural dentro da equipe, pois dentro do que venho lendo e estudando sobre a aplicação da inteligência tática dentro do ambiente de jogo, falar como a equipe deve fazer o retorno defensivo não basta, se esses conceitos não forem sistematizados dentro de um processo de ensino aprendizagem.

A fala na preleção: “quando perdermos a bola você marca essa, você abafa o goleiro e você volta para a defesa”, por exemplo, não basta para uma boa aplicação prática.

Logo, construir um modelo de jogo é necessário para que algumas referências de jogo estejam intrínsecas ao jogar coletivo.

Dessa forma, esse artigo será bastante ilustrativo, buscando descrever pedagogicamente uma sequência de jogos muito úteis para a construção do “jogar coletivo” dentro de um modelo de jogo da equipe, tendo como ênfase o retorno defensivo.

Conceituando Retorno Defensivo: Continuar lendo

Tomada de Decisão e Antecipação – Abordagems Metodológicas no Ensino do Handebol

Trabalhar a tomada de decisão e a capacidade de antecipação de nossos alunos/atletas é um parâmetro fundamental para um processo de ensino aprendizagem de qualidade.

Após o período de centração excessiva na bola, que configura segundo Garganta (1995) a fase do jogo anárquico (que poderíamos dizer que seria comum até os 6, 7 anos de idade), as decisões passam a ser tomadas também em função de colegas e adversários, além da manutenção da objetividade de se fazer gols (e não sofrer gols), possibilitando que as primeiras decisões táticas de grupo e coletivas em situação de jogo sejam tomadas.

Após adentrar nessa fase de aprendizagem (que configura níveis de acesso ao jogo descentrado, estruturado e elaborado, segundo Garganta, 1995), estimular a tomada de decisão e a antecipação é essencial, mesmo em idades adultas.

Algumas propostas em literatura já são encontradas. A obra Iniciação Esportiva Universal (de Greco e Benda, 1998), já fala dos “jogos situacionais”, no qual uma determinada situação é “recortada do jogo” e é treinada, dentro de parâmetros relacionados à tomada e decisão do principal agente do jogo, que será o protagonista do processo de ensino-aprendizagem-treinamento.

Seria como criar uma situação controlada, na qual um armador Continuar lendo

Plano de Aula para Ensino do Handebol – Jogar com, como e contra o Pivô

Venho, a partir de hoje, descrever alguns planos de aula. Planos de aula, como o nome diz são apenas “planos” ou seja, uma estratégia montada de forma a preocupar-se com a sistematização de ensino que, assim como uma proposta currícular, deve ser maleável de acordo com o andamento da aula/treino, podendo sofrer, ou não, variações e alterações.

A proposta que descrevo aqui terá como base alguns princípios importantes no que tange aos aspectos metodológicos (ênfase no jogo como forma de ensinar) e didáticos (orientando para a descoberta guiada, contruída em conjunto com o professor, orientada para um determinado conteúdo).

Plano de Aula

Tema – Jogar com, como e contra o pivô

Conversa Inicial – Falar da aula passada, e orientar de maneira breve que os alunos se organizem livremente em trios. Continuar lendo