Regras Adaptadas na Iniciação: Goleiro-Linha x Defesa Individual

Acompanhando e participando de algumas competições de base, observo com frequência a utilização de regras adaptadas voltadas para a iniciação (categorias mirim e infantil, principalmente), tendo como justificativa garantir uma jogabilidade que esteja adaptada à faixa etária, período de aprendizagem e desenvolvimento motor e antropométrico da criançada.

Fui um dos grandes defensores deste olhar, mas o que observamos é que a tentativa de “pedagogizar o esporte”, transforma a competição e um espaço de tentativa de “despedagogizá-lo”. Hoje, sou mais crítico a esta situação.

Vamos estudar um caso típico: A utilização de defesa individual (cerrada ou por aproximação) em meia quadra nas categorias mirim e infantil em metade de cada tempo do jogo.


 

Quando se cria a relação de par entre os adversários, por meio de unidades de 1×1, busca-se simplificar a estruturação do espaço, as regras de ação do jogo e aproveitar os elementos mais básicos da modalidade, facilitando a ação defensiva e estimulando as ações ofensivas sobretudo por meio de táticas individuais e de grupo. A relação de par é fundamental para isso, pois minimiza a complexidade do jogo e faz emergir, a partir da quebra do equilíbrio da relação de 1×1, as situações de superioridade numérica ofensiva, o que desenvolve na criançada a sensibilidade em optar pela utilização do passe para procurar amigos livres em boa situação de conclusão a gol.

Reforçando: A defesa individual é fundamentada na relação do PAR ofensivo-defensivo, formatada pela relação de 1×1, e isso é fundamental para que as crianças possam jogar bem o jogo.

Em contra-partida, visando desequilibrar esta relação de forma intencional, é comum a utilização dos chamados goleiros-linha, que nada mais é do que a utilização cabal do goleiro dentro daquilo o que é permitido no jogo de handebol. Muitas vezes isso é desconhecido, mas ao sair da área, o goleiro se comporta como um jogador de quadra, estando sujeito a todas as determinações da regra do jogo.

Ao sair da área, o goleiro-linha se transforma no sétimo jogador de quadra e a relação de PAR simplesmente acaba, fazendo cair por terra a ideia de uma “pedagogização do handebol” nas idades iniciais por meio da defesa individual.

Porém, partindo do ponto de vista do processo de ensino-aprendizagem, considerando as questões relativas à especialização precoce, permitir que uma criança seja ora goleiro, ora jogador de quadra, é fundamental, portanto, utilizar um jogador como goleiro-linha, executando ambas as funções é desejável, pois garante a esta criança a chance de experimentar o handebol em sua totalidade (leia mais sobre este tema clicando aqui).

Grande contradição esta, não? Mas como resolver esta questão?

Observando o regulamento de algumas competições que utilizam a regra adaptada da defesa individual nas categorias menores, é possível ver que, para os casos de superioridade numérica ofensiva, proveniente de punições progressivas, permite-se a utilização de defesas zonais, visando minimizar os problemas defensivos da equipe que está em inferioridade. Acredito que a adoção desta regra em casos de goleiros-linhas seja a melhor saída para estas competições, pois dá à equipe que fica em inferioridade numérica (frente à relação de 6×7), a chance de equilibrar o jogo por meio de trocas defensivas típicas da defesa zonal.

Hoje, porém, costumo adotar a postura de votar contra as regras adaptadas, isso porque, mesmo que uma modificação como esta seja promovida, algumas coisa vai ser observada na regra e o processo de “despedagogização do esporte” ocorrerá novamente.

A respeito disso, o professor Décio Calegari, aqui mesmo no blog, comentando o post de 1 de Abril de 2012 (Mudanças na regra do Handebol de Base – Estamos solucionando o problema?) ao discutir as questões de adaptação de regras disse: “Hoje defendo que o processo pedagógico tem que ser opção do professor, cabendo a ele decidir entre ser campeão e formar um bom atleta.”

Espero ter conseguido trazer um tema relevante para ser discutido e pensado.

Abraços a todos!

Cativar o aluno a ficar no Handebol: Sensibilidade Pedagógica

Para ensinar handebol, existem métodos variados e procedimentos pedagógicos das mais diversas naturezas.
Porém, quando um aluno chega para fazer sua primeira aula de handebol, dentro de nossa cultura esportiva, ele geralmente chega “zerado”, sem saber o que se pode e o que não se pode fazer.
Nossa tendência é falar sobre as regras, ensinar aspectos técnicos básicos como passe, arremesso, drible, ritmo trifásico e etc..
Handebol, sem dúvidas, tem tudo isso, mas ensinar e cobrar a “execução correta” destes aspectos técnicos logo no início pode ser frustrante.
Imaginem a seguinte situação: Continuar lendo

Gostar de Handebol – Primeiro Objetivo Didático

Por onde começar a ensinar handebol? Como transformá-lo num esporte interessante e que faça com que as crianças se apaixonem por ele?

Não se trata exatamente de achar um método especial, mas sim de se escolher uma forma especial de ensinar um conteúdo relevante.

O que faz o handebol especial? O que o difere de outros esportes? Talvez esteja aí o elemento essencial para se traçar um primeiro objetivo didático. Continuar lendo