Tipos de Fixação II – Fixação Par e suas Consequências Coletivas

No artigo anterior falamos sobre a fixação ímpar e fiz uma “brincadeira” para saber o qual poderia ser o outro tipo de fixação. Ora, se existe fixação ímpar, também existe a fixação par.

Conceituando novamente fixação, vou descrever aqui aquilo o que foi apresentado no artigo 1 desta série de artigos:

Fixar nada mais é do que através de movimentações do jogador com bola, este chamar a atenção de seus marcadores, fixado-os às suas movimentações.

Ou seja, quando eu realizo uma fixação, na realidade estou fixando meu oponente (ou meus oponentes) a mim, de forma que ele se preocupe tanto comigo que minha equipe tenha benefícios táticos.

Dessa forma, como tudo no jogo de handebol, uma ação individual do jogador com bola, poderá gerar ganhos coletivos para sua equipe.

Falaremos agora da fixação par.

Fixação par é a ação tática individual que tem como objetivo fixar o marcador direto, ou seja, aquele que defende a zona que eu ataco.

Porém, o simples ato de fixar par não garantirá benefícios individuais ou coletivos à equipe que ataca.

Abaixo, podemos ver o que acontecerá em um jogo de handebol se, simplesmente, forem realizadas fixações pares por todos os jogadores da equipe.

fixação par 1

Figura 1. Quadra 7×7 com fixações pares apenas

Observa-se, portanto, que se todos os jogadores da equipe que ataca realizarem fixações pares e soltarem a bola, na realidade a defesa irá se beneficiar desse tipo de estratégia, pois não haverá desequilíbrio de sua estrutura, logo, o sistema defensivo sairá ganhando o jogo contra o sistema ofensivo adversário.

Logo, uma conclusão simples e objetiva: fixar par apenas por fixar par não serve no jogo de handebol, pois afasta a equipe do cumprimento da lógica do jogo, que é fazer mais gols do que sofrer (mas que se pode resumir em ‘fazer gols’).

Dessa forma, fixar par exige um algo mais. Exige ou uma ação individual que gere conflitos defensivos ou uma coordenação de grupo, para que a partir da fixação par a equipe tenha benefícios.

Esse algo mais, por exemplo, pode ser a realização de uma finta, após a fixação.

Caso um jogador fixe par e depois faça uma finta, algo novo poderá acontecer, ao invés da “mesmisse” de uma equipe que fixa par e simplesmente solta a bola.

Como consequência de uma fixação par seguida de uma finta, podemos ter algumas emergências:

A primeira emergência, didaticamente descrita aqui, será aquela em que o jogador que realizou a finta consiga ultrapassar o adversário e criar uma situação de 1xgoleiro (a melhor situação do jogo de handebol), por criar um espaço vazio para ele mesmo (figura 2).

fixação par 2

Figura 2. Fixação Par + Fintas – desequilíbrio na defesa e o jogador cria uma situacão de 1xgoleiro.

O jogador com bola pode ser seguido por seu oponente direto, que ao tentar impedir sua passagem, cria espaços vazios na defesa, gerando assim possibilidade de respostas ofensivas de outros jogadores da equipe que ataca (figura 3).

fixação par 3

Figura 3. Fixação Par + Fintas – O adversário direto segue o atacante e cria possibilidades de respostas por parte dos outros jogadores do ataque, neste caso, um cruzamento.

O jogador com bola, ao realizar a finta, ultrapassa seu adversário e, numa ação de cobertura defensiva por parte da defesa, faz com que o marcador indireto feche esse espaço aberto por ele no ato da finta, criando outro tipo de fixação, a fixação par-ímpar – ou seja, fixa-se primeiramente o marcador direto e depois o indireto, realizando uma combinação de fixação par e fixação-ímpar – (figura 4).

fixação par 4

Figura 4. Fixação Par + Fintas – O adversário indireto cobre o espaço vazio, e cria-se uma fixação par-ímpar, logo, a superioridade numérica momentânea é alcançada.

O jogador com bola, ao fixar par tem como apoio a movimentação de seu pivô (coordenação tática de grupo), que desliza para o espaço deixado pelo marcador, transformando uma mera fixação par, em uma fixação ímpar, pois agora um marcador tem 2 jogadores em sua região de defesa, sobrando um jogador livre (neste caso o pivô), o que sugere que o atacante com bola deve transmitir a posse de bola o mais rápido possível para o pivô, antes que a defesa se equilibre novamente. Logo, neste caso, fintar não será a melhor solução para o atacante com bola (figura 5).

fixação par 5

Figura 5. Fixação Par + Deslize do Pivô – Transformação de uma fixação par em uma fixação ímpar.

Logo, ao realizar uma fixação par, o jogador e a equipe devem buscar fazer algo mais, para que sua equipe saia beneficiada por essa ação.

Mas, e para ensinar isso? Jogos, muitos jogos orientados para a leitura do jogo, pois todas essas possibilidades ocorrem momentaneamente e de forma contextual – são respostas. Assim, quanto mais acostumado a tomar decisões jogando, mais adaptativo será o aluno/atleta às respostas do jogo.

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